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Vítima de baleamento exige assistência na Matola

Uma jovem de 26 anos de idade foi baleada durante uma tentativa de sequestro ao seu patrão, no município da Matola. A cidadã perdeu o movimento dos pés e vive com estilhaços de bala na cabeça. A família queixa-se de abandono por parte do patronato.

Há cerca de oito meses, Clésia Munguambe não pode fazer o que mais gosta, muito menos andar e falar devidamente. 

No mês de Julho de 2025, as memórias da jovem de 26 anos apagaram-se e foram substituídas por estilhaços de bala, que se alojaram na sua cabeça, depois de um baleamento quando se encontrava a caminho do trabalho. Na altura, a jovem estava grávida. 

Os sonhos de Clésia Munguambe estão estagnados numa cadeira de rodas, onde passa quase todo o tempo. 

Ela gostava de fazer culinária com as estrelas, vinha fazer com as estrelas aqui em casa, era uma menina alegre, mas hoje não consegue mover-se”, retalou a mãe, Eta de Mussumbuluco.

Clésia carrega uma dupla dor. Perdeu não só os movimentos dos pés e a capacidade de fala, mas também um filho que sequer teve a oportunidade de conhecê-lo. 

A minha filha tem duas feridas, tem cesareana e outra na cabeça, duas feridas ao mesmo tempo. Estávamos ansiosos para receber esse bebezinho, mas a criança não sobreviveu”, lamentou. 

A dor e a indignação desta família é tanta. Segundo contou a mãe à nossa equipa de reportagem, tudo aconteceu no percurso ao serviço, durante uma tentativa de sequestro ao seu patrão.  

Com os dias cada vez mais difíceis para cuidar da jovem Clésia, a família queixa-se de abandono por parte do patronato, que, segundo explica, assistiu apenas as primeiras despesas médicas. 

A minha filha saiu de casa, ia trabalhar, o patrão lhe encontrou deus de boleia, foi baleada na tentativa de sequestrar o patrão dela.  Será que eles não têm  dever  de ajudar a minha filha, de dar assistência a minha filha? Eles disseram que não tinham como ajudar, porque elas não estão em condições”. 

Por sua vez, o patronato reconhece que Clésia é sua funcionária. Entretanto fala de sufoco financeiro, durante a assistência que prestava.  

Isto fez com que a empresa encurresse num custo de aproximadamente 3 milhões e meio de meticais, porque a empresa estava a sentir-se sufocada com estes custos, com muita relutância, a família acabou concordando e a Clésia foi transferida para a clínica do Hospital Central. Chegando lá, após observação, houve necessidade de se proceder a mais uma intervenção cirúrgica. (3:40) A família se opôs, negou redondamente e a mãe exigiu que ela saísse do hospital”, explicou Milton Comé, advogado da empresa. 

Porém, nega que tenha abandonado a sua funcionária e aponta que há falta de abertura por parte da família. 

Pelo sim ou pelo não, para o jurista Paulino Cossa não restam dúvidas de que se trata de acidente de trabalho.  

Há extensão ainda que se dá, tanto relativamente ao acidente de trabalho, ou seja, à ocorrência do acidente de trabalho. Quando, por exemplo, o trabalhador esteja indo ou voltando para casa e ter acidente no momento em que está utilizando, por exemplo, os meios de transporte do próprio trabalho. Só que há também entendimento de que, ainda que esteja fora das horas normais do expediente  de trabalho, mas que esteja em cumprimento da missão dessa empresa, ainda está dentro do que é acidente de trabalho.O jurista explica que há obrigações que recaem sobre o empregador”, explicou. 

O jurista explica que há obrigações que recaem sobre o empregador. 

Este trabalhador deve ser tratado, tanto ter os medicamentos que precisa, tudo que precisa decorrente do tratamento que ele estiver a fazer e da responsabilidade do empregador,incluindo, efetivamente, o pagamento de salários e tudo da responsabilidade do empregador. Havendo alguma desabilitação de um determinado órgão, ou seja, uma disfunção orgânica do indivíduo, há essa necessidade de se determinar, portanto, a capacidade residual do trabalhador. Não havendo, neste caso, capacidade para que ele volte a ser integrado no trabalho que normalmente fazia, o empregador é obrigado também a criar condições de integrar esse trabalhador para prestar o que ele é capaz de prestar naquela altura. Do contrário, ele é obrigado a indemnizar o trabalhador.

Enquanto nada acontece, Clésia vive dias de incertezas e a sua família clama por justiça. 

 

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