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Funcionário morre afogado na estrada entre Chókwè e Guijá

Um funcionário do Estado, de 38 anos, perdeu a vida ao tentar atravessar a via que liga os distritos de Guijá e Chókwè, na província de Gaza, arrastado pela forte corrente de água que há duas semanas condiciona a circulação naquele troço. Os residentes desta via reclamam das péssimas condições de travessia e falam dos perigos que assombram a via.

O caso reacende críticas das populações à falta de alternativas seguras de travessia e à demora no cumprimento de promessas governamentais.

Segundo testemunhas, o homem tentava alcançar o município de Chókwè quando foi surpreendido pela força das águas. O corpo foi recuperado no dia seguinte à sua morte.

“O jovem é de Guijá e perdeu a vida aqui. Ele tentou passar por aqui, mas não conseguiu. A água puxou e ele perdeu a vida”, relatou Lucas, residente local, frisando ainda que “ninguém está bem, mesmo eu não estou bem, mas é para fazer o que? Ninguém mandou isso aqui”.

A estrada, considerada estratégica por ligar Chókwè, Guijá e a vila de Caniçado, permanece parcialmente submersa desde as últimas cheias, dificultando a mobilidade de pessoas e bens. A situação tem forçado a população a recorrer a pequenas embarcações artesanais, muitas vezes em condições precárias.

Dias antes do incidente, a governadora da província de Gaza, Margarida Mapandzene, havia reconhecido o risco e apelado à prudência, além de prometer reforço nos meios de travessia.

“Esta via é de capital importância. Queremos apelar àqueles que continuam a arriscar a atravessar esta água com muita corrente que não o façam. Tivemos situações não muito agradáveis nas cheias de Janeiro, com carros arrastados, pessoas arrastadas”, disse Mapandzene a 20 de Março. 

Na ocasião, a Governadora realçava que a interrupção da mesma era preciso haver alguma alternativa para a comunicabilidade dos dois locais, e que “neste momento, estamos a ver aqui umas embarcações que ajudam a travessia da nossa população, e também temos uma embarcação movida a motor que vamos meter nesta via para ajudar cada vez mais a nossa população”.

No entanto, moradores dizem que as medidas ainda não se concretizaram. A ausência de fiscalização e de transporte público seguro agrava o cenário, segundo os utentes.

“Quem quer passar tem que pagar o barco. E nem todos têm dinheiro”, lamentou Lino Manuel.
“São barcos com infiltrações, mesmo assim as pessoas arriscam a vida por necessidade”, acrescentou Januário, outro utente.

No local, embarcações chegam a transportar até oito passageiros por viagem, além de mercadorias, sem controlo das autoridades. O custo da travessia varia entre 50 e 100 meticais, valor considerado elevado para muitas famílias num contexto de desemprego e dificuldades económicas.

Apesar dos riscos evidentes, muitos continuam a atravessar diariamente, pressionados pela necessidade de trabalho e acesso a serviços. Outros, por falta de recursos, ficam retidos.

A situação insere-se num quadro mais amplo de cheias na província de Gaza. Na cidade de Xai-Xai, autoridades mantêm alerta máximo devido à interrupção recorrente da circulação na Estrada Nacional Número Um (N1) nos últimos dias. Pelo menos 10 bairros estão inundados, afectando mais de 6.100 pessoas, segundo dados preliminares.

Enquanto isso, a travessia entre Chókwè e Guijá permanece um ponto crítico, onde a urgência por soluções seguras se torna cada vez mais evidente após mais uma vida perdida.

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