Quatro famílias vivem de favor de vizinhos e pessoas de boa fé, depois de perderem suas casas e bens, num incêndio registado na madrugada de domingo último, no bairro Chamanculo C, na cidade de Maputo. As famílias pedem intervenção das autoridades municipais.
A madrugada de domingo último foi fatal para quatro famílias, que viram seus lares serem reduzidos a nada pela fúria do fogo, no bairro Chamanculo C, cidade de Maputo.
Alfredo Pedro é uma das vítimas do incêndio. Perdeu tudo, como conta.
“O que escapou são as pessoas, mas de bens, negativo. Nada escapou. Estamos de luto, conforme pode ver. Assim, estamos à espera do Governo”, desabafou.
Três dias depois da tragédia, as famílias continuam a viver praticamente ao relento, dependendo da boa vontade dos vizinhos, até para passar refeições.
“Roupa de vestir, os vizinhos é que nos dão. Os vizinhos oferecem matas, lenços, capulanas, blusas, etc. Para dormir, pedimos favor aos vizinhos, mas não é certo, entrar em casa de uma pessoa com a sua família, quando ela também tem família, dormir no mesmo sítio, custa muito”, desabafou.
Sem tempo para tirar nada das casas, as crianças já começam a se ressentir do drama.
“A minha filha, de 15 anos, estuda na Escola Secundária Armando Guebuza, na 10a classe. Chama-se Lura Moisés Bangane. Perdi tudo, não consegui tirar nem documentos, nem cadernos escolares. Hoje ela não foi à escola, mas foi alguém para justificar a sua ausência, por falta de cadernos e uniforme”, disse Lina Chilaule, uma das vítimas.
O futuro para estas famílias é , agora, incerto.
O incêndio foi provocado por um curto circuito e os bombeiros confirmam o facto, apesar de não terem estado lá, durante o sinistro e há uma razão para isso. Eles chegaram depois de debelado o fogo, por isso foram escorraçados.
O porta-voz do SENSAP aponta os acessos às residências e a comunicação tardia como uma das causas de alguns atrasos ou ausências dos bombeiros.
“Não há nenhum sistema de GPS que permita uma monitoria constante na cidade de Maputo para ver o que vai acontecer em qualquer situação de incêndio, então tem que haver uma comunicação, tem que haver uma informação que vai chegar ao SENSAP”.
Por isso apela a população a colaborar mais.
Este não é o primeiro caso de incêndio que destroi residências no bairro Chamanculo. O primeiro caso, e mais mediático, aconteceu em 2021, cujo saldo foi de 22 casas completamente consumidas pelo fogo no bairro de Chamanculo D. E a má ligação da corrente elétrica sempre esteve por detrás das principais causas dos incêndios.
