O País – A verdade como notícia

Retidos há 14 dias, vários cidadãos viajaram para Magude de Comboio

Pelo menos 500 pessoas seguiram viagem da cidade de Maputo para o distrito de Magude, num comboio especial, em resposta à intransitabilidade da estrada nacional número um. Muitos passageiros aguardavam pela viagem há duas semanas.

Estes passageiros ficaram retidos na cidade de Maputo devido à Estrada Nacional Número Um que está, em vários pontos, cortada pelas chuvas. 

O comboio partiu às 9h, da estação central dos CFM, em Maputo, mas desde as 5h da manhã que dezenas de passageiros já aguardavam, nos bancos, no chão ou em pé, com trouxas, pela hora da partida.  

Crianças, adultos, homens e mulheres não viam a hora de voltar para casa. 

Ouvimos Alzira Domingos, uma idosa que esteve retida na casa de familiares em Maputo, em rezas diárias para que a transitabilidade voltasse ao normal

E não é para menos. Muitos vieram à cidade para uma estadia rápida, mas a chuva estragou os seus planos, como conta Virginia da Silva. “É a minha tia que faleceu cá. Vim para participar do seu funeral, mas depois choveu muito e não consegui voltar”.

Embora bem acolhida, a sua mente estava na família que deixou em Magude. Durante o tempo de espera, houve quem teve que passar as noites em centros, junto das vítimas das cheias. Tal é o caso de Alexina Benzane.

“ Eu vinha de Inhambane, em missão de serviço, e vinha visitar a família aqui na cidade.

Foi quando começaram aquelas chuvas torrenciais, que depois fecharam a passagem na 3 de Fevereiro, e fiquei por aqui em casa de um familiar. Depois passei para a escola da ADPP, em Mapulene, no bairro Costa de Sol, para ficar alojada lá”, contou a passageira, enquanto olhava atentamente para os fiscais do CFM, à espera do sinal de embarque.

Com a EN1 cortada, há também trabalhadores que aguardam rendição há 14 dias em Magude. Este comboio especial é a sua esperança, apesar das incertezas envolvidas.

“Os colegas estão lá há 14 dias. Não sabemos o que está a passar lá. Logicamente, estão a passar dificuldades. E, portanto, hoje nós vamos lá rendê-los. E é provável que as mesmas dificuldades que eles estão a passar, também passemos.  Então, vamos para lá e não sabemos quando iremos voltar”.

As crianças também foram vítimas. O passeio para a cidade de Maputo acabou sendo mais longo do que o pretendido. Rosa Chume teve suas sobrinhas, que vivem em xai-xai, a passar férias escolares em sua casa. O regresso estava previsto para há duas semanas. No entanto, só agora é que conseguiu viajar, no comboio especial.

Nove horas, 27 de Janeiro de 2026. O comboio partiu rumo ao distrito de Magude, na província de Maputo, ponto final para muitos, mas um passo dado para outros que vão mais longe.

“Vivo em Inhambane. Fiquei impedido de regressar a casa, assim busco alternativas”, revelou Albano Chirindza que ficou retido na cidade, vindo da vizinha África do Sul, desde o passado sábado, 17. Por esses dias, estive hospedado em casa de um amigo, mas “Já estava cansado de trazer despesas para ele e sua família, daí que busquei formas de ir para casa”.

Partilhe

RELACIONADAS

+ LIDAS

Siga nos