Enquadrado no mês do Ramadão, a Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, promoveu, sexta-feira passada, uma acção de solidariedade com os 189 reclusos do Estabelecimento Penitenciário Preventivo de Maputo. Para os detentos que professam a religião muçulmana, tratou-se de um momento ímpar do período sagrado.
Na ocasião, a Presidente da Assembleia da República, Margarida Talapa, partilhou o Iftar, refeição servida para quebrar o jejum diário, com os reclusos do Estabelecimento Penitenciário Provisória de Maputo, vulgo Cadeia Civil.
A partilha de bens alimentares faz parte da tradição religiosa muçulmana, recomendada aos fiéis, sobretudo no mês sagrado do Ramadão.
Em respeito aos preceitos da religião muçulmana, os reclusos realizaram o Dua (oração) separados, os homens numa sala e as mulheres noutra. Esta oração é realizada ao anoitecer, após o consumo de tâmaras e água, simbolizando a quebra do jejum diária.
A Presidente da Assembleia da República orientou a oração, na sala reservada às mulheres reclusas, a que também se juntaram Deputadas representativas de todas as bancadas parlamentares, que professam a religião muçulmana.
Margarida Talapa comoveu as reclusas ao interceder a Deus para a remissão dos seus pecados e a aceitação do arrependimento.
Por alguns instantes, a emoção tomou conta das reclusas e também das visitantes. O ambiente carregado desanuviou com abraços de irmandade e fraternidade.
A Presidente da Assembleia da República transmitiu, na ocasião, uma mensagem de conforto e de esperança.
“O mais importante, minhas irmãs, é seguirem as orientações da cadeia, cumprirem a vossa pena e quando saírem não cometerem outros crimes. Só assim poderão contribuir na educação da vossa família, da vossa comunidade. Algumas de vocês são mães. O vosso semblante revela que estão bem, estão saudáveis. Aproveitem este mês sagrado e peçam a Alah que facilite o cumprimento das penas e o mais rápido possível regressem ao convívio familiar”, disse.
Na sala reservada aos crentes masculinos, o Dua foi orientado pelo Sheikh Sulemane Abibo Fonseca, Vice-Presidente da Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos e de Legalidade. Participaram igualmente, Deputados que professam a religião muçulmana, o Secretário-Permanente do Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, membros da Direcção do Serviço Nacional Penitenciário (SERNAP) e do Secretariado-Geral da Assembleia da República.
Depois da oração, a Presidente da Assembleia da República ofereceu o jantar, com pratos tradicionalmente servidos no mês do Ramadão. Margarida Talapa presenteou as reclusas com peças de capulanas.
Por razões de segurança e, porque já passava da hora em que os reclusos recolhem, foram autorizadas a permanecerem fora das celas as mulheres que participaram no ritual religioso e alguns homens previamente selecionados. Este grupo jantou com a Presidente da Assembleia da República e com os Deputados que a acompanhavam.
Os demais reclusos receberam a refeição oferecida pela Presidente do Parlamento nos respectivos pavilhões e dormitórios.
E quando o protocolo anunciava a retirada, da sala, da Presidente da Assembleia da República e da comitiva, um jovem recluso não se conteve e pediu a palavra. Zainadine Momed Cassamo queria expressar a sua gratidão pelo gesto de amor demonstrado pela Presidente da Assembleia da República.
“É a primeira vez na minha vida que vejo um chefe a visitar uma penitenciária para quebrar o jejum com os irmãos muçulmanos. Nós podemos ver isso como algo simples, não importante, mas nós sabemos, prezados irmãos, que foi a melhor ocasião que nós já vivemos na prisão como reclusos. Isto tem a ver com o altíssimo. Que Alah a torne a melhor mãe de todos os tempos, que Alah a traga mais vezes para junto de nós”, suplicou Zainadine Cassamo.
O Estabelecimento Penitenciário Preventivo de Maputo, a Cadeia Civil, tem uma população reclusória de 189, entre condenados e detidos preventivamente. Deste número contam-se dez estrangeiros.

