O general na reserva António Hama Thai diz que o País tem capacidade para combater o terrorismo em Cabo Delgado, mesmo sem o apoio das tropas ruandesas.
Na sequência da sugestão do Presidente do Ruanda, de que o Governo e as multinacionais que exploram o gás em Cabo Delgado deviam pensar na possibilidade de contribuir no combate ao terrorismo, o general na reserva António Hama Thai defende o reforço das tropas nacionais.
“Eu não quero comentar o discurso do senhor Kagame, eu olho para a lei de defesa nacional, olho para a Constituição da República e acredito que as autoridades moçambicanas, com destaque para a defesa militar e também defesa civil, estão preparadas para fazer face de qualquer eventualidade.”
Hama Thai reitera que o País pode fazê-lo, mesmo sem o Ruanda.
“Claramente. Moçambique não vai morrer, porque o Ruanda foi embora. Desculpa, mas não vamos chegar a esse ponto. Se não, eu também, com os meus tantos anos, também pegaria na arma para defender Moçambique! Toda essa juventude aí não pode ser preparada para defender Moçambique, isso é uma província”, justifica.
Para o general na reserva, há que ter clareza em relação ao assunto do Ruanda, apelando para que os moçambicanos, desde os dirigentes, população e todos que se identificam com o País, tenham dignidade.
“Moçambique tem experiência de guerra e há quadros altamente competentes para isso. Então, pessoalmente, não vejo que a terra vai desabar para onde o Ruanda vai”, declarou.
Já o presidente do PODEMOS, Albino Forquilha, defende a divulgação dos acordos que permitiram a entrada e permanência do Ruanda no Teatro Operacional Norte, uma vez que o acto não foi apreciado pela Assembleia da República.
“Antes de tudo, precisamos de fazer uma avaliação sobre as razões que nos levaram a buscar apoios regionais para combater o terrorismo em Moçambique, fazermos uma avaliação. Precisamos efectivamente ou continuamente do Ruanda no território nacional ou não? Portanto, perante essa avaliação, nós podemos concluir se vale a pena isso ou não”, disse.
Forquilha diz discordar da posição de que a vinda dos ruandeses para ajudar o País no combate ao terrorismo não tenha passado para a Assembleia da República para ser discutida, alertando que o mais importante é ver o País em paz em toda sua extensão.
“Se quisermos levar este assunto avante, ele tem de ser discutido, tem de ser aberto o dossier, temos de compreender muito bem os acordos e temos de levar isso ao debate público em Moçambique, que era na Assembleia da República, para efectivamente aferirmos se temos necessidade de continuar”, disse.
Para já, o presidente do PODEMOS questiona até que ponto o País está, em termos de homens, capacitado para combater o terrorismo, tendo em conta que a União Europeia já realizou muitas capacitações.
“Estamos em condições de estar hoje nesse trabalho ou não? Será que o efectivo que nós temos em Moçambique, colocando, fazendo o reposicionamento da região de Cabo Delgado, não pode dissuadir a presença do terrorismo?”, questiona, terminando a dizer que “nós temos de debater isso, porque senão continuamos a perpetuar negócios que não são muito interessantes para Moçambique”.
Os intervenientes falavam nesta terça-feira, à margem da celebração do Dia da Mulher Moçambicana, na Praça dos Heróis.

