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País pode competir na produção de conteúdo digital

Moçambique tem potencial para competir com os outros países na indústria de produção de conteúdo na era digital. Contudo, o investimento em infraestruturas tecnológicas e na internet é o principal desafio, segundo os intervenientes do painel que debateu a Competitividade da Indústria de Conteúdos no Contexto da Digitalização, na oitava edição da feira da MozTech.

Competitividade da Indústria de Conteúdos no Contexto da Digitalização foi um dos temas do segundo e último dia da maior feira de tecnologia do país, a MozTech.

Os painelistas começaram por apontar as mudanças impostas pela COVID-19 na produção de conteúdo na era digital, sobretudo ao impulsionar os chamados influencers.

“Esses creaters, influenciadores digitais, que têm um bom conteúdo, sua peculiaridade de informação, autoridade enquanto expert começam a se tornar embaixadores das empresas” indicou Luiz Guedes, fundador e CEO do Grupo EPIC no Brasil, acrescentando que se tal acontecer, começa-se a perceber que “um possível concorrente passa a ser um potencial aliado e mudamos a perspectiva dos creaters e influenciadores digitais estarem em conflito com as marcas”.

O surgimento massivo de influencers, durante o período do novo Coronavírus, também foi notório em Moçambique. “Temos exemplos de conteúdos que dispararam até um dado momento em que era difícil aceder à internet. Então, os criadores de conteúdo trouxeram a sua arte, música, performance, utilizando canais possíveis, criando estes espaços. Houve muitos conteúdos #ficaemcasa# que obrigavam as pessoas e facilitavam a permanência das pessoas em casa. Isso teve o suporte das tecnologias”, referiu João Ribeiro, representante da Multichoice em Moçambique.

E porque a digitalização é o futuro de todos, Moçambique não quer ficar para trás, mas há muitos desafios pela frente. “A questão da nossa rede de internet, penetração da rede na população. Nós sabemos que aqui em Moçambique grande parte da população que tem acesso à internet está nas cidades e é onde temos cerca de 40% de agregados familiares e 60% estão no campo, então não conseguem ter acesso a essas tecnologias”, apontou Victor Mbeve, PCA da TMT.

O acesso às tecnologias é uma das premissas para o país melhor competir na indústria global de produção de conteúdos no contexto da digitalização, daí que os painelistas avançam com algumas propostas.

“Primeiro é fundamental democratizar essa tecnologia, fazendo com que ela chegue a todos. Infelizmente, muito poucas áreas têm boa cobertura, quer seja por GSM ou para falar ao telefone, quer seja para usar a internet. Nós, ao sairmos das cidades capitais, temos dificuldade na estrada, para comunicar e aceder à internet como deve ser”, sugeriu João Ribeiro, secundado por Luiz Guedes que considerou de nada adianta falar de tudo isso “se as pessoas não tiverem a possibilidade de ter acesso aos recursos, sobretudo de telecomunicações, tecnológicos além de que é preciso dar mais atenção aos produtores de conteúdo”.

Mais do que entrar para a indústria de conteúdos no contexto da digitalização, é preciso ter uma base para se manter. “Uma das alternativas é a personalização e ela é suportada pela tecnologia. Hoje em dia, é possível personalizar conteúdos e os mesmos tornam-se mais atractivos para os anunciantes. Isso é possível do ponto de vista da linha tradicional que todos nós fomos habituados a considerar nesta indústria que é o limite publicitário. A tecnologia permite dar uma segunda vida à publicidade por meio da tecnologia”, disse João Araújo, consultor de Estratégias de Negócio.

A oitava edição da Moztech debateu 14 temas, contou com a participação de 42 painelistas, dos quais 27 nacionais e 15 estrangeiros.

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