O Fundo Soberano de Moçambique já recebeu aproximadamente 116 milhões de dólares (pouco mais de 7.4 mil milhões de meticais) desde o início das suas operações até aos primeiros três meses de 2026, segundo dados partilhados pelo Ministério das Finanças e pelo Banco de Moçambique durante um seminário realizado esta segunda-feira.
O encontro teve como objectivo apresentar os progressos na implementação do fundo, criado para gerir parte das receitas provenientes da exploração do gás natural, com 40% dessas receitas destinadas à sua capitalização.
De acordo com o Ministério das Finanças, o processo operacional do fundo começou com a transferência de 109,97 milhões de dólares da conta transitória para a conta do Fundo Soberano.
“Foi transferido um valor de 109,97 milhões de dólares da conta transitória para o Fundo Soberano de Moçambique. Esta transferência marca o início operacional do fundo”, explicou Alfredo Mutombene.
A este montante soma-se uma nova transferência de 6,1 milhões de dólares registada nos primeiros três meses de 2026, elevando o total acumulado para cerca de 116 milhões de dólares.
Na ausência de um plano director de investimento aprovado, o Banco de Moçambique, entidade gestora do fundo, optou por aplicar os recursos em três instituições financeiras internacionais localizadas no Canadá, Japão e França, onde o capital já está a ser rentabilizado.
Segundo o representante do banco central, Cláudio Mangue, o fundo já regista resultados positivos nesta fase inicial.
“Até 31 de Março de 2026, o Fundo Soberano tinha um resultado líquido de cerca de 1,059 milhões de dólares”, afirmou.
O responsável acrescentou que, até 17 de Maio, o fundo acumulava cerca de 1,8 milhões de dólares em juros, equivalentes a aproximadamente 114 milhões de meticais, sublinhando que os valores são actualizados diariamente.
A ministra das Finanças, Carla Louveira, afirmou que o Fundo Soberano já passou da fase de previsão legal para uma etapa de consolidação institucional, mas alertou que o seu sucesso depende da qualidade da governação e da transparência.
“O sucesso do Fundo Soberano depende não apenas dos recursos financeiros, mas sobretudo da robustez das instituições, da integridade dos processos e da confiança dos cidadãos”, destacou.
A governante sublinhou ainda que a confiança pública deve ser construída com base na prestação de contas, supervisão efectiva e participação informada da sociedade.
O seminário contou com a participação de organizações da sociedade civil, membros do comité de gestão do fundo e investigadores, que acompanharam a apresentação dos primeiros resultados e discutiram os desafios da gestão sustentável das receitas do gás natural em Moçambique.