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Governo desafia empresários a capitalizarem isenção de taxas da China 

O Governo desafiou o sector privado moçambicano a capitalizar a decisão da China de eliminar, a partir de Maio, as tarifas de importação para 53 países africanos, incluindo Moçambique.

A medida surge num contexto de reorganização do comércio global e de redefinição das parcerias internacionais no continente africano, abrindo uma nova janela de oportunidades para exportadores nacionais.

O desafio foi lançado pelo porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, no fim da quarta sessão ordinária do Executivo.

“Estou muito satisfeito com esta notícia. Aliás, Moçambique já fazia parte de um grupo de países que tinham boas relações com a China, ou desenvolveram boas relações com a China, pelo que esta medida não é nova para Moçambique”, afirmou Impissa.

Segundo o porta-voz, as relações bilaterais entre Maputo e Pequim têm sido marcadas por cooperação contínua e facilidades mútuas.

“Moçambique tem cooperado com a China há vários anos e mereceu um conjunto de facilidades mútuas, da China para Moçambique e de Moçambique para a China. Esta é apenas uma das grandes oportunidades que Moçambique tem para aproveitar ao máximo”, sublinhou.

A decisão chinesa amplia uma política que anteriormente abrangia 33 nações africanas, passando, agora, a incluir quase todo o continente. Dos 53 países contemplados, apenas o Eswatini ficou excluído, por manter relações diplomáticas com Taiwan, território cuja soberania é reivindicada por Pequim.

O Governo chinês reiterou que o reconhecimento diplomático da política de “Uma Só China” constitui condição essencial para o acesso ao benefício de tarifa zero, evidenciando que a política comercial também acompanha interesses estratégicos.

Com a eliminação das tarifas, produtos agrícolas, minerais e manufacturados africanos passam a entrar no mercado chinês com maior competitividade. Pequim anunciou igualmente a expansão do chamado “canal verde”, mecanismo que simplifica procedimentos aduaneiros e reduz barreiras burocráticas.

 

SECTOR PRIVADO CHAMADO A AGIR

O Executivo entende que a nova medida deve ser rapidamente aproveitada pelo empresariado nacional, sobretudo num momento em que outras potências, como os Estados Unidos da América, procuram igualmente manter e reforçar as suas relações comerciais com África.

“O que podemos recomendar é que as empresas, os empresários e aqueles que comercializam, exportam, entre outros, aproveitem esta abertura para capitalizar os seus negócios e, certamente, com esta isenção, poderão ganhar um pouco mais do que ganhavam com os seus negócios anteriores”, apelou Impissa.

O porta-voz destacou que a eliminação das tarifas representa uma “janela de oportunidade” que deve ser aproveitada, não apenas pelos grandes exportadores, mas também por pequenos e médios produtores nacionais.

“Existe uma janela de oportunidade que todos nós temos de aproveitar, bem como várias outras oportunidades para moçambicanos, e não só”, concluiu.

Dados recentes indicam que o comércio entre a China e África atingiu cerca de 222 mil milhões de dólares no início de 2025, prevendo-se um aumento significativo do volume de trocas com a entrada em vigor da nova política tarifária.

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