O Ministério dos Recursos Minerais e Energia desmente que o país tenha falta de combustíveis para abastecer o mercado, e esclarece que os retalhistas têm tirado quantidades suficientes no porto da Matola, daí que não se explica a escassez que se verifica nos postos de abastecimento. A Direção Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis saiu hoje para fiscalizar alguns pontos de venda.
Quase uma semana depois do caos provocado pela falta de combustíveis, um pouco por todo o país, uma equipa do Ministério dos Recursos Minerais e Energia decidiu escalar, na manhã de sábado (18), alguns postos de venda de combustível para entender de perto as causas da escassez.
No terreno, os técnicos da Direcção Nacional de Hidrocarbonetos e combustíveis fizeram medições nos tanques e confrontaram os gestores….Depois exigiram provas documentais, a porta fechada…
E a constatação da equipa, chefiada pela Directora Nacional de Hidrocarbonetos e Combustíveis, Felisbela Conhete foi imediata.
“ Não, não, não. Não há crise de combustível porque nós temos combustível. O combustível está lá nos portos”.
E fundamenta: “Há um comportamento anormal nas bombas. Embora exista combustível nos tanques, este combustível aparentemente não está a chegar às bombas. Então, nós constituímos equipes, estamos a trabalhar na cidade de Maputo, na Matola também, são várias equipes para, de facto, aferir se aquilo que os retalhistas requisitaram está a chegar efectivamente às bombas”.
Indignada com as constatações, Felisbela Conhete diz que a crise é provocada pelos distribuidores e promete mão dura.
“Há combustível no porto da Matola, que é o porto que distribui, então não pode haver escassez de combustível. Nós queremos agora perceber o que está a acontecer na cadeia de distribuição deste combustível. Nesta bomba, nós constatamos que há algumas discrepâncias entre aquilo que foi requisitado e aquilo que efectivamente chegou às bombas. Já tomamos nota, já também temos o registro, temos conhecimento de quem é a distribuidora que abastece nesta bomba e vamos interagir com esta distribuidora, vamos atuar para saber porque é que realmente não está a fazer a entrega do combustível”.
“NÃO FAZ SENTIDO ESSE COMBUSTÍVEL NÃO CHEGAR ÀS BOMBAS”
A gestora reitera que a situação é criada, por alguma razão ainda desconhecida, durante a cadeia de distribuição, no caso, pelos distribuidores, cuja actividade é por eles licenciada.
“Não faz sentido essas filas que nós vamos assistir, porque o combustível saiu. Então, o nosso trabalho é encontrar esse nó de estrangulamento, e nós devemos encontrar, porque todos esses são nossos operadores e seremos implacáveis”, declarou.
Entre as preocupações, está a limitação da quantidade de combustível a abastecer em cada posto. Conhete condena o acto, mas reconhece a sua prática e as suas razões.
“Eles estão a receber as menores quantidades em relação àquilo que têm estado a requisitar e, por essa razão, eles acham que é melhor reduzir aquilo que são os abastecimentos, por forma a poder abastecer a todos. Então, é uma iniciativa dos próprios gestores, não é uma instrução governamental. Nós achamos que isto se corrige se eles puderem receber aquilo que efectivamente estão a requisitar. Então, o nosso esforço aqui é desbloquear esse nó de estrangulamento na cadeia de distribuição, nós temos que desbloquear isso”.
Com notícias de abertura, embora parcial do Estreito de Ormuz, os automobilistas auguram que a crise passe e as suas vidas voltem ao normal, depois de semanas de agitação.

