O Procurador-geral da República diz que os raptores estão a infiltrar-se nos Órgãos de Estado para fragilizar a capacidade de investigação e combate aos crimes. Américo Letela, que presta o seu informe anual à Assembleia da República, alerta que os mineradores artesanais têm alto potencial de transformar-se em grupos armados para fragilizar autoridade do Estado.
“O crime de rapto constitui uma das manifestações mais graves da criminalidade organizada no nosso país. As redes criminosas operam muitas vezes com ramificações transnacionais, estrutura hierarquizada e utilização intensiva de meios tecnológicos sofisticados, bem assim como recurso a mecanismos de corrupção e infiltração nos órgãos do Estado, tornando mais complexa a investigação”, disse Américo Letela, durante o seu informe anual na Assembleia da República.
Letela alerta que há mudança no “modus operandi” dos raptores, usando tecnologias avançadas com maior incidência para meios criptografadas de comunicação e o pagamento de resgate em criptomoedas.
No contexto da mineração, o Procurador-Geral sublinha que têm estado a acompanhar com preocupação fenómenos criminais que transcendem a dimensão estritamente jurídica, destacando a crescente interligação entre a mineração ilegal e a probabilidade de formação de grupos armados.
“A mineração ilegal tem vindo a expandir-se em várias regiões do nosso país. Este fenómeno, inicialmente percebido como uma actividade substância ou informal, está a evoluir em diversos contextos para uma atividade altamente lucrativa, dominada por grupos organizados que operam à margem da lei, explorando recursos minerais de forma descontrolada, lesando o Estado em receitas e provocando a degradação do meio ambiente”, alertou.

