Mais de 30 médicos estagiários manifestaram-se, esta terça-feira, em frente ao Ministério da Saúde (MISAU), exigindo o pagamento de subsídios em atraso há cerca de seis meses e denunciando condições consideradas precárias de trabalho nos hospitais onde estão afectos.
Os estagiários, provenientes de diferentes instituições de formação médica, afirmam que continuam a exercer funções clínicas sem o devido apoio material, incluindo a falta de equipamento de protecção individual (EPI), situação que, segundo dizem, compromete a segurança no atendimento aos pacientes.
O grupo refere ainda que o processo de contratação com o Ministério da Saúde demorou vários meses, o que agravou a situação financeira dos estudantes em estágio final do curso de Medicina.
“Apesar disso, o Ministério da Saúde demorou muito tempo para celebrar o contrato connosco. Foram quase sete meses e só conseguimos formalizar o processo em Agosto de 2025”, afirmou o médico estagiário Carlitos Buque.
Segundo os manifestantes, o protesto desta terça-feira resulta de várias tentativas falhadas de diálogo com as autoridades sanitárias, sem que tenham sido encontradas soluções para a regularização dos subsídios.
Os estagiários acusam igualmente algumas unidades hospitalares de restringirem o acesso a material médico-cirúrgico, o que limita o desempenho das suas actividades práticas.
“Temos enfrentado limitações no acesso a materiais essenciais para o nosso trabalho diário”, referiu outro estagiário, Inácio, durante a manifestação.
Em reacção ao protesto, o Ministro da Saúde, Ussene Isse, afirmou desconhecer previamente a manifestação, mas reconheceu a existência de atrasos no pagamento dos subsídios, que descreveu como uma dívida acumulada superior a 350 milhões de meticais.
O governante assegurou que o Executivo está a trabalhar para regularizar a situação, indicando que os valores em atraso deverão ser pagos até Janeiro do próximo ano.
A situação dos médicos estagiários tem sido motivo recorrente de contestação no sector da saúde, com denúncias de atrasos nos pagamentos, condições de trabalho limitadas e falta de materiais essenciais em algumas unidades sanitárias.
Este não é o primeiro protesto protagonizado por médicos estagiários no País. Há cerca de dois meses, um grupo oriundo da Universidade Zambeze, afecto ao Hospital Central da Beira, deslocou-se a Maputo para exigir o pagamento de subsídios em atraso que, na altura, chegavam a 10 meses. Esse processo viria posteriormente a ser regularizado após negociações com o Ministério da Saúde.