A guerra no Sudão continua a agravar uma das maiores crises humanitárias da actualidade, com cerca de 14 milhões de pessoas obrigadas a abandonar as suas casas em quase três anos de conflito, segundo dados da Organização das Nações Unidas.
São milhões de vidas e sonhos roubados desde 2023, pela força da guerra no Sudão, que causou deslocados internos e nos países vizinhos, de acordo com a Organização das Nações Unidas.
“À medida que a crise no Sudão entra no seu quarto ano, os combates continuam a assolar grande parte do país, provocando novas deslocações e prolongando a tragédia diária de milhões de pessoas, sem que se vislumbre um fim claro (…) Desde o início da guerra, em 15 de Abril de 2023, cerca de 14 milhões de pessoas foram forçadas a fugir. Nove milhões permanecem deslocadas dentro do Sudão e 4,4 milhões através das fronteiras”.
A ONU aponta que mais de 14.000 sudaneses chegaram à Europa entre 2024 e 2025, um aumento de 232% desde o início do conflito, numa altura em que mais de 58 mil crianças sudanesas atravessaram fronteiras sozinhas, separadas das suas famílias.
A violência continua intensa em várias regiões, como Darfur, Cordofão e Nilo Azul, com relatos de bombardeamentos, uso crescente de drones e graves violações dos direitos humanos.
A organização ainda lamenta pelo facto das agências de ajuda internacional tenham recebido até agora 16% dos 2,8 mil milhões de dólares necessários para prestar assistência dentro do Sudão, e 8% dos 1,6 mil milhões de dólares para a resposta regional aos refugiados, alerta ainda para o colapso dos sistemas de saúde e justiça, criando “um clima de impunidade generalizada”.

