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País com condições para transformações económicas 

Moçambique tem, hoje, todas as condições para fazer das próximas duas décadas, um período de transformações económicas profundas, afirmou o ministro da Planificação e Desenvolvimento, durante a intervenção na “Conferência Económica” realizada pelo Millennium Bim, no âmbito da celebração dos 30 anos, período durante o qual a instituição “investiu no país e cresceu” com ele.

No evento, Salim Valá disse que “temos recursos naturais estratégicos, uma localização geoeconómica privilegiada, uma economia com potencial para se diversificar e tornar-se mais robusta e, sobretudo, um povo com um talento e uma resiliência extraordinárias”.

O governante entende que a “transformação que o país precisa só acontecerá se encararmos com coragem, disciplina e audácia o momento desafiante que atravessamos. O país enfrentou tensões económicas e sociais que não podemos ignorar – e é assumindo esta realidade com transparência que construiremos a confiança necessária para avançar”.

“Os três grandes desafios estruturais continuam presentes”, nomeadamente “a pobreza persistente, o desemprego – sobretudo juvenil – insiste em não cair e as desigualdades territoriais entre zonas urbanas e rurais mantêm-se. Sabemos que alterar esse quadro não será um labor simples, automático nem de curto prazo, e envolverá o Estado, o sector privado, a sociedade civil e a academia, além dos parceiros de cooperação”.

O Millennium Bim é considerada uma instituição que, ao longo de três décadas, se tornou um dos pilares do sistema financeiro moçambicano e um actor preponderante na dinamização da economia.

Nesse contexto, o ministro da Planificação e Desenvolvimento considerou que o Millennium Bim ajudou Moçambique a construir estabilidade, modernidade e confiança económica e financeira ao longo de 30 anos da sua existência. “Ou seja, cresceu com o país, investiu no país, tem confiança no país e, por isso, acredita no futuro do país”.

O crescimento económico de Moçambique, anotou o ministro, tem sido impulsionado pela agricultura, pelos serviços, pelo comércio, pela energia, por alguns projectos de mineração e hidrocarbonetos e por um processo gradual de recuperação pós-pandemia. “Este nível de crescimento é positivo, mas ainda está longe de ser o que desejamos em termos de impacto sobre a pobreza, o emprego e o bem-estar das famílias”.

“No quarto trimestre de 2024, o país viveu uma contração de 5,7%, e no primeiro semestre de 2025 registou-se uma contração de 2,4%, estimando-se que no terceiro e quarto trimestres de 2025, o PIB recupere em cerca de 2,1% e 3,4%, e até o final do ano atinja 1,6%, contra 2,9% previsto no PESOE de 2025”.

Para o próximo ano, a projecção inicial de crescimento do PIB, fixada em 3,2%, poderá ser revista em baixa, ficando nos 2,8%, isto é, maior que a taxa de crescimento projectada para 2025, explicou Valá e apontou “sinais encorajadores”, nomeadamente a inflação, que chegou a níveis elevados no período pós-pandemia. Mas tem estado a recuar, tendo sido de 4,8% em Outubro deste ano, depois de em Setembro ter atingido 4,9%”.

“O metical revelou relativa resiliência quando comparado com outras moedas, as reservas internacionais têm sido geridas com prudência,e o país tem procurado reforçar a disciplina fiscal, num contexto em que o espaço orçamental é limitado e as necessidades sociais são grandes”.

Valá lembrou que a balança comercial do país continua fortemente marcada pelas exportações de carvão, alumínio, gás, energia, grafite e alguns produtos agrícolas. “Continuamos demasiado dependentes de matérias-primas, mas começam a surgir sinais de diversificação, ainda tímidos, na agro-indústria, serviços logísticos e iniciativas ligadas à economia azul”.

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