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Guerra no Irão poderá afectar gravemente Moçambique

Moçambique poderá ser gravemente afectado pela guerra no Irão, alerta o economista Joaquim Dai. É que muitos países produtores de petróleo estão envolvidos no conflito e isso pode encarecer o produto para importadores.

É mais um conflito que nos leva a lembrar o provérbio, segundo o qual, quando os elefantes lutam, o capim é que sofre. Os Estados Unidos da América e Israel atacaram o Irão e como resposta, este está a atacar aliados dos dois países.

Embora Moçambique diste de Irão em mais de sete mil quilómetros, a guerra naquele país asiático poderá trazer efeitos negativos à pérola do Índico. O alerta é do economista e pesquisador da área de hidrocarbonetos, Joaquim Dai.

“Quando cai ⅕ da oferta de combustível, o preço vai aumentar e para um país como Moçambique, que não é produtor nem refinador, vai procurar comprar no mercado internacional ao preço que estiver tabelado e isto terá impacto muito grave porque os preços vão aumentar e nosso país vai sair sacrificado”, alertou.

É que o Irão diz ter fechado o Estreito de Ormuz, localizado entre Irão e Omã, onde passam de 20 milhões de barris de petróleo por dia, usados no mundo. Dai alerta que o bloqueio vai aumentar o preço dos combustíveis para Moçambique.

“Bloqueando este pedaço do mar, fecha-se o abastecimento de 20% de combustíveis ao mundo. Isso tem impactos muito sérios. Metade deste produto que não vai passar por ali é consumido pela China, que tem sido motor de desenvolvimento mundial. Com a economia chinesa a aumentar a sua procura de combustível em outros fornecedores, o preço deste vai aumentar”, alerta.

Segundo Joaquim Dai, as reservas que o país possui são bastante limitadas. “Temos de pensar na transformação desses produtos petrolíferos para que não dependamos mais das importações. O que vai acontecer é que os próximos choques, se nós tivermos transformação de hidrocarbonetos em Moçambique, nós limitamos o choque para o nosso país”.

Diante desta situação, o economista sugere que Moçambique reinvente-se e crie condições para começar a transformar no país os hidrocarbonetos que possui.

“O impacto externo de uma falta de combustível nos mercados internacionais têm um risco de 100% de afectar Moçambique, na medida em que nós não temos neste momento combustível armazenado no país suficiente para aguentar ao preço que compramos na última vez nos próximos seis meses”, alertou Dai.

O economista falava, ontem, no programa Manhã Informativa da STV.

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