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Porto de Maputo regista recorde de 32 milhões de toneladas de exportações em 2025

O Porto de Maputo alcançou, em 2025, o maior volume de carga da sua história, ao movimentar 32 milhões de toneladas, um crescimento de 3,4% face a 2024, ano em que foram registadas 30,9 milhões de toneladas. Os dados foram divulgados recentemente pela Sociedade de Desenvolvimento do Porto de Maputo (MPDC), concessionária responsável pela gestão e exploração da infra-estrutura portuária, que classifica o desempenho como um marco relevante para o sistema logístico nacional e regional.

Em comunicado, a MPDC descreve 2025 como “um ano marcado por um crescimento histórico, expansão da capacidade e investimento contínuo no sistema logístico de Moçambique”, sublinhando que os resultados obtidos reflectem a consolidação de um modelo integrado de porto e corredor logístico.

A empresa acrescenta que o desempenho resulta de um trabalho contínuo de modernização operacional, melhoria de processos e reforço da articulação com operadores ferroviários, rodoviários e terminais especializados ao longo do corredor de Maputo.

Em 2024, a empresa aponta que registou um volume de carga manuseada de 30,9 milhões de toneladas movimentadas, uma redução de 1% em relação a 2023. 

Segundo o Porto de Maputo, a redução dos volumes totais deveu-se principalmente aos protestos pós-eleitorais e aos bloqueios rodoviários no corredor de Maputo, incluindo o encerramento da fronteira durante vários dias e ao condicionamento da operações fronteiriças e rodoviárias durante mais de um mês.

No período acima referido, o corredor ferroviário entre a África do Sul e Moçambique foi também afectado pelos protestos e bloqueios, a par de um descarrilamento em Outubro/Novembro, que levou ao encerramento da linha durante um mês.

Apesar do período conturbado nas actividades do porto, a empresa aponta que “em 2024 foi o aumento das receitas resultantes para o Estado das taxas de concessão pagas ao Governo de Moçambique, que aumentaram 12% para 46,8 milhões de dólares, em comparação com 41,7 milhões em 2023”.

O cenário foi diferente no ano passado, pois, para além do crescimento global, as operações directas da MPDC também registaram um desempenho sem precedentes. Em 2025, a concessionária movimentou “15,2 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 6,4% em relação ao ano anterior”. De acordo com o comunicado, este resultado reflecte o impacto dos investimentos sustentados em infra-estruturas, sistemas e capital humano, bem como as melhorias contínuas na eficiência operacional”. A MPDC sublinha que estes investimentos permitiram aumentar a produtividade e reduzir constrangimentos operacionais em diferentes segmentos do porto.

Outro destaque do balanço de 2025 é o crescimento do transporte ferroviário, apontado como um dos pilares centrais da estratégia de sustentabilidade do Porto de Maputo. “Os volumes transportados por via férrea aumentaram 17%, passando de 9,7 milhões de toneladas em 2024 para 11,7 milhões de toneladas em 2025”. Para a concessionária, este crescimento confirma que “o reforço do uso do caminho-de-ferro é essencial para garantir um sistema logístico mais eficiente, competitivo e ambientalmente sustentável”.

A MPDC resulta de uma parceria entre os Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM), empresa pública que gere os portos e a rede ferroviária do País, e a Portus Indico, participada pela multinacional DP World, um dos maiores operadores logísticos a nível mundial. Esta estrutura de concessão tem permitido mobilizar investimento privado e conhecimento técnico internacional, mantendo o alinhamento com os interesses estratégicos do Estado moçambicano.

O crescimento da actividade portuária traduziu-se também num reforço da contribuição financeira para o Estado. No ano passado, “as taxas de concessão pagas pela MPDC ascenderam a 48,9 milhões de dólares, acima dos 46,8 milhões de dólares registados em 2024, excluindo os benefícios adicionais gerados através de impostos e dividendos canalizados para os CFM”. Segundo a concessionária, “este aumento reflecte tanto o crescimento dos níveis de actividade como o compromisso contínuo da MPDC em gerar valor económico para o País”.

Citado no comunicado, o director-executivo da MPDC, Osório Lucas, afirmou que os resultados alcançados são fruto de um esforço conjunto ao longo de toda a cadeia logística. “Estes resultados reflectem o esforço colectivo das nossas equipas e parceiros em toda a cadeia logística. Alcançar volumes recorde, continuando a investir em capacidade, eficiência e impacto social, demonstra a maturidade e resiliência do Porto de Maputo.”

Lucas sublinhou ainda que a visão da concessionária vai além dos números registados num único ano. “O nosso foco continua a ser a construção de um corredor competitivo, integrado e sustentável, capaz de apoiar o desenvolvimento económico de Moçambique no longo prazo”, afirmou, recordando que a actual concessão do Porto de Maputo vigora até 13 de Abril de 2058.

O ano de 2025 ficou igualmente marcado por avanços em projectos estratégicos de infra-estrutura, considerados determinantes para a expansão futura do porto. Entre estes, destaca-se a conclusão da ponte-cais da ilha de Kanyaka, prevista para Março de 2026. De acordo com a MPDC, trata-se de um projecto com “significativo impacto social e económico”, que deverá melhorar de forma substancial o acesso, a mobilidade e a integração logística da comunidade local.

Em paralelo, o porto manteve o seu programa de investimentos destinado a aumentar a capacidade portuária e a eficiência do sistema logístico. A concessionária destaca “a expansão do terminal de granéis sólidos para 16 milhões de toneladas, a ampliação em curso do terminal de contentores da DP World para 530 mil TEUs, bem como as obras de aumento da capacidade do terminal de magnetite e carvão da Grindrod para 12 milhões de toneladas”. A MPDC refere ainda intervenções coordenadas ao longo do corredor logístico, envolvendo infra-estruturas como Km4, Kudumba e a concessionária rodoviária TRAC.

Segundo a empresa, estes investimentos estão totalmente alinhados com a estratégia de longo prazo de posicionar o Porto de Maputo como “um centro logístico moderno, competitivo e integrado”, capaz de responder às necessidades do comércio regional e internacional.

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