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O País – A verdade como notícia

SERNIC admite haver infiltrados na corporação ao serviço do crime organizado

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) admite haver agentes a serviço de crime organizado dentro da corporação, facto que tem inviabilizado o trabalho da instituição. Ainda assim, o SERNIC assinala que o registo de um ano sem raptos no País resulta do facto  deste órgão estar sob tutela da Procuradoria-geral da República. 

O SERNIC está num processo de reestruturação e já está a produzir resultados. Segundo o Director-Geral do SERNIC, que falava nesta terça-feira numa conferência de imprensa, é preciso não apontar as falhas do passado, ou “algo que tenha falhado”, mas sim destacar as mudanças em curso, que permitiu o resultado de 12 meses sem os crimes de rapto.

A passagem da instituição para tutela do Procurador-geral da República é apontado como um dos factores determinantes para a reestruturação do SERNIC.

  “Hoje sentimos-nos com maior autonomia e, paralelamente, com recursos materiais e humanos suficientes para responder aos desafios que enfrentamos. Como sabeis, enfrentar o crime organizado exige recursos à altura, desde meios humanos, meios materiais, mas, sobretudo, à componente humana”, disse. 

O SERNIC alerta que não é o momento para relaxar, até porque há fragilidades internas.

“Reconhecemos que há desafios, mesmo no nosso seio, por isso continuamos com o processo de purificação das fileiras, mas isso não é um fenómeno que se circunscreve apenas na Polícia e ao SERNIC. O crime organizado tende a cooptar, a infiltrar-se nas instituições críticas para a lograr os seus resultados e cabe a nós impermeabilizarmos-nos como instituições, impedir que, efetivamente, o crime organizado penetre o nosso seio. Temos colegas que deixaram de fazer parte das nossas fileiras, exatamente por esse comportamento, é um facto que não podemos recusar.”

Calcula-se que o primeiro caso de rapto em Moçambique foi registado em 2011. A partir de 2022, o crime foi apontado como parte das indústrias que financiam o terrorismo, desafiando adopção de vasta legislação especfíca contra os dois tipos de crime.

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