O Presidente da República, Daniel Chapo, defende uma transformação estrutural urgente da economia nacional, baseada no processamento local de recursos e na agregação de valor, como pilares para alcançar a plena independência económica do país.
O Chefe de Estado falava durante o lançamento do livro Economia do Caju em Moçambique: O Contexto das Políticas das Instituições de Bretton Woods e os Pressupostos da Engenharia de Reindustrialização, da autoria do Professor Doutor António Niquice, obra que conta com o prefácio do próprio estadista moçambicano. Na ocasião, considerou a publicação um marco oportuno para reflectir sobre o percurso histórico e o futuro produtivo da nação.
Daniel Chapo manifestou entusiasmo com a chegada do novo título ao mercado editorial e académico, sublinhando que se trata de “uma obra actual e que todos nós, sobretudo a juventude, devíamos ler”.
Para o estadista, o livro transcende o debate estritamente académico, funcionando como uma ferramenta de autoanálise sobre as grandes decisões que moldaram o Produto Interno Bruto (PIB) e as estruturas sociais do país ao longo das últimas décadas.
“As nações transformam-se não apenas pelas decisões políticas que tomam, mas também pela capacidade que possuem de estudar criticamente, como fez o Professor António Niquice, a sua própria história”, observou, acrescentou ainda que é necessário compreender os desafios estruturais do país, promover reformas e projetar soluções sustentáveis para as gerações vindouras.
Chapo justificou o seu envolvimento directo na obra através do prefácio, sublinhando que a pertinência do texto vai muito além da agricultura. Segundo explicou, a aceitação do convite baseou-se no reconhecimento de que “a sua abordagem ultrapassa o universo do subsector do caju, remetendo-nos para questões centrais sobre industrialização, soberania económica, capacidade produtiva nacional e os caminhos que Moçambique deve trilhar rumo à sua Independência Económica”.
Por conseguinte, recordou ainda que o caju colocou Moçambique entre os maiores produtores mundiais na década de 1970, com mais de 200 mil toneladas anuais. Destacou igualmente que o sector gerava emprego intensivo, sobretudo para as mulheres, contribuindo para a dignidade e rendimento de milhares de famílias.
Ao analisar o impacto das políticas económicas internacionais implementadas no passado, o Chefe orientou uma acção reformadora. Reconheceu que certas medidas herdadas fragilizaram o tecido fabril do país e enfraqueceram as cadeias produtivas nacionais.
“A redução da capacidade industrial instalada, o enfraquecimento de cadeias produtivas nacionais e a excessiva dependência da exportação de matéria-prima, o que acontece connosco neste momento, constituem desafios cuja superação continua a interpelar
nos até aos dias de hoje”, afirmou o governante. Sinalizou, assim, a urgência de romper com o modelo de mera exportação de produtos em bruto.
O governante moçambicano apresentou também a sua visão sobre o modelo de desenvolvimento para Moçambique, defendendo que o crescimento económico real deve traduzir-se em bem-estar e criação de postos de trabalho internos. “Nenhum país alcança soberania plena quando produz muito, exporta muito e, ainda assim, retém pouco valor daquilo que produz”, alertou.
Ademais, reforçou que “a nossa visão de Independência Económica assenta principalmente na necessidade de transformar estruturalmente a nossa economia nacional”. E acrescentou que “não basta produzir, é necessário transformar. Não basta exportar recursos, é necessário agregar valor”.
Alinhando-se com as formulações teóricas apresentadas pelo autor da obra, o Presidente Daniel Chapo validou o conceito de que o papel do Executivo deve centrar-se na facilitação e no desenho de ecossistemas favoráveis, e não na gestão directa das indústrias. “Consideramos particularmente relevante uma das formulações presentes nesta obra: a ideia do ‘Estado como arquitecto, não como operador’”, destacou.
O estadista explicou ainda que a reindustrialização exige uma visão integrada, capaz de conectar de forma eficiente toda a linha de valor, desde as zonas de cultivo até aos mercados internacionais. Apesar de reconhecer o potencial de Moçambique, com vasta terra arável, experiência acumulada e uma população jovem significativa, advertiu que o sucesso desta nova era industrial depende de profundas reformas na governação económica.
A terminar o seu discurso, o felicitou o Professor António Niquice pelo contributo científico e lançou um apelo à mobilização e ao
patriotismo de todas as franjas da sociedade, com especial enfoque na juventude e nas universidades.
Na óptica do Presidente da República, o livro demonstra que “a Independência Económica não apenas se proclama; ela constrói-se com conhecimento, produção, disciplina, integridade, responsabilidade, competência, visão estratégica e com capacidade de coordenação nacional”, estabelecendo este objectivo como a grande missão da actual geração.