A Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, anunciou um plano de acção urgente para reforçar a oncologia pediátrica em Moçambique, focando-se na descentralização dos serviços especializados para as regiões Centro e Norte e na criação de centros de acolhimento para famílias em Maputo.
Durante uma visita ao Hospital Central de Maputo (HCM), a maior unidade sanitária do país, Gueta Chapo comprometeu-se a mobilizar parceiros nacionais e internacionais para reduzir o fluxo migratório de pacientes para a capital e garantir que nenhuma criança abandone o tratamento por falta de condições logísticas e financeiras.
A visita oficial à unidade de Oncologia Pediátrica do HCM surge como resposta directa ao crescente volume de solicitações que o Gabinete da Primeira-Dama tem recebido. Gueta Chapo explicou que a iniciativa visa compreender as lacunas no atendimento de menores que sofrem de patologias oncológicas, sublinhando que muitos casos exigem intervenções dispendiosas.
Um dos principais diagnósticos feitos durante a visita prende-se com a actual saturação da maior unidade sanitária do país. A Primeira-Dama defendeu a necessidade estratégica de regionalizar os serviços para que o HCM deixe de ser a única esperança para as famílias das províncias distantes.
“E tendo em conta que o tratamento fora do país custa muito caro, vínhamos ver de perto como é que podemos ajudar o nosso Ministério de Saúde, particularmente nesta área. E estivemos aqui, vimos logo as nossas crianças provenientes de quase todas as províncias do nosso país, porque só o Hospital Central é que tem esse tipo de tratamento”, afirmou.
Para além da infraestrutura hospitalar, a questão social e o abandono do tratamento foram identificados como obstáculos críticos. Muitas crianças perdem a continuidade da assistência médica devido à falta de alojamento na capital durante os anos que o processo clínico exige.
“Precisamos de trabalhar mais com os nossos parceiros para conseguirmos alastrar esse tipo de atendimento, esse tipo de serviços nas outras províncias, pelo menos termos de forma regional, região centro, norte e sul. Assim iremos descongestionar o Hospital Central de Maputo”, destacou a esposa do Chefe do Estado.
A Primeira-Dama revelou estar a coordenar com a direção do hospital a criação de um “espaço seguro” para as progenitoras. O objetivo é evitar o regresso prematuro às províncias, que muitas vezes resulta na interrupção definitiva da terapia. “Estamos a trabalhar também com o Hospital Central para ver se conseguimos ajudar neste sentido, para as mães não poderem voltar às suas províncias, porque […] algumas não regressam para poderem trazer os seus filhos para continuar com o tratamento”, explicou.
Gueta Chapo partilhou o impacto emocional de ver pacientes tão jovens, incluindo bebés, a lutar contra o cancro, uma realidade que desafia as estatísticas de outrora.
“[…] Como mãe, não é fácil ter um filho doente, um filho ou uma filha padecendo de cancro. Vimos aqui bebés, vimos crianças de um ano, de dois anos, de três, aí em diante, que têm doenças que outrora não era possível termos nessas idades que eu acabei de mencionar”, lamentou.
A dor das famílias moçambicanas foi reconhecida pela Primeira-Dama como uma prioridade do seu Gabinete e de foro pessoal, prometendo uma advocacia agressiva junto do sector privado e doadores.
“É um sofrimento muito grande, não só para as crianças, também para as mães e para as famílias. E eu sendo mulher, sendo mãe, isso aperta o coração, dói bastante. E vamos apoiar naquilo que for possível, iremos também bater às portas dos nossos parceiros para conseguirmos ter um apoio célebre, um apoio urgente”, garantiu.
No encerramento da visita, foram anunciadas medidas de apoio imediato, incluindo o financiamento de passagens de regresso para famílias que já concluíram o tratamento e o suprimento de bens de primeira necessidade.
“Também iremos sentar junto com o Ministério da Saúde, os nossos parceiros, para ver como é que podemos ajudar. E também ouvimos testemunho de algumas mães que já terminaram o seu tratamento, mas precisam de passagem para poder regressar. E também vamos ajudar nesse sentido”, reiterou Gueta Chapo.
Por fim, a Primeira-Dama assumiu um compromisso mensal de doação de fraldas para a Sala de Cuidados Intensivos, utilizando excedentes de doações humanitárias, e lançou um apelo à solidariedade nacional.
“Deixamos aqui o nosso compromisso, iremos abastecer mensalmente, iremos doar fraldas, porque recebemos muitas fraldas no âmbito das cheias, distribuímos e os parceiros ainda estão a doar. E convido a todos que puderem apoiar, vamos juntos nos abraçar, para apoiarmos esta causa”, concluiu.

