O Presidente da República, Daniel Chapo, destacou, hoje, o papel de Joaquim Munhepe na luta contra o colonialismo e na defesa da soberania. Chapo falava durante as cerimónias fúnebres do antigo combatente.
“(…) Para exaltar a brilhante vida e obra inteiramente deste grande filho de Moçambique, que dedicou a sua vida à pátria moçambicana e ao povo moçambicano (…) Vida e obra dedicadas à luta contra a dominação colonial estrangeira e à defesa da soberania de uma nação, cuja conquista o General Munhepe foi um dos mais destacados protagonistas”, destacou o Chefe de Estado.
Daniel Chapo destacou também o facto de desde cedo, Munhepe ter sentido a influência directa da contestação sistemática à crueldade do trabalho forçado, discriminação social, às desigualdades do sistema colonial e de outras formas de exploração do homem pelo homem
“Foi neste ambiente que se cristaliza no jovem Joaquim Munhepe a consciência anticolonial, o que leva a aderir aos movimentos associativos que naquela altura efervescia na Beira”.
O Presidente Chapo enalteceu ainda a personalidade firme do Tenente-General na Reserva Joaquim Munhepe, destacando a “sua demonstração excepcional de qualidades de liderança e comando”, tendo sido por isso indicado para uma formação de estudo estratégico em Moscovo, a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, num grupo de 12 jovens.
Joaquim Munhepe foi um dos primeiros instrutores militares em Nachingwea. Em 1966, foi nomeado chefe do campo de Nachingwea, ainda no mesmo ano assumiu o cargo de chefe das Comunicações das Forças Populares de Libertação de Moçambique (FPLM) e membro do Estado-Maior, funções que exerceu até à Independência Nacional.
Em 1968, foi eleito membro do Comité Central da FPLM, durante o II Congresso do órgão, tendo sido reeleito sucessivamente, desde 1968, para este cargo, até à altura do seu desaparecimento físico.
Em 1971, Joaquim Munhepe regressou à União Soviética, onde recebeu formação superior em Planificação, Organização, Direção e Controlo de Tropas de Comunicações, uma formação que lhe permitiu “estruturar melhor a área das comunicações militares”.
Em 1973, exerceu as funções de chefe do Centro de Preparação Político-Militar de Nachingwea, acumulando com as de chefia das comunicações, tornando-se, assim, num pilar fundamental da estratégia da luta armada de libertação nacional.
Após a proclamação da independência nacional, Joaquim Munhepe desempenhou as funções do Estado-Maior, chefiando a área de comunicações e sistema de transmissão militar, foi o pioneiro da primeira estação de transmissões de Moçambique independente. Ainda em 1975, Munhepe foi nomeado director de treinos no Estado-Maior-General, tendo assumido nos anos seguintes de 1976 e 1977 as funções de chefe do Estado-Maior-General e primeiro comandante do Exército Nacional.
Em 1978, o herói nacional é nomeado comandante das Forças Terrestres e vice-comissário político das Forças Armadas de Moçambique, tendo sido destacado para chefiar o Estado-Maior conjunto em Chimoio e, posteriormente, transferido para a cidade da Beira para assumir a mesma função.
Em 1979, Joaquim Munhepe chefiou o primeiro contingente destacado para missões de paz durante o período de transição até a Proclamação de Independência do Zimbabwe, em 1980. No mesmo ano, em reconhecimento do seu papel determinante na edificação e consolidação da Instituição Militar Nacional, foi promovido a patente de Major-General.
Em 1982, o General Munhepe foi nomeado Comandante Militar Provincial de Sofala e, dois anos mais tarde, em 1984, assumiu as funções de Secretário de Estado de Defesa para as Comunicações no Ministério da Defesa Nacional. Ainda em 1984, Joaquim Munhepe foi promovido a alta patente de Tenente-General por despacho presidencial do Marechal da República Popular de Moçambique na altura, Marechal Samora Moisés, em reconhecimento aos resultados do seu comando nas Forças Armadas.
Em 1987, assumiu a direcção do treino e formação do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Moçambique e, três anos mais tarde, em 1990, foi nomeado Inspetor-Geral das Forças Armadas de Moçambique, cargo que exerceu até à sua transição para a Reserva Militar a 15 de agosto de 1994.
“Foram exactamente 30 anos ininterruptos, dedicados inteiramente à Pátria, entre a luta de libertação nacional e a defesa da soberania nacional. Durante este longo percurso, o General Munhepe afirmou-se um exímio combatente e comandante militar e estratégia da arte de guerra, altamente respeitado no país, na região e não só”, destacou o Chefe do Estado.