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O País – A verdade como notícia

O Município de Maputo está à procura de um parceiro para o encerramento da Lixeira de Hulene e exploração de gás, no local.  Entretanto, a edilidade, diz que a lixeira só poderá ser encerrada após conclusão do aterro de Katembe, prevista para 2027. 

É mais um capítulo que se abre, no processo para o encerramento da lixeira de Hulene. A intenção é garantir, em simultâneo, o encerramento e a exploração do gás. Mas, também, garantir  aproveitamento de resíduos sólidos. As empresas deverão demonstrar interesse até 17 de Abril, próximo. 

O encerramento da lixeira está estimado entre 9 a 12 milhões de dólares. 

Degradação acentuada e ruas esburacadas é o cenário que melhor descreve o bairro Hulene “B”, na cidade de Maputo, onde os moradores próximo a zona da feira temem o desaparecimento das suas residências.

O cenário não é de hoje, residentes falam de uma degradação de há anos, mas que vem a piorar devido a ocorrência de chuvas fortes, nos últimos dias. As águas que descem pela rua da beira, a principal via que liga os bairros de Hulene a Julius Nyerere, provocam crateras e escavações ao redor das residências.

No local, pode-se ver escavações que chegam até cinco metros de profundidade, uma ameaça à vida e à saúde públicas. Os relatos de quem habita nas proximidades são de muita lamentação.

“Este cenário não é novo, isto já tem anos e a cada ano que passa o nível de gravidade vai subindo. Por exemplo, por aqui onde estamos parados era uma estrada alcatroada que ligava Hulene B e a célula A, mas aos poucos foi sendo degradada pelas águas da chuva que vão descendo e sem direção”, conta Aurélio Sitoe, morador do bairro.

Com as crateras criadas ao longo das pequenas valas, as águas misturam-se com a areia que, por sua vez, força as vedações das residências. Há 100 metros da feira de Hulene, a nossa reportagem conheceu um conjunto de residências, soterradas, afundadas e posteriormente abandonadas.

Uma outra fonte disse ao O PAÍS que “alguns moradores com carros, são obrigados a construir pequenas pontecas,. com o seu próprio material a fim de buscar saídas para o problema que parece não ter soluções, por enquanto”.

Hulene não é o único bairro com o cenário de erosão, Magoanine, Laulane são outros pontos que ostentam crateras criadas pela força da natureza e em algum momento provocados pelo homem.

Um jovem espancou até à morte sua própria esposa e colocou-se em fuga, levando consigo a filha de apenas um ano de idade.

De acordo com relatos de vizinhos, o casal vinha enfrentando conflitos constantes nos últimos dias. O que antes eram promessas de amor e companheirismo nos bons e maus momentos, deu lugar a episódios de violência doméstica.

Na madrugada desta segunda-feira o pior veio a acontecer. A mulher morreu após ser espancada pelo marido.

Testemunhas afirmam que após cometer o homicídio, o suspeito teria dado banho no corpo da esposa, vestiu-a e a colocou na cama, numa tentativa de encobrir o crime. Em seguida, fugiu levando a filha menor, cujo paradeiro ainda é desconhecido.

 

O Presidente da República, Daniel Chapo, recebeu, hoje, em audiência a comunidade Sant´Egídio de Moçambique. Depois do encontro, a organização católica mostrou-se disponível para trabalhar pela pacificação do país e apoio a pessoas carenciadas. 

O Presidente da República recebeu, em audiência, esta segunda-feira, no seu local de trabalho, a Comunidade Sant´Egídio. No encontrou, a  organização católica saudou o novo Chefe do Estado e falou das acções de caridade que tem desenvolvido em Moçambique. 

“Nós, a comunidade Sant´Egidio, fomos, esta tarde, cumprimentar o novo Presidente para, também, apresentar o trabalho que a comunidade está a fazer desde há muitos que leva à frente aqui em Moçambique. A comunidade de Sant´Egidio sempre trabalhou pela paz em prol da população. Então, nós queremos continuar”, disse  Maria Turrini, em representação da  Comunidade Sant´Egidio em Moçambique

E é este tipo de trabalho que a Comunidade Sant´Egidio garantiu ao Presidente da 

“Apesar de, às vezes, os tempos ficaram melhores e difíceis, mas a comunidade vai continuar a trabalhar em prol da população e, sobretudo, das pessoas mais vulneráveis. Então, fomos apresentar o trabalho que a comunidade faz um pouco por todo o país”

Um grupo de enfermeiros do Hospital Central de Maputo (HCM) paralisou as suas actividades em reivindicação do pagamento do décimo terceiro salário. Os grevistas dizem que só vão retomar as actividades quando receberem o que lhes é devido.

“Devíamos estar a trabalhar, mas não podemos ficar de fora do que está a acontecer com os funcionários públicos. Nós também fazemos parte da função pública. Então, é o nosso dever e direito acompanhá-los”, disse Calminosa, uma das enfermeiras, acrescentando que apenas os chefes dos sectores e alguns médicos é que estão a trabalhar.

A fonte diz ainda que estão a decorrer negociações com o director do hospital e se aguarda resposta para decidir sobre os próximos passos.

“Neste momento, em todas as unidades sanitárias, não estão a trabalhar, mas o hospital central está, pelo menos, ainda a receber os doentes. Não trancámos as portas. Os primeiros cuidados, nós vamos ter, só não vamos ter os cuidados integrais para todos”, acrescentou a enfermeira.

Rui Muniz, também grevista, explicou que a sua reivindicação se deve ao facto de o décimo terceiro ser um direito e não ter sido dado um aviso prévio sobre o não pagamento.

“Nós fizemos dívidas à espera do dinheiro do décimo terceiro”, acrescentou.

Um grupo de homens munidos de catana está a bloquear a Estrada Nacional Número Um (EN1), no troço Ligonha a Alto-Molocué, na província de Zambézia. Os automobilistas são obrigados a pagar para poderem passar pelo local.

Até quinta-feira, em 50 km de estrada, havia três barricadas. Automobilistas partilharam com “O País”, os momentos de terror que viveram.   Vídeos publicados nas redes sociais ilustram um dos pontos da EN1, com barricadas, especificamente, no troço Ligonha a Alto-Molocué. Nas mesmas imagens são visíveis homens com catanas nas mãos, enquanto exigiam valores monetários, para permitir que a viagem continue. 

“Quando a gente sai de Alto-Molocué, logo antes da subida da cerimónia, encontramos barricadas. Então, descemos todos, porque era uma bicha de camiões, descemos e removemos as barricadas. O segundo sítio, foi em Alto Ligonha, em Alto Ligonha, estavam jovens que arremessaram pedras contra o camião. Os polícias estavam a nossa trás, então eu buzinei e os polícias chegaram alí e dispararam”, contou um condutor. 

E só com os disparos da polícia é que se conseguiu conter os jovens que arremessavam pedras. O condutor conta ainda que depois do episódio, a polícia propôs que o camião seguisse a viatura da PRM, por questões de segurança. 

“Encontramos mais barricadas, mas no primeiro sítio em que encontramos barricadas, tinha um camião queimado (…) é assustador, eu agora carreguei, mas não posso sair porque o caminho está mal”. 

A polícia na Zambézia confirma a ocorrência de casos e assegura que está a trabalhar no terreno, para repor a transitabilidade. “Após a tomada de conhecimento, por parte da Polícia da República de Moçambique, tomamos medidas profiláticas, no sentido de repelir aqueles comportamentos. Agora que me refiro, há em toda a Estrada Nacional Número Um e outras subjacentes à livre circulação de pessoas e bens (…) a polícia está a intensificar medidas para a ressarcir todo o comportamento que tende a perturbar a ordem pública”, avançou Miguel Caetano do Comando Provincial da Zambézia.

Já em Nampula, a Associação dos Transportadores manifesta preocupação à volta do assunto. Além de cobrar valores monetários, os manifestantes exigem bens, aterrorizando deste modo os que usam aquela a única via por terra que liga o país. 

Cerca de 172 famílias vítimas das inundações urbanas queixam-se de falta de assistência alimentar nos centros de acolhimento. O INDG local reconhece o problema e garante que ainda este mês poderão ser alocados alguns produtos alimentares.

Um bairro inteiro inundado. Magoanine “A”, Cidade de Maputo. O primeiro personagem desta reportagem é uma senhora de 52 anos de idade, em cujo rosto se lê dupla tristeza.

Foi desalojada da sua casa pelas inundações em Abril do ano passado e, já no centro de acolhimento, perdeu o seu marido para a morte. 

“Nós saímos das águas de mãos a abanar. Tínhamos apenas esteira e manta. Todos os meus bens ficaram na água, até agora que estou a falar, e vim para o centro. O meu marido tinha ficado lá. No centro, pedi socorro ao INGD e foi resgatá-lo, estando doente. Acabou por falecer no centro”, contou a vítima das inundações urbanas, no bairro de Magoanine “A”, na Cidade de Maputo. 

O seu marido faleceu, deixando-a no centro de acolhimento aberto na Escola Graça Machel, onde, por estes dias, falta um pouco de tudo.

“Não nos alimentamos. Não há comida, não há lenha, não há nada. Estamos a sofrer. Na nossa casa, apanhávamos garrafas pet, juntamente com o meu marido, e vendíamos. Assim, conseguíamos comprar arroz. É assim como vivíamos, porque ele também não trabalhava. Agora, já não sei onde podemos apanhar, porque está tudo cheio de água”, explicou. 

A alimentação neste centro de acolhimento passou a ser da inteira responsabilidade das vítimas das inundações. Claro, as que puderam ir atrás e conseguir alguma coisa. 

“Estamos a pedir ajuda com alimentação. A comida é necessária. Veja, estamos sentados e não trabalhamos. Eu procuro garrafas para poder vender e também cultivar. Quando cultivo na “machamba” de alguém, recebo alguma coisa e, juntando com o dinheiro das garrafas, dá para comprar alguma coisa”, lançou o pedido de ajuda, Felismina Nuvunga, também vítima das inundações. 

No centro de acolhimento “Graça Machel”, estão cerca de 100 famílias vítimas das inundações. 

Todas elas dormem num pavilhão, com algumas chapas de cobertura furadas. A divisão dos compartimentos é em idade e género.

Isto é desconfortável para estas famílias que, neste momento, só querem voltar às suas casas localizadas defronte do centro de acolhimento.

“Estamos cansados de estar aqui, na escola. Pedimos as nossas casas. Queremos as nossas casas. Pedimos as nossas casas, que estão a desaparecer com a água”, disse Mariana Cossa, num tom de resignação.

E Victória Nuvunga acrescenta: “Pedimos que nos façam uma bacia (de retenção de água) para podermos voltar. Eu não consigo construir de novo. Portanto, pedimos que sintam compaixão de nós”.

Ainda no bairro de Magoanine “A”, há cerca de 71 famílias no centro juvenil de Kamubukwana. 

No centro juvenil, a alimentação é, também, um problema para as vítimas das inundações. 

“No início, a assistência foi boa e, de Outubro para cá, não temos recebido comida. Só recebemos arroz no dia 26, em número de quatro sacos e óleo. Até hoje, ainda não recebemos nada. Cada um é por si e Deus por todos. Carril é pior. Não temos açúcar nem óleo”, detalhou Iveth de Jesus.  

Mesmo no meio destas dificuldades, elas sorriem ao apresentar possíveis saídas. “Às vezes, aparece uma família a querer ajudar-nos. Porque alguns de nós não trabalham”, referiu Ana Flora, vítima das inundações, no centro juvenil. 

Mas antes de estarem no centro de acolhimento, como é que parte dessas famílias sobreviviam?

Florêncio Chiluvane, de 71 anos de idade, contava com a ajuda dos filhos. 

“Antes de vir ao centro, eu tinha os meus filhos. Eles ajudavam. Um está na África do Sul e o outro está no centro de acolhimento. Fiquei sozinho. Ninguém está a ajudar-me”, referiu Florêncio Chiluvane, vítima das inundações.

É um Polícia reformado, mas não recebe o dinheiro da reforma por, segundo ele, ter falsificado um documento. “Não recebo reforma porque falsifiquei a guia de marcha. Fui preso, mas depois saí”, justificou.  

De acordo com as próprias vítimas das inundações urbanas, nunca houve uma orientação para que ficassem de braços cruzados e mão estendida à espera só do apoio do INDG.

“Disseram que aquele que trabalha, que continue a trabalhar, fazendo aquilo que estava a fazer. Não era para parar, mas o INGD disse que, ao conseguir alguma coisa nos daria”, revelou Helena Daniel.

Neste centro, além de todos dormirem separados, as casas de banho são praticamente inexistentes.

O comité do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastre em Magoanine “A” reconhece haver falta de alguns alimentos e explica porquê.

“Nós sabemos que a época das chuvas é de Outubro a Março. Então, nesse tempo, o centro é abastecido com carril e as demais coisas. A partir de Março, os centros são desactivados, mas uma vez que Magoanine tem água há mais de três anos, as pessoas ainda não foram tiradas daqui. É por isso que existe dificuldade de carril”, justificou Sérgio Telé, membro do Comitê local do INGD. 

Por isso, o INGD deve continuar a garantir a assistência a estas pessoas, mas, segundo Sérgio Teló, não devia ser assim.

“Dentro do centro, as pessoas trabalham, só que, muitas vezes, se torna aquela coisa de, já que o Governo está a dar, vamos esperar tudo, o que não é bom. Quem trabalha devia, pelo menos, saber comprar a sua comida. O INGD na Cidade de Maputo não nega. Dá-nos sempre arroz, sal e óleo”, afirmou Sérgio Teló. 

Entretanto, o INDG na Cidade de Maputo prometeu retomar a assistência alimentar, nos moldes que vinha fazendo.

“Ficou acordado que, a partir de agora, nós devemos ter alimentação como vínhamos tendo. Carril, óleo, feijão e demais coisas. Isso devia ser a partir de 1 de  Janeiro, mas, já que houve aquele problema de destruição do armazém, ficámos desfalcados. Tivemos, também, o problema do ciclone Chido, que forçou o desvio de uma parte da comida para lá. Mas, por estes dias, recebi garantias de que teremos um camião de comida”, assegurou Sérgio Teló.   

No bairro de Magoanine, há mais de três mil famílias afectadas por inundações urbanas.

O distrito de Katembe, na Cidade de Maputo, tem uma nova forma de transporte: o mototáxi. Vários jovens fogem do desemprego e tentam colmatar a falta de transporte que há quando chega a noite.

É o momento de desembaralhar a vida dos passageiros. De dia, os autocarros e os semi-colectivos são a solução de mobilidade. Mas termina aí, de dia. Não vai para além disso.

“O negócio está a crescer sim. Há clientes, não a toda hora, mas há, principalmente de noite”, disse Boaventura Alberto, Mototaxista.  

É um daqueles negócios que cresce mais, respondendo a uma cada vez maior oferta do que necessariamente procura. É um refúgio ao desemprego. Boaventura Alberto, por exemplo, juntou-se, há um ano, a esta praça. Na altura, havia dez motorizadas, agora ultrapassam trinta, só neste ponto. 

“Perdi o emprego. Tinha um amigo chamado Takeaway que sempre fazia esse trabalho de Moto-Táxi, então, eu negociei com ele e ele meteu-me nesta vida de moto-táxi”, conta Boaventura. 

E desde então, tem sido essa a fonte de renda para si e sua família, que está em Namacurra, na Zambézia, de onde é natural. A única de que sente falta é a regulação. 

“Há muitos casos de acidente, porque muitos ainda não aprenderam, mas querem fazer moto-táxi”.  

Ainda em Chamissava, há mais uma praça. Também esta é o reflexo de dois problemas: desemprego e falta de transporte à noite. 

“Não tenho como (…) aquele pouco que apanho consigo sustentar a minha família”, contou Miro Armindo, também mototaxista. 

Mas também reclama de dias maus, em que apenas consegue cem meticais para abastecer a sua Moto. “Já tenho que lutar com aquele cem meticais, e tenho que pagar receita de motorizada, que são 300 meticais”

E pior, há uns que saem sempre e há outros cujas motos não se deslocam.

“O que complica aqui é que os clientes querem ser conduzidos pelos motoristas que conhecessem”, reclamou Miro Armindo. 

Outra complicação são as vias de acesso, que devido às chuvas está cheia de água. 

Hélio também Mototaxista levou-nos a uma viagem na história do mototaxismo na Katembe. Conta que é uma iniciativa que surgiu como forma de ajudar a população local a deslocar-se, durante a noite. 

“É uma iniciativa de alguns jovens locais, de levar as suas próprias motorizadas para trabalhar e ajudar essa população a nível local. Surgiu no âmbito de ajudar a população na calada da noite, que não conseguia chegar até o seu destino”.  

E muitos aderiram à iniciativa. Ah! A praça da rotunda é mãe de todas as outras.

Terminaram os trabalhos de busca das pessoas vítimas do desabamento de uma mina em Gondola, província de Manica. Ao todo, foram encontrados no local quatro pessoas mortas e algum material usado para as escavações.

Os trabalhos de busca de pessoas soterradas na mina de ouro, em Gondola, província de Manica, iniciaram na passada quarta-feira e terminaram na sexta-feira.

O desabamento ocorreu em duas minas, onde foram encontrados três corpos, tendo a quarta pessoa perdido a vida quando estava a caminho do hospital.

“Nós terminamos o processo (de buscas). Decidimos encerrar porque fizemos o trabalho de retirada de pessoas naquelas covas onde houve desabamento e, como sabe, na primeira cova conseguimos resgatar três corpos e na segunda cova só encontramos o material que os mineradores estavam a usar e este material eram grupos geradores e material que usam para fazer a perfuração das rochas”, disse Silva Manuel, Representante do Governo em Manica

Para já, as minas estão encerradas. Mesmo assim, não se descarta a possibilidade de alguns garimpeiros ilegais continuarem a operar, segundo as autoridades locais.

“Em princípio, nós pensamos que temos que estancar aquela actividade, mas para o efeito, temos que trabalhar com a polícia de protecção de recursos naturais para vermos o que podemos fazer para não darem continuidade. Naquelas condições podemos ter novamente acidentes graves”, acrescentou a fonte.

Refira-se que os trabalhos de buscas das pessoas soterradas foram realizados por uma empresa privada.

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