Carlitos Cadangue escapou à morte na noite desta quarta-feira, quando se viu no meio de fogo cruzado, com homens armados a atentarem contra a sua vida. Na ocasião, Cadangue encontrava-se na companhia do seu filho na viatura, a caminho da sua residência, quando sofreu o atentado.
Reagindo ao atentado, o jornalista do Grupo SOICO começou por dizer que estava “em pânico”, não conseguindo descrever ao certo o que terá acontecido. “Eu saía da cidade com o meu filho. Eu é que estava a conduzir a viatura e, portanto, quando faltavam 300 metros da minha casa, vi uma viatura à minha frente, uma Ford Ranger preta. Foi quando o meu filho disse: ‘papai, são bandidos’”, conta.
Na altura dos factos, Cadangue conta que teve de fazer manobras perigosas para sair da zona do perigo, sendo que logo a seguir “ouvi rajada de tiros. Foram vários tiros”, um dos quais terá ido na direcção do seu filho que estava na boleia da sua viatura, entretanto sem ser atingido, mas a viatura foi crivada de balas.
O jornalista diz não ter visto o rosto dos homens armados, mas revela que “estavam fardados, com ‘pingo de chuva’, traziam gorros, mas com furos nos olhos, o que eu consegui ver é que eram dois homens com pistola”, disse, dando graças a Deus por continuar vivo, até porque “quando o tiro entrou do lado do passageiro, eles pensaram que eu tinha morrido, acredito eu. Então, o carro saiu em alta velocidade. Eu também corri em alta velocidade para casa”.
Como passos subsequentes, prontamente terá contactado o procurador provincial e a Polícia da República de Moçambique, que se deslocou ainda ontem à sua residência.
Aliás, Carlitos Cadangue revelou que já sofreu ameaças de morte nos últimos dias, devido às suas matérias ligadas à mineração em Manica, com destaque para o que está a acontecer na mina dos “Seis Carros”.
“Eu venho reportando vários assuntos ligados à mineração, inclusive mencionei nomes de pessoas que estavam metidas na mineração, mas que, em algum momento, essas pessoas sentiram-se incomodadas. Por onde eu passava, já recebia alertas de que estavam à minha procura, e veja que, nos últimos dias, depois das 17 horas, eu não saía de casa. Hoje, não sei o que me fez demorar na cidade e cheguei aqui, já eram quase 18h40 e aconteceu isto”, contou.
O jornalista disse ainda que já havia comunicado à redacção central sobre as ameaças que vinha recebendo, clamando a esta altura por protecção para si e sua família.

