O Presidente da República, Daniel Chapo, encerrou a sua visita de trabalho à Etiópia com um balanço positivo da participação de Moçambique na 39.ª Sessão Ordinária da Cimeira da União Africana (UA). O Chefe do Estado destacou o papel activo do país na definição de prioridades continentais e na consolidação de alianças estratégicas, sublinhando que a política externa moçambicana continuará focada na paz e no desenvolvimento sustentável.
Durante o evento, que decorreu sob o lema “Garantir a Disponibilidade Sustentável de Água e Sistemas de Saneamento Seguros para Atingir os Objectivos da Agenda 2063”, o estadista enfatizou a importância destes recursos. Segundo disse, o tema reflete a “prioridade estratégica atribuída à água e ao saneamento como pilares estruturantes do desenvolvimento sustentável, da saúde pública, da dignidade humana e da transformação socioeconómica do nosso continente”.
A agenda de trabalhos incluiu temas sensíveis para a estabilidade regional. O Presidente Chapo referiu que, durante as sessões, foram apreciadas matérias de elevada relevância estratégica para África, com destaque para a situação da paz e segurança no continente, o processo de reforma institucional da União Africana, a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, além de processos eleitorais internos da organização.
No plano nacional, reafirmou o empenho do país com as metas continentais de longo prazo. “Moçambique reafirmou o seu firme compromisso com a Agenda 2063 e com todas as iniciativas que visam consolidar uma África próspera, integrada e pacífica”, declarou, notando que o foco incidiu nas acções internas para assegurar a estabilidade e o contributo do país para os esforços coletivos africanos.
À margem da Cimeira da UA, o Presidente da República participou na 35.ª Cimeira do Mecanismo Africano de Revisão de Pares (MARP), onde apresentou o Segundo Relatório de Progresso (2020–2024). A presença moçambicana serviu para reiterar o “compromisso firme e contínuo de Moçambique com os princípios da boa governação, transparência, responsabilização e avaliação pelos pares, pilares essenciais para o fortalecimento da democracia”.
Ao abordar os desafios internos, o Chefe do Estado destacou a resiliência do povo perante a adversidade. “Destacámos que, não obstante os múltiplos desafios enfrentados, incluindo a violência armada localizada protagonizada por grupos terroristas, a recorrência de eventos climáticos extremos e uma conjuntura económica internacional adversa, o povo moçambicano tem demonstrado resiliência, coesão e determinação”, afirmou, defendendo o diálogo inclusivo como solução estrutural.
A cooperação bilateral também esteve em evidência na II Cimeira Itália–África, onde se discutiu o Plano Mattei. Moçambique, como
beneficiário, advogou pela aceleração de projectos como o Centro Agroalimentar de Manica. O estadista sublinhou que a ocasião serviu para “reafirmar o compromisso de Moçambique com parcerias estratégicas, baseadas no respeito mútuo, na confiança recíproca e na promoção de benefícios partilhados”.
A crise climática foi outro ponto central, com a participação de Moçambique na reunião do Comité de Alto Nível da União Africana para o Sudão (CAHOSCC), liderada pelo homólogo queniano William Ruto. O encontro permitiu “socializar as acções que Moçambique tem vindo a implementar no domínio das alterações climáticas, tendo em conta a nossa elevada vulnerabilidade”, visando reforçar a articulação para o financiamento climático e adaptação.
Chapo reiterou as directrizes que guiarão o país no xadrez internacional. “A política externa moçambicana continuará orientada para a consolidação da paz, a promoção do desenvolvimento sustentável, a diversificação de parcerias estratégicas e a criação de oportunidades concretas para a juventude e para todos os moçambicanos”.

