Alberto da Cruz defende que Ruanda pode estar a instrumentalizar Moçambique para elevar a sua influência na Europa e nos Estados Unidos. O comentador da STV sublinha ainda que a presença militar daquele País em Cabo Delgado incomoda a SADC.
Ganhos financeiros e procura por uma boa imagem na arena internacional podem explicar a presença da tropa ruandesa no combate ao terrorismo em Moçambique, considera o comentador da STV, Alberto da Cruz.
No seu entender, isso faz parte de uma estratégia de Kigali para ser visto como aquele braço militar que garante estabilidade em África, para ampliar a sua influência com a União Europeia e os Estados Unidos e outros países.
“Acho que Moçambique está a ser usado por Ruanda, para se manter, globalmente e na região, como uma força muito forte, o que tem causado desconforto ao nível da SADC. Por essa postura do Ruando, que não é um país da região, mas que tem as suas forças (…) Olhando para isto, de forma bem resumida, para mim fica claro que está dentro da estratégia do Ruanda, da economia da guerra”, explicou Alberto da Cruz.
Uma economia da guerra que para Da Cruz passa também por instrumentalizar países como Moçambique, por possuir alegadas fragilidades.
“Ruanda está a ser contestado na União Europeia, nos Estados Unidos. Esta coisa de, por exemplo, ser o primeiro a correr é uma ideia de, primeiro, ganhar legitimidade interna, porque já recebe críticas, mas também é uma mensagem, instrumentalizando o país e um pouco a falta de seriedade dos que governam a ala militar em Moçambique”.
Os comentários foram feitos no programa Pontos de Vista da STV deste domingo, que pode ser revisto no aplicativo STV Play, que abordou vários temas da actualidade.