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25 mil famílias desafiam ordens e permanecem em zonas de risco em Gaza 

Apesar das experiências traumáticas deixadas nas últimas épocas chuvosas, milhares de famílias continuam a recusar abandonar as zonas de risco de inundações em vários distritos da província de Gaza. As autoridades distritais alertam que poderá recorrer ao uso da força para evitar problemas piores. 

A actual época chuvosa revive memórias duras para as comunidades que, ano após ano, enfrentam o impacto devastador das cheias. No início deste ano, quatro vagas de inundações deixaram casas submersas e destruíram mais de 30 mil hectares de produção agrícola em novos distritos. Mesmo assim, muitas famílias regressaram aos locais intermediários

Na baixa de Chicumbane, distrito de Limpopo, dezenas de famílias permaneceram na zona de risco. Entre elas está Madalena Matusse, de 62 anos, que aceita ter recebido um terreno em uma outra zona. “Não podemos faltar à verdade: o governo distribui-nos terrenos. Mas é por causa do gado. Onde o deixaríamos?”

Segundo o residente Samora Júnior, muitas famílias não abandonaram as zonas de risco por causa do gado bovino e caprino ou simplesmente por resistência à mudança. Ele defende medidas mais firmes das autoridades.

“Há pessoas que se arriscaram por causa do gado. Entendendo que se deve recorrer à força para retirá-las e, posteriormente, obter-lhes terrenos. Em caso de enchentes, algumas famílias ficam sitiadas”. 

Nos distritos de Xai-Xai, Guijá, Chibuto e Chókwe, cerca de 20 mil famílias vivem em áreas de alto risco. Parte delas recebeu terrenos em zonas seguras, mas vendeu-os posteriormente. 

As autoridades distritais afirmam que, nos próximos meses, irão intensificar as ações de sensibilização, mas não descartaram recorrer à força.

São ao todo 25 mil famílias que apesar de sofrer anualmente os impactos das inundações recusam sair das zonas propensas a inundações em Gaza.

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