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O Município de Maputo, em parceria com a Electricidade de Moçambique (EDM), entregam às 9 horas, desta sexta-feira, cerca de 249 livros arrecadados durante a Campanha “Eu Amo Ler” promovida pela Feira do Livro de Maputo. A beneficiada é a Escola Primária Completa 1 de Junho, sita no Distrito Municipal KaMubukwana.

No âmbito da campanha “Eu Amo Ler”, o Município de Maputo e a EDM procedem à oferta de livros à Escola Primária Completa 1 de Junho, acção de democratização do acesso ao universo literário, cujo foco é permitir que cada um dos cerca de quatro mil estudantes das escolas públicas parceiras da edilidade da capital, saiam do local da Feira com pelo menos dois ou três títulos em mãos, com custo médio dos livros entre 500 a 1000 MT.

A iniciativa, realizada pela Feira do Livro de Maputo, decorrerá na sexta-feira, dia 14 de Junho, e facilitará os estudos e as acções de pesquisa a mais de 1200 alunos da escola. A cerimónia de entrega dos livros patrocinados pela empresa pública, contará com a presença do Presidente do Conselho de Administração da EDM, Marcelino Gildo Alberto, o Vereador do Pelouro de Educação, Cultura e Desporto, Osvaldo Faquir, o Director Distrital de Educação e Cultura – KaMubukwana, Armindo Ernesto Huo, membros do Conselho de Administração da EDM, Directores Municipais, a Alcance Editores, os encarregados de educação, alunos e parceiros.

De referir que esta acção cujos objectivos são o desenvolvimento de estratégias para consolidação e formação de leitores e promover a leitura nas camadas estudantis, como forma de garantir o conhecimento e o senso crítico, a EDM, enquanto Padrinho da Escola, adquiriu 249 livros entre os quais, infanto-juvenis, didácticos e literários.

A coordenadora da Feira do Livro de Maputo, Cristina Manguele, ressalta a acção de parcerias do Município com as empresas públicas e privadas, através da Campanha “Eu Amo Ler”, “Esses 249 livros patrocinados pela EDM serão fundamentais para as actividades de estímulo à leitura, contribuindo para a melhoria do padrão de qualidade na escola”, afirmou a coordenadora.

Para a Chefe das Bibliotecas Municipais, Neima Madaugy, essa parceria é fundamental para estimular a leitura a partir da infância. “cumpre-nos agradecer a EDM pela grande colaboração educacional. Para escrever bem, a criança precisa ler bastante. A criança que lê, se comunica de forma mais eficiente e com toda a certeza vai se tornar um adulto leitor”, frisou a responsável pela pasta.

A Feira do Livro de Maputo, com a Campanha “Eu Amo Ler”, espera, dessa forma, estimular a educação no Município de Maputo e contribuir, através de iniciativas como esta, com o desenvolvimento cultural dos alunos, pois reconhece a importância de descobrir o amor pela leitura desde o início da vida académica.

O patrocínio da EDM à Campanha “Eu Amo Ler” é referente a edição 2023 da Feira do Livro de Maputo, que homenageou os escritores moçambicanos Mia Couto e Rui de Noronha (a título póstumo).

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O partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM) perdeu o protagonismo dentro do debate político. A ideia é dos analistas Alberto Cruz e Noa Inácio que pensam igualmente que o segundo maior partido da oposição pode perder os seus eleitores para a Coligação Aliança Democrática (CAD).

O partido MDM fez a apresentação de suas cabeças-de-lista para governadores, e a grande surpresa foi a activista social Fátima Mimbire, visto que, não tinha, até então, nenhuma ligação com o partido.

Noa Inácio diz que a decisão do MDM não é uma surpresa , pois o partido tem um histórico de indicação de activistas sociais como cabeças-de-lista. “O próprio Azagaia, em tempos, já foi convidado para fazer parte do MDM, então este formato não é novo, mas há aqui um diferencial. O MDM perdeu muito protagonismo dentro do debate político entre as diferentes forças que existem”.

Acrescenta ainda que a tentativa de associar o partido ao carisma e ao capital social de algumas figuras pode, neste contexto, não ter o devido “balão de oxigênio”. “Aqui, neste contexto, tentamos ver um MDM que vai se suportar do capital político que a Fátima tem, que pode ser, no fim do processo, um perigo para a própria Fátima, porque pode não ser por si só suficiente para carregar uma máquina partidária”.

Inácio explica ainda que para além dos habituais “colossos” que são o partido Frelimo e a Renamo, o MDM tem pela frente “um intruso”, a CAD, que vem “muito forte, e com o agravante de não se saber quem será o seu candidato para a província de Maputo”.

O analista também alerta que os eleitores estão muito mais exigentes, em função disso, “se o partido, durante cinco anos, não advogou causas sociais, não pode esperar que atrair uma Fátima Mimbire, ela possa, sozinha, com o seu capital, atrair o eleitorado para combater os colossos”.

Compartilhando do mesmo pensamento, Alberto da Cruz diz que o MDM esteve muito fraco durante as eleições e até mesmo dentro do parlamento. E trouxe uma ilustração: “Se vais contratar um jogador na última jornada do campeonato, fica difícil que ele consiga reverter o jogo”.

Todavia, acredita que a escolha da cabeça-de-lista traz um rosto feminino para o partido, particularmente, num momento em que se fala da igualdade de género.
“Eu acho que há uma forte probabilidade da CAD roubar o eleitorado do MDM, não acho que haverá muito taco-taco com a Renamo”.

Moçambique está inserido no Grupo A do torneio regional do Cosafa, juntamente com África do Sul, Botswana e Eswatini, de acordo com o sorteio realizado esta sexta-feira. A prova arranca a 26 de Junho corrente.

12 selecções inscritas para disputarem o torneio regional do Cosafa nesta edição 2024. O sorteio foi realizado na manhã desta sexta-feira e ditou a integração de Moçambique no grupo A da prova.

A anfitriã África do Sul, Botswana e Eswatino são os adversários dos Mambas nesta edição que terá lugar em Durban a partir do dia 26 deste mês de Junho.

Será o reencontro entre Moçambique e África do Sul que se defrontaram na final de 2008, ganho pelos Bafana Bafana, bem como nas meias-finais de 2021, também ganho pela selecção sul-africana.

Com Eswatini, os Mambas tem recordação da derrota sofrida em 2021 no jogo de atribuição do terceiro lugar, por 4-2 na marca das grandes penalidades, depois do empate a um golo no tempo regulamentar.

Já o Botswana é adversário dos Mambas na qualificação ao Mundial 2026, tendo a selecção nacional vencido na primeira jornada por 3-1, em jogo realizado em Joanesburgo.

O grupo B é constituído pelas selecções da Zâmbia, Comores, Zimbabwe e um outra por confirmar, enquanto o grupo C terá Angola, Namíbia, Lesotho e Seychelles.

Na última edição, ano passado, os Mambas terminaram na fase de grupos após somar uma vitória, uma derrota e um empate.

Já são conhecidos alguns nomes que concorrem a deputados da Assembleia da República para a próxima legislatura. O Partido Frelimo alistou figuras como Elísio de Sousa, Elcídio Bachita, Calisto Cossa e Eneas Comiche. O MDM apostou na activista social Fátima Mimbire, que lidera a lista para a Província de Maputo.

Há três dias, terminou o período de submissão de candidaturas à Assembleia da República, e decorre, neste momento, o processo de divulgação das listas. São listas, diga-se, cheias de surpresas. É que há nomes sonantes de políticos, juristas e até de jornalistas, que concorrem a um assento na dita “casa do povo”.

A Frelimo quer formar bancada com figuras como Elísio de Sousa (Jurista), Elcídio Bachita (Economista), bem como pretende devolver ao Parlamento a actual ministra do Negócio Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo.

Mas há outras novidades:

A nível da Zambézia, por exemplo, a Frelimo quer renovar com Hélder Injojo, primeiro vice-presidente da AR e deixou como suplente Caifadine Manasse, ambos envolvidos num escândalo de alegado tráfico de drogas.

Quem também corre o risco de não renovar o mandato é Vitória Diogo, colocada na posição 21, na lista de Tete, e Ana Rita Sithole, que consta na posição 8 da lista de suplentes pelo círculo eleitoral de Inhambane.

Outro destaque vai para nomes sonantes como António Boene e Agostinho Vuma, que não conseguiram sequer fazer parte da lista.

Em Manica, o número um da lista é Esperança Bias, actual presidente da Assembleia da República.

A Província de Maputo tem três novos nomes, dos quais dois membros do Governo. Ana Comoane, ministra da Administração Estatal e Função Pública encabeça a lista, seguida pelo ministro da Agricultura, Celso Correia. No número oito, está o antigo edil da Matola Calisto Cossa. O também antigo edil de Maputo lidera a lista da cidade e tem como suplentes Teodoro Waty e Isálcio Mahanjane.

Já no MDM, o destaque vai para o círculo eleitoral da Cidade de Maputo, cuja cabeça de lista é a activista social Fátima Mimbire. Nomes como Lutero Simango e Elias Impuire não fazem parte da lista dos concorrentes.

Até ao encerramento desta reportagem, ainda não tinham sido afixadas as listas da Renamo e da Coligação para a Aliança Democrática, CAD.

O secretário técnico da Administração Eleitoral diz que o processo continua, até porque ainda está dentro do tempo previsto.

Trata-se de uma importância de 4.400 milhões de meticais, do Fundo de Garantia Mutuária, criado na passada segunda-feira pelo Governo, com vista a beneficiar as Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPME) moçambicanas através de créditos mais facilitados.

O Conselho de Ministros diz através do decreto que cria o fundo, que o objectivo é promover as facilidades de acesso ao financiamento às MPME, através da concessão de garantias e contragarantias ao crédito contraído por este grupo empresarial emergente na banca nacional, para permitir taxas de juros mais leves.

O Ministro da Economia e Finanças, Max Tonela, explicou que o objectivo do fundo é permitir à banca nacional disponibilizar recursos financeiros para fortalecer a capacidade de investimento a taxas de juros mais acessíveis para micro, pequenas e médias empresas que atuam nos sectores da agricultura, piscicultura, comercialização e processamento agrícola, turismo e habitação.

O instrumento define de igual forma a necessidade de criar condições para a constituição, partilhada com as instituições de crédito, as sociedades financeiras ou as demais instituições financeiras, de direitos pignoratícios e hipotecários sobre activos dos agentes beneficiários finais da garantia pública, com vista a assegurar a sustentabilidade do fundo, e o apoio para o alargamento da oferta e disseminação de instrumentos legais que possam contribuir para a melhoria do acesso ao referido crédito.

O diploma prevê que o diploma que o banco de Moçambique será responsável pela supervisão do Fundo de Garantia Mútua.

O Governo garantiu que foi realizado um estudo de viabilidade a partir de casos concretos sobre a criação do Fundo, o qual foi apresentado aos bancos comerciais do país.

O país vai gastar ainda mais com despesas de funcionamento nos próximos três anos. Os gastos vão passar dos 339 mil milhões, em 2024, para 348 mil milhões em 2025, 360 mil milhões em 2026 e, até ao fecho do triénio, 2027, 379 mil milhões de Meticais. Os dados são do Cenário Fiscal de Médio Prazo 2025-2027, publicado esta quinta-feira pelo Ministério da Economia e Finanças.

As despesas de funcionamento do Estado, vão continuar a subir, pelo menos até 2027. O Cenário Fiscal de Médio Prazo (2025-2027) revela que a projecção de crescimento das despesas de funcionamento para os próximos anos resulta da pressão da massa salarial, dívida pública com pagamento do capital e juros, pensões e a necessidade de contratação de novos funcionários para os sectores da saúde, educação, justiça e agricultura.

“As rubricas de salários e remunerações, serviço da dívida (juros e capital) e pensões são as principais fontes de pressão nas despesas de funcionamento. Projecta-se uma proporção de 23,5% do PIB para as despesas de funcionamento em 2025, com uma média anual de 21,6% do PIB entre 2025-2027.”

As projecções vêm à tona pouco tempo depois de o Fundo Monetário Internacional ter vindo a público avançar que o Estado gasta 93% das receitas com despesas de funcionamento e dívidas.

O facto é que o Cenário Fiscal evidencia que, dos cerca de 192 mil milhões de Meticais em 2024, as despesas com salários e remunerações vão subir para 204 mil milhões em 2025, 213 mil milhões em 2026 até 222 mil milhões em 2027.

Contudo, apesar do aumento nominal da despesa de funcionamento, haverá uma desaceleração dos salários e remunerações de 14,8% do Produto Interno Bruto em 2023 para 12,5% em 2024 e 2025.

Esta tendência, segundo o documento, é influenciada pelo efeito das medidas de política orçamental para conter o crescimento da massa salarial em níveis compatíveis com a evolução do aumento de mobilização de recursos, com destaque para a consolidação da reforma da Tabela Salarial Única (TSU), introdução da fiscalização prévia da folha salarial, a limitação das admissões no Aparelho do Estado no período do CFMP, e actualização do cadastro dos funcionários e agentes do Estado e pensionistas com base na Prova de Vida biométrica duas vezes ao ano.

“E no médio prazo espera-se a manutenção desta tendência alcançando 11,2% em 2027”, escreve o Governo.

A questão que não quer calar é: haverá mais disponibilidade orçamental para investimento?

O que o documento perspectiva é que a despesa de investimento deverá situar-se numa média de 7,2% do PIB, o que significa que, para o próximo triénio, se prevê um crescimento da fatia do orçamento dedicada a investimentos. Aliás, o incremento será também impulsionado por investimentos externos impulsionado pela concentração de esforços de investimentos em projetos-chave com os maiores dividendos de crescimento.

“O crescimento do investimento interno previsto para o próximo triénio deverá ser impulsionado pela realização de investimentos, com impacto na esfera socioeconómica, aumento do emprego, redução dos níveis de desequilíbrios regionais, desenvolvimento económico, incremento do rendimento nacional e ainda pela promoção do desenvolvimento a nível local através da promoção de actividades com base no investimento para os distritos.”

Para assegurar o alcance destas metas, o Governo propõe uma política fiscal orientada à sustentabilidade das contas públicas e a redução da dívida pública.

“O objetivo macro-fiscal é alcançar a estabilidade e sustentabilidade fiscal, garantindo a estabilidade macroeconómica e promovendo o crescimento económico inclusivo a médio prazo. Para atingir este objectivo, é necessário equilibrar receitas e despesas públicas, controlar o endividamento do país e criar um ambiente propício ao crescimento económico sustentável”, escreve.

Para tal, o Executivo definiu regras, umas das quais é a “Regra do Debt Brake”, que visa limitar o crescimento das despesas com salários e remunerações com base no stock da dívida pública interna.

Segundo o documento esta abordagem tem dois principais objectivos. Primeiro, controlar a expansão das despesas públicas, assegurando que o crescimento das despesas se mantenha alinhado com a capacidade de financiamento da economia, evitando pressões fiscais insustentáveis e, em segundo plano, restaurar a credibilidade fiscal, com a melhoria do acesso ao financiamento, especialmente num contexto de elevado endividamento e percepção de alto risco fiscal.

Assim, a proporção da despesa com salários e remunerações deverá ser limitada em 12,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025 e tendendo a 10,6% do PIB até 2027. Este limite será ajustado conforme a aplicação gradual da regra fiscal.

“Crescimento anual das despesas com salários e remunerações será restringido a níveis específicos em relação à taxa de crescimento médio do 25 PIB nominal ou do PIB real, dependendo do nível da dívida pública interna”, acrescenta o documento.

A CAF agendou para 5 de Julho o sorteio da fase de qualificação para o Campeonato Africano de Futebol, CAN 2025, prova que será disputada em Marrocos. O evento terá lugar em Joanesburgo, África do Sul.

Quarenta e oito nações vão conhecer o cruzamento da fase de qualificação para o CAN no próximo mês. A Confederação Africana de Futebol, CAF, agendou o sorteio para dia 5, em Johanesburgo, África do Sul.

De acordo com o organismo que gere o futebol africano, o Chade, eSwatini, Libéria e Sudão do Sul vão integrar um dos 12 grupos que vão disputar as 23 vagas que dão acesso à fase final da prova, em virtude de terem disputado a fase preliminar.

Estas quatro selecções vão-se juntar à campeã africana em título, a Costa do Marfim, e a outras, nomeadamente Argélia, África do Sul, Angola, Benim, Botswana, Burundi, Camarões, Cabo Verde, República Centro-Africana, Chade, Comores, República do Congo, República Democrática do Congo, Egipto, Guiné Equatorial, eSwatini e Etiópia.
As restantes selecções que vão ao sorteio do dia 5 de Julho são Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné-Conacri, Guiné-Bissau, Quénia, Lesotho, Libéria, Líbia, Madagáscar, Malawi, Mali, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Namíbia, Níger, Nigéria, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Sudão do Sul, Sudão, Tanzânia, Togo, Tunísia, Uganda, Zâmbia e Zimbabwe.

O arranque das eliminatórias que vão determinar as 24 nações que competirão no maior evento de África, em Marrocos, no próximo ano, está agendado para Setembro, com dois jogos. Outros jogos serão disputados em Outubro, terminando a fase de qualificação, em princípio, em Novembro.

Depois do sucesso do CAN 2023, cuja fase final foi na Costa do Marfim, a Confederação Africana de Futebol projecta uma competição com muitas inovações.

O objectivo deste organismo é elevar a qualidade competitiva da prova, trazendo mais elementos atractivos, como é o caso do incremento das premiações. Moçambique vai, mais uma vez, procurar garantir um lugar na maior montra do futebol africano, depois de em Janeiro ter deixado boas marcas na Costa do Marfim.

Recorde-se que na edição passada, em Janeiro e Fevereiro deste ano, os Mambas estiveram inseridos no grupo B, juntamente com Egipto, Cabo Verde e Gana, tendo terminado na terceira posição, com dois pontos, frutos de dois empates com os Faraós (2-2) e com as Estrelas Negras (2-2) e uma derrota frente aos Tubarões Azuis (3-1).

O chefe de Estado quer mais comprometimento do Tribunal Judicial do Niassa no combate ao tráfico e consumo de drogas para reduzir o nível de envolvimento dos jovens na criminalidade. O apelo foi feito esta quinta-feira, durante a inauguração do Tribunal Judicial do Niassa.

O primeiro trimestre deste ano “foi dominado por crimes contra o património, pessoas, homicídios, crimes contra ordem e segurança pública cometidos por jovens”. Para minimizar o impacto do envolvimento dos jovens no narcotráfico, Nyusi defendeu que é preciso eliminar as vulnerabilidades, sobretudo nas zonas fronteiriças, que são as “portas de entrada” das drogas no país.

“Niassa tem fronteira com Tanzânia e Malawi, espaços que podem ser explorados pelos narcotraficantes. Para chegarem a Maputo, é preciso que passem primeiro por algum lugar, e pode ser aqui. Podem usar Meponda, Mandimba ou outra região e outros locais lacustres ou terrestres desta  província. Então, é preciso fazermos leitura antecipada para combater este crime.”

Reconhecendo as drogas como um problema nacional, Nyusi apelou à colaboração de todos os sectores da justiça não só ao nível da província do Niassa, como também em todo o país. “Boa parte dos que roubam galinhas são jovens que estão sob efeito de álcool e drogas. As pessoas que têm coragem de andar com catana para roubar só podem estar sob efeito de alguma droga”, disse Nyusi.

Apesar de a província do Niassa não ter registado situações “alarmantes de consumo e tráfico de drogas”, o chefe do Estado disse que a escolha do tema “Combate ao narcotráfico” não foi aleatória, foi feita com base nos males que os narcóticos causam à juventude e exemplificou. “Se compararem alguns jovens que consomem drogas a mim, podem perceber que até eu posso parecer mais novo, mas isto por causa do que eles consomem.”

Ademais, o combate às drogas responde à Estratégia Nacional de Combate às Drogas e Substâncias Psicoactivas (2014-2023) e ao programa: “Um distrito um edifício condigno para o tribunal”, que pretende em breve a construção de mais dois tribunais em Maua e Gaua, ainda nesta província.

Nyusi usou da ocasião para elogiar a postura do  Supremo, que avançou “custos reais” sobre o orçamento do recém-inaugurado tribunal.

“Normalmente, as pessoas falam de um custo acima do normal, por exemplo, dizer que o quilograma de feijão em Lichinga custa cinco milhões, enquanto a pessoa poderia vender a quinhentos ou mil Meticais, a pessoa recorre a valores excessivos e inacreditáveis.”

Na mesma perspectiva de custos “reais” na construção de infra-estruturas públicas, Nyusi diz que deseja fazer o mesmo com a Assembleia da República. “Quando falo do Legislativo, das prioridades, recomendo a construção de uma vila parlamentar onde o edifício seja digno”, disse o Presidente.

Para a conclusão das recomendações sobre maior protecção da juventude no acesso às drogas, Nyusi deixou quatro recomendações ao Tribunal Judicial do Niassa: a aplicação da lei e capacitação de todos os intervenientes; a contribuição para o reforço das regras de boa convivência; o fortalecimento da articulação com outras instituições do Estado envolvidas no combate às drogas; e o incentivo às pesquisas sobre problemas criminais e de saúde.

“Roleta Russa”, de Santos Mabunda, é uma peça visualmente complexa e instigante, que exige uma observação cuidadosa, na qual cada elemento parece contar parte de uma história maior. A justaposição de formas geométricas e figuras humanas sugere uma narrativa densa e multifacetada, o contraste em preto e branco adiciona uma qualidade dramática e atemporal à peça, sugerindo profundidade e seriedade no tema abordado.

A composição da obra é um emaranhado de formas e linhas que se entrelaçam de maneira quase caótica, mas que seguem uma harmonia interna. É também composta por dança de formas e figuras, em que o olho do observador é continuamente atraído para diferentes partes da obra. A interacção entre formas geométricas e figuras humanas cria uma sensação de movimento e conflito.

O estilo de Mabunda, com as suas claras influências do cubismo e surrealismo, quebra as convenções tradicionais de representação, permitindo ao espectador uma interpretação mais subjectiva e emocional da obra.

A técnica de desenho utilizada por Mabunda é impressionante. As linhas são finas e detalhadas, e a precisão com que cada elemento é executado demonstra um domínio técnico elevado. O Passe-partout, utilizado de forma criativa, não só emoldura a obra, mas também participa dela, acrescentando uma camada adicional de profundidade e complexidade, permitindo acentuar suas qualidades visuais e a criar um espaço de reflexão em torno da mesma.

A paleta de cores monocromática (preto e branco) amplifica o drama e a tensão da obra. As formas geométricas, predominantemente quadrados e rectângulos, interagem com as figuras humanas de maneira a criar uma sensação de claustrofobia e incerteza. Os olhos dispersos pela composição parecem vigiar e interagir com o espectador, aumentando a sensação de estar sendo observado.

O título “Roleta Russa” sugere uma temática de risco e fatalidade. As figuras humanas na obra parecem estar envolvidas em uma situação de tensão extrema, talvez simbolizando a imprevisibilidade e a fragilidade da vida. As formas geométricas podem ser vistas como tentativas de imposição de ordem e controlo sobre uma situação intrinsecamente caótica e perigosa. O simbolismo dos olhos pode representar vigilância, paranoia ou introspecção, adicionando camadas de significado à interpretação da obra.

Santos Mabunda, conhecido por suas obras que frequentemente abordam temas sociais e psicológicos, traz para esta peça uma profundidade que reflete suas preocupações artísticas. A sua habilidade em criar narrativas visuais, que ressoam emocionalmente com o espectador, é evidente em “Roleta Russa”. A obra reflecte não só o contexto pessoal do artista, mas também questões mais amplas de humanidade, risco e vulnerabilidade.

No cenário contemporâneo da arte, “Roleta Russa” se destaca por sua combinação de técnica refinada e mensagem poderosa. A originalidade de Mabunda é visível na forma como o artista utiliza influências de movimentos artísticos passados para criar algo que é ao mesmo tempo inovador e profundamente reflexivo. A obra tem um apelo universal, abordando temas que são relevantes em qualquer contexto cultural.

A obra provoca uma forte reacção emocional, despertando uma sensação de inquietação e introspecção. A complexidade dos elementos visuais e simbólicos exige uma contemplação prolongada, recompensando o espectador com novas descobertas a cada observação, revelando um novo detalhe ou significado.

“Roleta Russa” é uma obra que demonstra o talento de Santos Mabunda em criar arte que é ao mesmo tempo tecnicamente brilhante e emocionalmente ressonante. A peça é uma exploração profunda de temas de risco, controlo e vulnerabilidade, apresentada através de uma composição visualmente rica e detalhada. Mabunda continua a afirmar-se como um artista cuja obra não só desafia as convenções, mas também enriquece o panorama da arte contemporânea com a sua originalidade e profundidade.

 

Título: Roleta Russa
Artista: Santos Mabunda
Técnica: Desenho com passe-partout
Dimensões: 31,5 x 34,5 cm
Ano: 2024

Nota do editor: A obra “Roleta russa”, de Santos Mabunda, pode ser visitada na galeria da Fundação Fernando Leite Couto, até 29 de Junho.

O presente artigo foi escrito no contexto da Oficina de escrita: crítica de arte, organizada pela Fundação Fernando Leite Couto.

 

Os historiadores Chuhila Maxmillian e James Zotto defendem a integração colectiva em África, sobretudo, na região de Sahara Ocidental. Os dois historiadores apelaram um diálogo eficaz e construtivo entre os marroquinos, baseado em interesses comuns, como forma de pôr fim ao conflito de longa data na região.

O posicionamento dos historiadores foi apresentado durante o lançamento do livro ”Obstáculos e Perspectivas da Integração Africana: a Questão do Sahara Ocidental”, editado e publicado pela APE, ”i.e”: African Proper Education Network, que foi exposto no 11 de junho de 2024, na Universidade de Joanesburgo, na África do Sul.

Durante as suas apresentações, os interlocutores tanzanianos, Chuhila Maxmillian e James Zotto, deram aos participantes uma visão histórica da questão do Sahara, apontando que existia uma ligação histórica entre os sultões marroquinos e as tribos saharianas, de acordo com os arquivos históricos dos quais dependeram durante a sua visita às províncias saharianas de Layoune e Dakhala, situadas na parte sul de Marrocos.

Para além disso, os historiadores dizem que a região do Sahara tem registado um grande desenvolvimento socioeconómico, que é resulta dos esforços envidados pelo governo marroquino para fazer do Sahara um centro de desenvolvimento e investimentos.

Chuhila Maxmillian e James Zotto apoiaram, durante o encontro, uma integração colectiva africana, particularmente, em Marrocos. Foram mais longe na argumentação ao sublinhar que os próprios marroquinos são capazes de encontrar soluções para os seus problemas internos, desde que, defendam os interesses de África como conteúdo unificado em termos de cultura e costumes, apesar da sua diversidade étnica e linguística.

Acrescentam também que a unidade e a integração são armas importantes para enfrentar qualquer ameaça externa.

Por fim, os interlocutores apelaram um diálogo eficaz e construtivo entre os marroquinos, baseado em interesses comuns, para pôr fim ao conflito “estéril” de longa data, tendo em consideração os esforços feitos pelas Nações Unidas e pela União Africana para acabar com esta disputa histórica.

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