O governador do Banco de Moçambique afirmou que a estrutura salarial da instituição não sofreu quaisquer alterações durante o seu mandato, rejeitando as críticas que, nas últimas semanas, têm surgido em torno dos níveis de remuneração dos funcionários e dirigentes.
Segundo o responsável, o modelo salarial actualmente em vigor existe há vários anos, tendo sido herdado de administrações anteriores. “Desde que assumi funções, não alterei a estrutura salarial”, afirmou, acrescentando que as contas do banco são publicadas anualmente e sempre reflectiram a mesma política remuneratória.
O governador considerou estranho que o tema tenha ganhado destaque apenas no final do seu mandato, defendendo que a discussão está a ser alimentada pelo contexto da transição de liderança. “Parece que, agora que estou de saída, transformou-se num problema”, declarou.
Relativamente às críticas segundo as quais os salários seriam financiados com recursos do Estado, esclareceu que o orçamento do Banco de Moçambique é autónomo em relação ao Orçamento do Estado. Segundo explicou, as despesas da instituição são suportadas pelo próprio banco e não constituem encargos directos para os cofres públicos.
O responsável sublinhou ainda que os reajustamentos salariais obedecem a um Acordo Colectivo de Trabalho, negociado entre a Associação Moçambicana de Bancos, o Sindicato Nacional dos Trabalhadores do Sistema Financeiro e as instituições bancárias, incluindo o Banco de Moçambique. De acordo com o governador, os aumentos são definidos anualmente no âmbito desse acordo e não resultam de decisões unilaterais da administração.
No que respeita aos valores que têm circulado nas redes sociais e nalguns espaços públicos, o governador classificou-os como «absurdos» e afirmou que muitos resultam de interpretações incorrectas das demonstrações financeiras. Explicou que a rubrica relativa a salários inclui igualmente provisões para responsabilidades actuariais, designadamente benefícios futuros dos trabalhadores no activo e dos reformados, conforme exigem as normas contabilísticas e os auditores.
O governador concluiu afirmando que as acusações de irregularidades não correspondem à realidade e defendeu que a gestão salarial do Banco de Moçambique sempre respeitou os procedimentos legais e institucionais em vigor.
“A mulher sobressalente”, de Dany Wambire, é um conto com crítica incisiva às dinâmicas patriarcais e às expectativas sociais sobre as mulheres. No enredo, o perfil da protagonista é de alguém que se recusa a ser apenas mais uma na sociedade e a epígrafe, “A luta pela liberdade começa com a limpeza dos ismos nas coisas”, atribui uma profundidade filosófica e crítica à obra, indicando uma abordagem reflexiva sobre temas de liberdade e opressão.
O conto de Dany Wambire inicia com um cenário de chegada, dramático, a 1 de Novembro de 1990. A partir dessa data, a narrativa apresenta uma perspectiva sobre as práticas familiares e sociais que perpetuam a subjugação feminina. A descrição da mãe da Quinita, encostada ao portão da casa da patroa da rapariga, envolve uma atmosfera de tensão e medo, exacerbada pelos latidos dos cães, que, na história, simbolizam a vigilância constante da sociedade.
A mãe de Quinita, acusada de facilitar a fuga da filha para a cidade, enfrenta a opressão tanto do marido quanto da comunidade que a julga. E ela, mesmo em meio a tanta adversidade, procura uma forma de proteger a sua filha, evidenciando a resistência feminina na luta pela dignidade.
O pai de Quinita, descrito como preguiçoso e explorador, espera que a filha se torne “peça sobressalente” da família, frase esta que é carregada de ironia e dor, indicando uma pressão para a conformidade e a negação de um futuro próprio, assim, continuando o ciclo de submissão.
A narração, na primeira pessoa, confere uma concepção íntima e pessoal, permitindo que o leitor sinta a angústia e a esperança da protagonista. A linguagem poética e metafórica para descrever a dura realidade é rica em imagens sensoriais e detalhes visuais. Por exemplo, “um banho da chuva”, “das brincadeiras de empurra-empurra com o vento”. Essas descrições não apenas situam o leitor no ambiente social, mas também evocam emoções e estados de espírito.
A escolha de palavras e o ritmo do texto criam uma sensação de urgência e inevitabilidade, reflectindo a luta constante da personagem para encontrar o seu lugar no mundo.
A descrição da mãe de Quinita, chorando, tentando consolar a filha, adiciona uma camada de empatia à personagem materna. A sua tentativa de se despedir da patroa e agradecer, em nome da filha, sugere um gesto de gratidão e submissão, projectando, com efeito, a posição subalterna das mulheres em Moçambique. Nesse sentido, aliás, o confronto de Quinita com o pai é um momento crucial. A reacção dele, cuspindo no chão, é um gesto de desprezo e domínio, ilustrando o desrespeito e a ausência de afecto paternal.
A imagem do pai, preparando-se para usar um arco e flecha, simboliza a agressão e a caça, evocando violência e controlo sobre a vida de Quinita. O uso do termo “pangolim” para descrever a postura defensiva da protagonista indica sua tentativa de se proteger em uma situação de perigo iminente, ou seja, ela parece estar em uma família tóxica, tentando encontrar uma maneira de se libertar, ainda muito nova.
As formulações como “diminuía a montanha das nádegas das suas mulheres” e “celeiros prenhes de alimentos” descrevem exploração das mulheres pela figura paterna. Esses aspectos não apenas destacam o controlo físico e emocional exercido pelo pai de Quinita, mas também a redução das mulheres a meros objectos de procriação e subsistência.
O conto expõe o desejo do pai de usar a filha como um peão em negociações matrimoniais, esperando que ela traga presentes e benefícios à família através da gestação. A descrição do pai como alguém que “deveria ser caçado, perder-se na própria armadilha” inverte as perspectivas tradicionais do género e poder, sugerindo que a verdadeira armadilha é a cultura opressiva que ele perpetua.
A visita de Quinita às amigas, que a recebem com espanto e pranto, e a pergunta “Como é que eu ousava regressar ao calvário?” descreve o estigma e a pressão social sobre as mulheres que tentam desafiar normas estabelecidas. A ideia de um pretendente que espera pela donzela até ela estar pronta para o casamento reforça o tema da objectivação e do valor atribuído à virgindade feminina.
A narrativa de Dany Wambire também destaca a violência social e emocional infligida às mulheres, no caso, através da história de Micaela. Acusada de adultério e humilhada publicamente, a situação ilustra a severidade com que a sociedade tradicionalmente lida com as mulheres que transgridem normas patriarcais. Mesmo sendo uma adolescente casada com um homem adulto, ela é julgada e condenada por um suposto adultério, sem nunca se considerar a sua juventude e a desigualdade de poder em seu relacionamento. A multidão que a agride verbalmente, chamando-a de “puta”, reflecte a sedimentação do machismo e a brutalidade colectiva contra a mulher que desafia ou é percebida como desafiando normas sociais.
A humilhação de Micaela culmina com a necessidade de sua família devolver os presentes do pretendente, mostrando que a rapariga e a mulher são tratadas como objecto transaccional, cujo valor é medido pelo seu comportamento sexual. Portanto, esta desumanização é uma crítica feroz à cultura patriarcal que reduz as mulheres a meras mercadorias.
A passagem que descreve o abuso sexual sofrido por Quinita é impactante. O uso de metáforas, como a comparação da sua impureza com os rios poluídos e a necessidade de “nascer de novo” como uma cristã baptizada enfatiza a profundidade do trauma e a ideia de busca desesperada por purificação e redenção. As descrições sensoriais de “gotas de sangue, secas, coloriam-lhes as margens, denunciando abuso de sexo” e “lágrimas adormecidas nas maçãs do rosto” não apenas visualizam o sofrimento físico, mas também simbolizam a dor emocional e espiritual.
“A mulher sobressalente” evoca um ambiente de violência e passividade, onde até os membros da família, como a irmã de Quinita, permanecem indiferentes ou condescendentes.
A solidão de Quinita é quase palpável, quando ela se refugia às suas sobrinhas, que também estão presas em um ciclo de violência e observação impotente. O sentimento de sujidade que ela tenta lavar simboliza a tentativa de remover a mancha do abuso e a marca indelével deixada pela violência masculina.
A narrativa faz uma crítica explícita à hipocrisia moral da sociedade, onde a honra e a pureza das mulheres são vigiadas e punidas com dureza, enquanto a violência e o abuso masculino são frequentemente aceites. A descrição do cunhado de Quinita, que comete o abuso sob o olhar passivo dos outros, reforça aquela observação.
O conto explora a tradição do “lobolo” (dote) em algumas culturas africanas, nas quais o casamento é formalizado através da entrega de bens do noivo à família da noiva. Nesse contexto, a narrativa revela uma prática cultural em que a procriação, especialmente a geração de filhos do sexo masculino, é de suma importância. O pai da narradora considera a dívida paga ao genro com o nascimento do neto, destacando as mulheres como meros veículos para a continuidade de um sentido machista de família.
O conflito central é a luta da protagonista contra as imposições culturais que a privam de sua autonomia e maternidade. A dor de Quinita é notória quando tenta reivindicar o direito de ficar com o seu bebé, fruto da violação do cunhado, com a cumplicidade familiar, mas é brutalmente contrariada pela autoridade personificada pelo seu pai.
A voz de Quinita denuncia como as normas culturais podem ser manipuladas para justificar comportamentos abusivos, revelando uma sociedade que valoriza mais a estabilidade dos casamentos do que a felicidade e o bem-estar individual das mulheres. A entrega do bebé à irmã de Quinita, para salvar o casamento dela por “só fazer meninas”, é um exemplo extremo da mercantilização das relações familiares em determinados contextos.
A escrita de Dany Wambire, finalizando, é directa e imersiva, com diálogos que carregam a tensão e a dor da protagonista. A simplicidade contrasta com a complexidade dos sentimentos expressos, o que aumenta o impacto emocional do conto. A repetição do tema da dívida e do pagamento, sempre com a questão do “lobolo” no centro, reforça a ideia de que as relações humanas são, cada vez mais, tratadas como transacções económicas, desprovidas de afecto genuíno.
*Texto escrito no contexto da Oficina de escrita: crítica de arte, organizada pela Fundação Fernando Leite Couto, com a pretensão de estimular a crítica artística no país.
O antigo ministro do Interior Alberto Mondlane nega que existiu um acordo de pagamento de cinco milhões aos antigos membros do Serviço Popular de Segurança do Estado. Apesar da “negação” do ministro, o advogado Sérgio Quinhá acredita que o acordo existiu pois “é impossível que mais de 300 pessoas possam delirar de forma unânime e ao mesmo tempo”.
Já fazem três semanas desde o dia (27 de maio) passado, que a reivindicação do pagamento de indemnizações aos membros do Serviço Popular de Segurança do Estado (SNASP) é “alvo de debate” e já gerou vários desdobramentos, desde a reação da ministra dos combatentes até ao “rapto” da jornalista do CDD e ao roubo da Câmera da Soico Televisão (STV).
Em seu discurso a ministra dos Combatentes, Josefina Mpelo, garantiu que o pagamento de indemnizações foi uma “página” virada em 2014, e em parte “sim”, pois houve pagamento de uma parte “ínfima” do acordo, secundaram os reivindicadores.
Em contestação às declarações da ministra, os membros da “Secreta” disseram que “Mpelo” é nova diante deste problema, ao que, só os mais antigos têm conhecimento, tendo eles mencionado os antigos ministros.
Aliás, sobre os antigos, que possivelmente soubessem do assunto, a STV entrevistou o antigo ministro do Interior, Alberto Mondlane, que também afirmou que não tinha conhecimento de nenhum acordo. Mondlane foi mais longe e explicou que sequer havia “dinheiro” para tal promessa, “não seria possível esse acordo porque não havia condições para pagar tais valores”, acrescentou.
Sendo possível ou não pagar os cinco milhões agora exigidos pelo SNASP, o advogado Sérgio Quinhá acredita que “é muito” possível” que o acordo tenha realmente existido, sob um argumento simples: “não é possível que mais de 300 pessoas possam padecer do mesmo delírio colectivo e uniforme”.
Para explicar melhor a sua interpretação, Quinhá recorreu ao tempo dos factos, o ano de 1992, no contexto do fim da Guerra dos 16 anos, entre as forças da Renamo e o Governo, que desaguaram nos Acordos Gerais de Paz e aí, acrescentou o terceiro elemento – o mediador (as Nações Unidas), local onde foram reivindicar os seus direitos.
“O acordo, supostamente foi mediado pelas Nações Unidas em 1992, visto que este organismo estava vinculado ao Governo e o mesmo interveio para a consolidação da cessação das hostilidades”.
Assim, a considerar que realmente existiu um acordo, seria possível haver indemnizações a mercê de provas, pois trata-se de um acordo “verbal”.
“Se não existir nenhum documento que prove que houve acordo com o Estado, não se poderá validar as reivindicações, contudo caberia ao tribunal tomar decisões mediante as provas que forem apresentadas pelas partes”.
Segundo a explicação do advogado, pelas suas qualidades e qualificações, o estatuto do SNASP equivale ao o do SISE, portanto, a serem considerados membros do Estado, recai sobre os mesmos as mesmas limitações dos membros do SISE, o que limita o direito “à manifestação” e cita “o artigo 17, que estabelece:
“Os membros do SISE gozam dos direitos, liberdades e garantias constitucionalmente previstos, com as restrições ao exercício dos direitos de expressão, reunião, manifestação e petição colectiva.”
Quinhá, também lamenta a postura “silenciosa” do Estado e justificou que era melhor que os membros do SNASP fossem convidados para uma conversa “longe do público”, uma vez que estas pessoas possuem informações “secretas do governo” e que pela sua natureza podem perigar a soberania do país.
“Com os membros do SISE não é para se discutir em arena pública, com os funcionários e agentes do SISE não é para debater nem expor nenhum assunto ao público. Seria esta a altura do Estado moçambicano convidá-los para perceber qual o fundamento do suposto acordo e arranjar soluções”.
Sobre a possível ameaça de “se ir até às últimas consequências com a mobilização dos antigos membros”, o advogado disse que trata-se um direito previsto no Estado de direito democrático, que só poderá ser visto como crime caso se consuma como facto.
Mais uma corrida, mais uma prestação assinalável do piloto moçambicano Rodrigo Almeida no Porsche Carrera Cup Asia (PCCA) ao volante do Porsche 911 GT3 CUP.
No Buriram International Circuit, na Tailândia, o mais internacional piloto do país terminou na 5.ª posição a sua participação na segunda corrida realizada no sábado.
ebaixo de temperaturas elevadas e um nível de humidade alto, Rodrigo Almeida começou a sua participação na prova na sexta-feira com dois treinos livres, onde teve o privilégio de entrar no “pace” do top 5.
Na corrida 1, Almeida até iniciou muito bem ao arrancar em 7.° lugar e conseguiu acabar em 6.° com um “flat spot” provocado por um erro no pneu direito da frente, tendo sido forçado a gerir a situação até ao final da corrida.
Já a “Q2” (segunda qualificação) correu de feição com o talentoso piloto que arrancou em 5.° lugar, mas durante a volta 1 sofreu um toque que o fez perder três posições. Durante a corrida, e com boa resposta, Rodrigo Almeida recuperou o 5.° lugar e acabou assim a mesma.
No global, o piloto moçambicano amealhou pontos para o campeonato que o fizeram subir uma posição, sendo que neste momento encontra-se em 4.° lugar.
“Um fim-de-semana muito doloroso em termos físicos devido ao calor mas nada que nos impedisse de obter bons resultados”, reagiu o piloto na sua rede social “facebook”.
Almeida agradeceu ainda todos aqueles que o apoiaram durante a corrida e contribuíram para esta prestação.
“Antes de mais queria agradecer a todos que me apoiaram este fim de semana e um especial agradecimento ao Tiago Monteiro e aos meus pais por estarem presentes neste fim de semana!!”
Saimone Macuiana, Ivan Mazanga e Juliano Picardo podem regressar à Assembleia da República na próxima legislatura. Estas e outras figuras sonantes do partido Renamo ocupam lugares cimeiros na lista da Renamo de candidatos a Deputados.
A divulgação das listas dos candidatos à Assembleia da República continua e desta vez foi afixada a lista da Renamo e sim, há novidades.
Para a décima legislatura o partido Renamo decidiu manter grande parte dos nomes já conhecidos, como são os casos do decano e porta-voz do Partido, José Manteigas, Ivone Soares, António Muchanga, Arnaldo Chalaua, mas também resgatou figuras como: José Palaço, na posição 18 da lista da Zambézia, Saimon Macuiana, na posição número 2 de Manica, Ivan Mazanga, na posição 3,na cidade de Maputo e Juliano Picardo, na posição 3 de Tete.
Outra novidade nesta lista é o antigo edil de Nampula, Paulo Vahanle, que ocupa a posição 25. Mas há mais.
André Magibire é também candidato, pelo círculo eleitoral de Sofala, igual a Ricardo Tomás e Geraldo Carvalho, antigos membros do MDM.
Já quem pode estrear como deputado são os antigos vice-chefes do Estado-maior general Raul Dique e Olímpio Camboma.
Ainda não foram afixadas as listas da Coligação para Aliança Democrática, CAD.
A Associação Black Bulls desloca-se amanhã a Songo, para defrontar a União Desportiva local, em partida que encerra a oitava jornada do Moçambola 2024. Será um teste à sua liderança, agora que vê o Costa do Sol aproximar-se ainda mais na tabela classificativa, com menos dois pontos.
É o teste de fogo para a Black Bulls nesta deslocação a Songo, um terreno que não inspira muita garantia, uma vez que o adversário é um candidato nato ao título. Os resultados entre os dois contendores mostram que não será uma partida fácil.
Só para elucidar, nos sete jogos disputados entre ambos, os “touros” venceram três jogos, dois dos quais em Songo (1-4 no primeiro jogo,em 2021, e 0-1 no último jogo, em 2023), e outro em terreno neutro, na Beira, na final da Taça de Moçambique do ano passado, por 2-1.
Em sua casa, a União Desportiva de Songo venceu apenas um jogo, em 2022, por 3-0, havendo ainda registo de dois empates a um golo, mas no Tchumene.
Com a liderança em causa pela aproximação do Costa do Sol, que está a dois pontos, a Black Bulls vai procurar aumentar a sua vantagem na prova, mas sempre ciente das dificuldades que vai encontrar.
Aliás, a chegada tardia de alguns dos seus jogadores que estiveram ao serviço da selecção nacional, em Marrocos, pode ser um grande entrave para Hélder Duarte, que chegou a criticar a forma como são feitas as marcações dos jogos.
Do lado da União Desportiva de Songo, que viu os jogadores que estavam nos Mambas a chegarem mais cedo, tem a possibilidade de encurtar a distância, uma vez que agora é de cinco pontos (19 para Black Bulls e 14 para UD Songo).
Uma vitória dos “hidroeléctricos” relança a disputa pela liderança, já que teria o Costa do Sol e a UD Songo na cola, a dois pontos da liderança.
O Costa do Sol, para chegar a acoçar da Black Bulls, teve de golear o Baía de Pemba por 3-0, com um bis de Chisala e outro golo do Musonda, a justificar a contratação de estrangeiros, que fazem diferença.
Os “bainanos” estão a cinco jogos sem vencer, onde somaram três derrotas e dois empates, o que coloca a equipa em queda, agora na oitava posição, com oito pontos.
Quem deu um salto alto nesta jornada, ainda que de forma provisória, é o Ferroviário de Lichinga, que, na recepção ao homónimo de Nampula, venceu à tangente. Cuco marcou o único golo que coloca a equipa na quinta posição, agora com 12 pontos, a fugir da zona baixa.
Estreia inauspiciosa de Victor Mayamba em Nacala
Quem também respira bons ares é a Associação Desportiva de Vilankulo, agora sexto classificado com 10 pontos. Depois da derrota caseira sofrida antes da pausa, os “hidrocarbonetos” deram a volta e o troco, mas a vítima foi o descontrolado Desportivo de Nacala.
Terá uma estreia sem brilho para Victor Mayamba no seu primeiro jogo à frente dos “canarinhos” de Nacala, embora tenham sido os primeiros a marcar. Elias Macamo voltou a abrir as hostilidades no jogo da sua equipa, desta vez não no início do jogo, mas no final da primeira parte. Os “hidrocarbonetos” responderam no início da segunda parte e chegaram a revirar o resultado, mas o empate chegou até aos 90+1 minutos, quando Tomás bisou na partida e sentenciou mais uma derrota do Desportivo de Nacala, a terceira nos últimos cinco jogos.
Caló e Monteiro em pacto de não agressão na estreia
No jogo de arranque da jornada, onde havia duas estreias nos bancos técnicos, nomeadamente de Carlos Manuel no Ferroviário de Maputo, e de Dário Monteiro à frente do Brera Tchumene FC, houve pacto de agressão.
No resultado houve empate sem abertura de contagem, mas na prática os “locomotivas” muito fizeram para saírem com outro resultado que não fosse o empate. Aliás, o Ferroviário de Maputo muito pode se queixar da actuação da equipa de arbitragem chefiada por Zefanias Chijamela, que não apitou para golo ou grande penalidade, num lance claro em que o jogador do Brera corta a bola com a mão para lá da linha do golo.
Assim, o Ferroviário de Maputo continua a ser prejudicada pelos árbitros, depois da reclamação feita aquando do jogo diante do Baía de Pemba, em que também foi prejudicado.
Os “locomotivas” continuam, surpreendentemente, lanternas vermelhas, agora com três pontos, fruto de três empates e cinco derrotas na prova. São, a esta altura, candidatos a despromoção numa edição em que desce apenas uma equipa para a segunda divisão.
Já o Brera soma mais um ponto na sua caminhada na prova, sendo penúltimo, com sete pontos.
Graça Machel diz que é preciso desmantelar as organizações que oprimem as mulheres, com o objectivo de limitar o seu desenvolvimento. Para a activista social, é preciso mudar a mentalidade das pessoas no que diz respeito à valorização da mulher.
Graça Machel e Milagre Nuvunga, duas mulheres de intervenção social, sentaram-se lado a lado, esta segunda-feira, em Maputo, para debater sobre as barreiras que a mulher enfrenta para o seu desenvolvimento, numa plateia maioritariamente composta por mulheres que bem conhecem os seus desafios.
Foi por isso que Maria, participante no evento, rematou, da plateia, que o sofrimento de muitas mulheres é visto por muitos, até por aqueles que deveriam defendê-las.
“E as outras que sofrem, que irão sofrer este mesmo assunto, este mesmo problema, como é que elas se vão sentir se viram uma mulher a não ser protegida pela lei? Viram uma mulher a ser tirada do sítio de trabalho onde ela recebia o salário para voltar a ser castigada por um lar onde foi mandada embora? A lei não a protegeu”, desabafou Maria.
Logo a seguir, interveio a engenheira ambiental Milagre Nuvunga, como oradora principal. Ela considera que a primeira acção, acima de todas, deve ser do Governo, na aplicação das tantas leis existentes, planos quinquenais ou até mesmo protocolos de que o país é signatário.
“Moçambique tem muitas e belas leis. Então, fica aqui o meu apelo. Façamos valer esta conquista, que é nossa. Passemos do desenho à implementação. As leis existem. Se elas fossem cumpridas, não estaríamos onde estamos. As mulheres não estariam onde estão.”
E apela para o envolvimento de todos na protecção da mulher.
“Podemos dizer que, em Moçambique, acções de desenvolvimento ocorrem em quase todo o país. Contudo, mesmo onde os investimentos acontecem, eles nunca abrangem todos por igual. Por isso, é importante que todos os agentes económicos do Governo, sector privado, sociedade civil, etc., garantam que os investimentos sejam realmente inclusivos. Não nos baseamos somente em números, mas na qualidade do engajamento na agência adquirida”, disse.
Mas para a activista social, Graça Machel, é preciso combater quem combate às mulheres e isso deve começar das organizações que lidam com estes temas.
“Eu quero dizer que, no nosso trabalho, nós devemos também colocar seriamente o desmantelamento das instituições que oprimem mulheres e também trabalhar as mentes dos homens para aceitarem andar lado a lado num espaço igual com as mulheres.”
Sobre a transformação de mentes, Graça Machel citou um caso em que um determinado homem tinha várias mulheres e nenhuma tinha direitos respeitados, sendo ele instruído, com nível de licenciatura, por isso esclareceu que as mentalidades não mudam apenas porque uma pessoa tem instrução de nível superior.
“Não. As mentalidades têm de mudar em todos nós, no campo, na cidade, em vários níveis onde nós estamos. É uma luta de longo prazo, mas a questão do patriarcado tem que estar sempre associada. Nós fazemos acções transformativas da vida das mulheres, porque é daí onde vem a evidência de que as mulheres não só têm a mesma dignidade humana, têm as mesmas capacidades de realização, têm as mesmas capacidades transformativas até.”
Mas, para isso, há barreiras que precisam de ser removidas, conhecidas, propositais ou não.
“Pode ser que as estruturas não sejam adequadas, pode ser que a mentalidade das pessoas ainda não permite valorizar o lugar da mulher na promoção e desenvolvimento dos diversos sectores. Podem ser também obstáculos de nível social, as normas sociais. Então, não estamos a querer necessariamente dizer que alguém está a oprimir outro. Queremos dizer que há obstáculos estruturais de sistemas, de mentalidades e até mesmo daquilo que se chamam as nossas normas e as nossas tradições.”
A segunda edição da conferência mulheres na economia visava reflectir sobre as acções necessárias para acelerar as transformações políticas, sociais e culturais para uma sociedade justa e igualitária.
Na sequência da notícia sobre a possibilidade de o Chaves apresentar acção judicial contra Guima, o jogador recorreu às redes sociais para partilhar um comunicado em sua defesa.
“Sempre cumpri com todas as minhas obrigações contratuais e profissionais durante o tempo em que estive ao serviço do Chaves. Sempre me esforcei ao máximo em campo, demonstrando empenho, dedicação e respeito pelo clube, pelos meus colegas de equipa e pelos adeptos”, afirmou o jogador.
O internacional moçambicano deixou bem expresso o desejo de abandonar os flavienses. “Tenho pleno direito, juridicamente garantido, de optar por não renovar o meu contrato ao término do mesmo, conforme estabelecido pelas normas legais vigentes”, contou.
O jogador de 28 anos concluiu o comunicado pedindo “espaço” e “respeito” pelas suas decisões. “Continuarei a manter uma postura profissional e ética, esperando que qualquer transição futura seja conduzida com o respeito e a dignidade que sempre marcaram a minha carreira”, disse.
Recorde-se que o presidente da SAD, Francisco José Carvalho, realçou, na passada quinta-feira, que o jogador tinha uma cláusula que possibilitava a renovação.
“O Chaves tinha o direito de opção sobre o atleta e como contamos com ele, accionamos a cláusula de renovação que estava no contrato que foi assinado por ele, já com valores pela renovação e tudo. Ao que parece, o jogador não quer, mas, assim sendo, o jogador tem contrato com o Chaves até final da época 2024/2025 e, se assim não for, vai ser movida uma acção judicial”, declarou o presidente.
As Nações Unidas defendem que a comunidade internacional deve fazer mais para responder ao drama humanitário em Cabo Delgado. O director-executivo da ONU para Serviços e Projectos está de visita a Moçambique e deverá estar em Cabo Delgado esta terça-feira.
Apesar do retorno das populações afectadas pelo terrorismo em Cabo Delgado às suas zonas de origem, o director-executivo do escritório das Nações Unidas para Serviços e Projectos entende que a situação humanitária ainda é crítica.
“Não podemos permitir que a situação de Cabo Delgado se torne esquecida no contexto internacional. Há muito trabalho ainda a fazer que precisa do apoio da comunidade internacional. Não é possível ter bem-estar e desenvolvimento social, económico e ambiental se não houver condições infra-estruturais para que as pessoas tenham acesso àquilo de que mais precisam”, explicou Jorge Moreira da Silva, director-executivo das Nações Unidas para Serviços e Projectos.
O responsável falava esta segunda-feira, após ser recebido em audiência pela ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Verónica Macamo, na Cidade de Maputo.
Trata-se de um encontro que marca o início de uma visita de quatro dias ao país, onde Jorge Moreira da Silva se vai inteirar dos projectos em curso de apoio aos deslocados na província de Cabo Delgado.
“Quero ir ao terreno ver os resultados dos nossos projectos. Muito já foi feito, progressos foram alcançados. Felizmente, muitos dos deslocados regressaram, mas a crise não está totalmente debelada, nomeadamente na área social e de infra-estruturas, é preciso continuar este trabalho.”
Por sua vez, Verónica Macamo enalteceu o apoio das Nações Unidas, não só em relação aos deslocados, como também na resposta às mudanças climáticas.
“Temos apreciado a forma como nos têm apoiado, no enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas que têm sido severos em Moçambique, mas também no atendimento às pessoas com necessidades, particularmente os grupos que estão a sofrer por causa dos terroristas, particularmente na província de Cabo Delgado. Esta visita vai ser uma oportunidade para trocar pontos de vista e vermos que aspectos estreitar para que a nossa cooperação continue a melhorar”, disse Macamo.
No país, o director-executivo das Nações Unidas para Serviços e Projectos poderá, igualmente, reunir-se com o Presidente da República, Filipe Nyusi, com o Ministério da Economia e Finanças e estudantes.
Nesta quarta-feira, a partir das 17 horas, a Fundação Fernando Leite Couto, em Maputo, vai receber a investigadora Marta Banasiak para uma sessão literária designada “Escrevendo Moçambique, lendo o mundo – leituras da obra de João Paulo Borges Coelho”.
Segundo a nota de imprensa da Fundação Fernando Leite Couto, pretende-se, com a sessão aberta ao público, percorrer o conjunto de obras de um dos mais consagrados escritores de Moçambique, João Paulo Borges Coelho, numa conversa com a professora doutorada da Universidade de Campinas, no Brasil.
A sessão com Marta Banasiak acontece numa altura em que João Paulo Borges Coelho ainda não lançou o seu mais recente livro em Moçambique, Roteiros provinciais (publicado em Portugal), o que poderá ser uma intervenção útil para os leitores que se interessam pela escrita do autor moçambicano.
Marta Banasiak é investigadora de pós-doutoramento no Departamento de Teoria Literária da Universidade de Campinas (Brasil), onde desenvolve o projecto “Da (semi)periferia vê-se o mundo – literaturas africanas no contexto de Literatura-Mundial”, e bolseira da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). É licenciada em Filologia Checa (2009) e mestre em Filologia Portuguesa (2013), pela Universidade Carolina de Praga (República Checa), e doutorada em Estudos Românicos com especialidade em Estudos Africanos (2019), pela Universidade de Lisboa (Portugal), com uma tese intitulada “Os lugares do Outro: as representações do poder na obra de João Paulo Borges e J.M. Coetzee”. Tem investigado e publicado nas áreas das literaturas africanas de língua portuguesa, particularmente moçambicana, cinema dos países de língua portuguesa e literatura africana comparada. Além das áreas mencionadas, os seus interesses de investigação recentes centram-se em estudos do Oceano Índico. Tem artigos e capítulos dos livros publicados no Brasil, EUA, vários países da Europa e Moçambique.