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O País – A verdade como notícia

Traoré completa quatro anos no poder e reivindica legado de Sankara

O capitão Ibrahim Traoré completa quatro anos no poder no Burkina Faso, período equivalente ao tempo em que Thomas Sankara liderou o país, entre 1983 e 1987. Ambos chegaram ao poder como jovens capitães do Exército, usando boinas vermelhas e defendendo a soberania nacional, o pan-africanismo e uma maior independência económica.

Sankara assumiu o poder em 1983 e lançou a chamada “revolução democrática e popular”, com uma agenda centrada na educação, no empoderamento das mulheres, na auto-suficiência e no incentivo à produção local.

Quatro décadas depois do seu assassinato, em 1987, Traoré apresenta-se como continuador do legado de Sankara, embora num contexto político, económico e de segurança significativamente diferente.

Sob a liderança de Traoré, o Governo nacionalizou minas de ouro, promoveu o desenvolvimento de indústrias locais e lançou o programa Faso Mebo, uma iniciativa de infra-estruturas destinada à construção de estradas e ao desenvolvimento urbano com recurso a meios e materiais locais.

A principal diferença entre os dois períodos, contudo, está no contexto de segurança. O Burkina Faso continua a enfrentar a acção de grupos jihadistas, que afectam extensas áreas do território e mantêm algumas cidades sob bloqueio.

No plano interno, Traoré adoptou igualmente uma linha política mais rígida. Jornalistas, magistrados e membros da sociedade civil foram recrutados à força e enviados para a linha da frente, enquanto as actividades da oposição política foram restringidas.

No plano externo, o Governo de Traoré afastou-se da antiga potência colonial, a França, e aprofundou as relações com a Rússia. O Burkina Faso reforçou ainda a cooperação com o Mali e o Níger, países com os quais criou uma nova estrutura de integração regional, a Confederação dos Estados do Sahel.

A trajectória de Ibrahim Traoré é, assim, marcada pela tentativa de recuperar princípios associados ao legado de Thomas Sankara, mas num país confrontado com uma grave crise de segurança e com profundas mudanças nas suas alianças políticas e estratégicas.

 

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