Residentes dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, denunciam o recrudescimento de esquemas de venda múltipla de terrenos, por valores que variam entre 20 e 50 mil meticais, e apontam o alegado envolvimento de algumas autoridades locais. Os moradores exigem medidas para travar o fenómeno. O presidente do município revela que há cerca de 20 casos em investigação e anuncia a prorrogação do prazo de regularização de terrenos até ao final de agosto.
Moradores dos bairros Patrice Lumumba e Praia, na cidade de Xai-Xai, voltam a denunciar alegados esquemas de venda ilegal de terrenos, envolvendo suspeitas de participação de algumas autoridades locais. Segundo os denunciantes, a mesma parcela chega a ser comercializada para duas ou três pessoas diferentes, com valores que variam entre 20 e 50 mil meticais.
Os residentes afirmam que a prática tem gerado conflitos entre compradores e disputas pela posse de terrenos, um problema que, segundo dizem, persiste há vários anos sem uma solução definitiva. Perante o cenário, exigem uma intervenção mais firme das autoridades para travar o fenómeno e responsabilizar os envolvidos.
“Há pessoas que compram um espaço, pagam o dinheiro, começam a construir e depois aparece outra pessoa com documentos a dizer que também comprou o mesmo terreno. Isso tem criado muitos problemas nos bairros”, denuncia um morador.
Confrontado com as acusações, o chefe do Posto Administrativo de Patrice Lumumba, Pedro Sitoe, reconhece que a venda ilegal de terrenos é uma preocupação das autoridades locais. Segundo explica, quatro indivíduos já foram neutralizados no âmbito das ações de combate a esta prática.
“Nós temos conhecimento dessas situações e estamos a trabalhar para travar este fenómeno. Já conseguimos neutralizar quatro indivíduos envolvidos na venda ilegal de terrenos. Em relação ao suposto envolvimento de líderes locais, até ao momento não temos elementos que confirmem essas acusações, mas qualquer denúncia será investigada”, esclarece Pedro Sitoe.
Também chamado a pronunciar-se sobre o assunto, o presidente do Conselho Municipal de Xai-Xai, Ossemane Adamo, revela que a autarquia acompanha cerca de 20 processos relacionados com conflitos de terrenos.
“Temos cerca de 20 casos em investigação e estamos a seguir os procedimentos administrativos e legais para responsabilizar quem estiver envolvido. A população deve continuar a denunciar situações de ocupação e comercialização ilegal de terrenos”, afirma o edil.
Face à persistência dos conflitos fundiários, o município decidiu prolongar por mais 30 dias o prazo para a regularização de cinco mil terrenos considerados ociosos. Segundo Ossemane Adamo, terminado o período, as parcelas que permanecerem sem regularização poderão reverter para o património municipal.
“Estamos a dar mais uma oportunidade aos titulares para regularizarem a situação. Depois deste prazo, os terrenos que continuarem sem qualquer procedimento de regularização serão tratados de acordo com a legislação em vigor”, explica.
Até ao momento, pelo menos 1.800 parcelas já foram regularizadas, de um universo de cinco mil abrangidas pelo processo. As autoridades municipais apelam aos titulares para concluírem a regularização até ao final de agosto, alertando que o incumprimento poderá resultar na perda do direito sobre os respetivos terrenos.
Às 18 horas desta sexta-feira, a Fundação Fernando Leite Couto (FFLC) vai anunciar, em cerimónia, o vencedor do Prémio Literário Fernando Leite Couto, concurso que segue na sua sexta edição dedicada à prosa.
Ao todo, a organização do concurso recebeu 68 obras de igual número de autores, entre eles, 18 mulheres e 49 homens, provenientes de todo o país e moçambicanos a residir em Portugal e no Brasil.
Segundo a Fundação Fernando Leite Couto, em comunicado de imprensa, o júri da sexta edição do Prémio Literário Fernando Leite Couto foi presidido por Teresa Manjate (ensaísta), Gil Filipe (jornalista), Aurélio Cuna (ensaísta), Aíssa Mithá Issak (bibliotecária) e Agostinho Goenha (professor e ensaísta).
O Prémio Literário Fernando Leite Couto foi instituído em 2017 para promover e revelar novos talentos na literatura moçambicana, organizado anualmente e alternando-se entre os géneros da poesia à prosa.
O prémio que é realizado com as parcerias do Moza, Câmara Municipal de Óbidos e Câmara de Comércio Portugal-Moçambique inclui o valor monetário de 150 mil meticais, a edição e publicação da obra vencedora, uma residência literária por 30 dias na cidade de Óbidos, em Portugal, participação no Festival Literário Internacional de Óbidos, para além de outras acções e eventos de promoção e divulgação da obra a nível nacional e internacional.
Em seis anos, o Prémio Literário Fernando Leite Couto já revelou seis autores, todos eles abaixo dos 40 anos de idade, nomeadamente, Macvildo Bonde (2017), com o livro «A descrição das sombras», Otildo Justino Guido (2019), com o livro «O silêncio da pele», Maya Ângela Macuácua e Geremias Mendoso, ex-aequo, (2022), com os livros «Diamantes pretos no meio de cristais» e “Quando os mochos piam”, respectivamente e em 2023, revelou os autores Gibson João, com o livro «O Descalço [dos] Murmúrios» e Óscar Fanheiro, com «Incêndios à Margem do Sono».
Dique Salvador Muxanga, Ângelo Almeida Nguenha e Jonas Chochota são os árbitros moçambicanos escolhidos pela Confederação Africana de Futebol, CAF, para ajuizarem o embate entre Nigéria e Mauritânia, da segunda mão da eliminatoria de acesso à fase final do Campeonato Africano das Nações, CAN de Futebol de Praia.
Dique Salvador Muxanga será o árbitro principal do encontro que vai acontecer em Abuja entre os dias 26, 27 e 28 de Julho corrente, enquanto Ângelo Almeida Nguenha será o segundo árbitro do campo. Jonas Chochota foi designado como terceiro árbitro do encontro.
Este trio de árbitros moçambicanos junta-se a um angolano e um são-tomense na estrutura da arbitragem que vai ajuizar o embate entre Nigéria e Mauritânia. Eliano Domingos Tito Iacala, angolano, será o árbitro que vai controlar o tempo que os guarda-redes levam com a bola nas mãos, enquanto Adalberto Luís Fonseca Catambi será o comissário do jogo.
Mauritânia e Nigéria defrontam-se para a primeira mão na próxima semana em Nouakchott, numa eliminatória em que o vencedor das duas mãos qualifica-se à fase final que terá lugar ainda este ano no Egipto.
Moçambique acelera preparação
Entretanto, a selecção nacional de futebol de praia continua a preparar a eliminatória de acesso à fase final do Campeonato Africano das Nações, CAN de Futebol de Praia. O adversário é a Seychelles, tida como estando em crescendo, o que poderá criar dificuldades ao combinado nacional.
Nesta recta final da preparação dos “guerreiros de praia”, Saidate Mouveia tem estado a priorizar princípios de jogos, com destaque para as transições entre a defesa e o ataque com a bola no ar, os aspectos técnicos e tácticos, onde se trabalha a resistência e a entrega dos jogadores, e a organização ofensiva, com destaque para o posicionamento dos jogadores e a criação de espaços que permitam remates à baliza contrária.
Os “guerreiros de praia” realizam, nesta última de preparação treinos bidiários e Saidate Mouveia continua a trabalhar com o grosso dos pré-convocados, aos quais deverá escolher os que vão representar o país nesta eliminatória.
O vencedor desta eliminatória de duas mãos garantirá a qualificação para o CAN da modalidade, que ocorrerá este ano no Egipto. O primeiro jogo será disputado entre os dias 19 e 21 deste mês de Julho, em Vitória, capital das Seychelles, enquanto a segunda partida terá lugar entre os dias 26 e 28 do mesmo mês, provavelmente na Arena de Vilankulo, palco do CAN de 2022, onde Moçambique conquistou o quarto lugar.
Para já, Saidate Mouveia trabalha com os seguintes jogadores: Martinho Manuel, Ângelo Tomás, Bachir Mussa, Hélder Mahumane, António Namape Júnior, Júlio Manjate, Ramossete Cumbe, Rachide Simithe, Paulo Gervásio, todos do Ntsondzo FC, Gonçalves Bila, Jaime Sitoe, Yuran Malate, Hermínio Ernesto, Hélio Mahota (Vulcano), Trezenta Eduardo, Jordão Mungone (Polana Cimento), Fidel, Mário Mazuze (Polana Caniço), Nelson Manuel, Manuel Tivane (Ferroviário de Maputo), Horácio Tivane (Brera), Fábio Coana (CAP), Benedito Mulungo (Estrelas de Macaneta), João Couana July (Macaneta), Paulo Alexandre Macuacua (Chamanculo), Manuel Júnior (Mafalala), Filipe Vilanculos (Bagamoyo), e Alfredo Djedje (Costa do Sol).
O presidente norte americano, Joe Biden, declarou que a NATO está mais forte do que nunca, e anunciou mais ajuda militar a Ucrânia, concretamente, baterias de mísseis e outros sistemas para reforçar as defesas aéreas daquele país contra ataques Russos.
Washington recebe, esta semana, a cimeira da Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO), sendo a guerra na Ucrânia um dos temas fortes do evento. No discurso de boas vindas aos aliados presentes, Joe Biden afirmou que a NATO está mais poderosa do que nunca.
A cimeira anual decorre nos Estados Unidos, num momento em que se assinalam 75 anos desde a fundação da Aliança Atlântica.
“É um prazer receber-vos neste ano marcante evento, olhar para trás com orgulho de tudo o que alcançamos, e olhar para o nosso futuro partilhado com força e determinação”, disse Biden.
O líder norte-americano aproveitou a ocasião para anunciar que os Estados Unidos vão fornecer defesas aéreas adicionais à Ucrânia para que se possa defender. “Juntos criamos uma coligação global para apoiar a Ucrânia. Juntos providenciamos um apoio económico e humanitário significativo e fornecemos à Ucrânia os meios para se defender: tanques, veículos blindados, sistemas de defesa aérea, mísseis de longo alcance e milhões de munições”.
Além do apoio à Ucrânia, está também em foco na cimeira a liderança de Biden, pois há um intenso debate na sociedade norte-americana em relação a saúde do presidente norte-americano.
O tema que ganhou maior tónica desde o “frente-a-frente” com o seu adversário na corrida eleitoral, Donald Trump, onde Biden teve um desempenho não desejado e veio a público, depois, justificar problemas de saúde.
De referir que esta poderá ser a última cimeira de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos, caso não seja reeleito nas eleições marcadas para 5 de Novembro.
Continua a dar o que falar a violência protagonizada pelos adeptos do Textáfrica de Chimoio, domingo, no campo da Soalpo, em contestação ao trabalho da equipa de arbitragem, liderada por Guilherme Malagueta, no jogo entre a formação da casa e a Black Bulls.
Entre as vítimas, há dois profissionais da comunicação, nomeadamente, Nelson Benjamim, jornalista da Tv Sucesso, que fracturou o braço direito, e José Algy, operador de câmera da TVM, que perdeu os sentidos na sequência da inalação de gás pimenta.
O Secretariado Provincial do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ) condena os actos que vitimaram dois membros da classe.
Em comunicado, a agremiação diz que foi “com justificada tristeza e preocupação” que tomou conhecimento do “ferimento de jornalistas de diversos órgãos de comunicação social”.
Na nota, o SNJ lamenta ainda que Nelson Benjamim e José Algy tenham caído nas malhas da violência provocada por excesso de zelo dos membros da PRM, quando estes exerciam as suas actividades.
“Segundo relatos de testemunhas, os jornalistas sofreram ferimentos quando os adeptos do Textáfrica começaram com acções de contestação da actuação da equipa de arbitragem, tendo de seguida a Polícia da República de Moçambique (PRM) disparado granadas de gás lacrimogéneo, para, supostamente, dispersar os manifestantes, numa altura em que os profissionais da imprensa faziam o seu trabalho normal no campo. Da actuação policial, alguns jornalistas foram afectados, ora por intoxicação pelo gás lacrimogéneo, ora por queda na tentativa de escapar da violência policial que disparou a substância, indiscriminadamente, para toda a extensão do campo. Com efeito, o jornalista da TV Sucesso, Nelson Benjamim, contraiu ferimentos graves e fracturou o braço direito e o operador de câmera da TVM, Algy José, perdeu os sentidos em pleno recinto de jogos, após inalar a substância tóxica”, lamenta o Sindicato Nacional de Jornalistas.
Ainda no comunicado, o SNJ diz que um dos feridos não teve o tratamento adequado quando deu entrada no Hospital Provincial de Manica, porquanto esta unidade sanitária deparava-se com falta de gesso.
“O balanço preliminar indica que outros colegas se queixam de ferimentos de gravidade diversa em resultado das escaramuças. O SNJ condena de forma veemente o sucedido e manifesta a sua total e profunda indignação pela actuação menos cautelosa da Polícia, que sabendo que no campo também estavam profissionais em serviço, que nada têm a ver com o desenrolar do espectáculo do jogo, decidiu cair por cima de tudo e todos. A situação agravou-se quando alguns dos profissionais feridos ou afectados pelo excesso de zelo de alguns agentes da PRM não puderam ter atendimento adequado no Hospital Provincial de Chimoio, para onde foram encaminhados, uma vez que aquela unidade sanitária de referência na província de Manica, à hora dos factos, debatia-se com falta de gesso. Por isso, alguns dos jornalistas feridos estão, neste momento, abandonados à sua sorte, nas suas casas, onde buscam assistência alternativa, estando assim impedidos de desenvolver a sua função de informar o povo”.
Aos organizadores do Moçambola-2024, aos clubes e demais actores, o Sindicato Nacional de Jornalistas apela para a criação de todas as as condições de segurança nos recintos desportivos.
“Apelamos às entidades envolvidas na organização deste tipo de eventos para melhorar as condições de segurança para doravante assegurar o melhor exercício da actividade jornalística em campos de futebol, sobretudo no campo da Soalpo, onde são recorrentes escaramuças, além de dificuldades de acesso à imprensa para cobertura dos jogos de futebol envolvendo a equipa da casa”.
Duas crianças, das quatro vítimas do fogo posto em uma residência, morreram, hoje, no Hospital Central de Nampula. Os pais das crianças continuam hospitalizados, e em estado crítico.
Criminosos incendiaram uma casa, durante a noite de segunda-feira, onde se encontravam a dormir quatro pessoas da mesma família, na Unidade Comunal de Nahene 1, pertencente ao posto administrativo de Namicopo, periferia da cidade de Nampula.
Gino Mariamo, um vizinho, conta que tentaram apagar o fogo com baldes de água, mas foi em vão.
“Quando vimos que o fogo não se estava a apagar, levamos uma árvore e começamos a bater. Naquele momento, as crianças estavam a chorar. O marido estava a tentar abrir a porta, mas não se abria, porque a porta estava amarrada com arrame”.
O vizinho diz ainda que as vítimas foram socorridas depois de terem sofrido graves queimaduras.
O secretário do bairro, Amade Piris, explica que ainda não se sabe quem foram os autores do crime, mas suspeita-se que tenham sido bandidos.
António Carlos, Cirurgião Geral, avançou que os dois adultos estão em cuidados intermediários, mas ainda em estado grave.
“Tendo em conta a extensão da queimadura, que é de mais de 50%, segundo aquilo que é a nossa experiência, dizemos que o prognóstico é muito reservado, não temos como adiantar se poderão ou não sobreviver”.
O cirurgião recomendou que, em caso de queimaduras, as vítimas sejam levadas, imediatamente, ao hospital, para receberem o tratamento adequado. “Se estamos perante uma situação em que a pessoa queimou, o recomendado é deitar água a temperatura ambiente, no local da queimadura, enquanto se dirige a unidade hospitalar”.
Já arrancou o estágio dos sete atletas moçambicanos que vão representar o país nos Jogos Olímpicos Paris 2024, a partir do dia 26 deste mês, em Paris, França. Os atletas, acompanhados dos respectivos treinadores, encontram-se na cidade francesa de Saint-Paul-lès-Dax, desde a passada quinta-feira, para cumprirem um estágio de 15 dias antes da sua participação nos Jogos Olímpicos.
Os atletas beneficiam do estágio oferecido pelo Comité Olímpico de Moçambique que pretende ver os índices de confiança elevados, para além de dar oportunidade aos mesmos de se habituarem às temperaturas daquele país europeu.
Alcinda Panguana, do boxe feminino, Deisy Nhaquile, da vela, Jacira Ferreira, do Judo, estas que conseguiram presença graças aos seus resultados, Steven Sabino, no atletismo, Tiago Muxanga, no Boxe, Denise Donelli e Matthew Lawrence, ambos na Natação, são os atletas que vão representar o país na maior competição interplanetária.
Os sete atletas estão acompanhados pelos respectivos treinadores, indicados pelas cinco federações representadas na competição.
As olimpíadas de Paris 2024 marcam os 100 anos desde a última vez que a capital francesa sediou os Jogos, e muita coisa mudou desde então. Das competições artísticas às corridas de velocidade que lançaram a lenda do filme Carruagens de Fogo, a competição de 1924 teve muitas estreias e momentos marcantes.
Cerca de 3089 atletas competiram em 126 eventos de 17 modalidades desportivas, mas agora, um século depois, os Jogos Olímpicos tornaram-se superdimensionados.
Paris 2024 terá 329 eventos de medalhas em 32 modalidades desportivas. Nos últimos cem anos, muitas provas saíram do programa olímpico e muitas outras entraram; recordes foram repetidamente quebrados e a tecnologia e as instalações evoluíram ao ponto de se tornarem irreconhecíveis.
Embora os Jogos Olímpicos de 2024 pareçam muito diferentes de edições mais distantes, estarão presentes 10 500 atletas para participarem no seu calendário desportivo.
Esta é uma denominação que, nos últimos dias, se tornou muito referenciada na media internacional e nos corredores políticos globais. Mas o que isso significa? Literalmente, geração Z é um nome de um movimento de jovens quenianos nascidos de 1996 a esta parte, que clama por boa governação. Millennium seria a geração anterior à Z, isto é, a geração de 1981 a 1996. Estas duas gerações perfazem quase 60% da população queniana. Há quase um mês, o movimento ocupou as ruas de Nairobi e de outras cidades, contra um projecto de lei que incluía o aumento de impostos no país. Os protestos que culminaram com a morte de cerca de 40 pessoas forçaram o Presidente do país, William Ruto, a recuar/desistir da implementação do projecto. Antes da decisão, Ruto tinha-se mostrado, nos primeiros dias das manifestações, inflexível. Entretanto, os Gen Z não arredaram o pé e continuaram com os protestos que acabaram com a invasão do parlamento. Para além das ruas, o movimento popularizou-se também nas redes sociais, sem líderes. Os jovens foram à rua movidos pelo mesmo sentimento e causa comum: dar um “basta”.
Gen Z: um fenómeno novo?
Estes movimentos de revolução não são novos. Na história da humanidade e das democracias, podemos encontrar vários exemplos de movimentos de jovens que provocaram mudanças importantes na configuração sociopolítica. Em 1908, o mundo testemunhou a Revolução dos Jovens turcos que exigiam a reabertura do parlamento que havia sido suspenso em 1878. Os protestos deste grupo, que se prolongaram até 1928, forçaram o sultão, Adbulhamid I do Império Otomano, a reabrir o parlamento.
Nos anos 1960 a 1970, o mundo vivenciou vários outros movimentos juvenis, nos Estados Unidos (Movimento dos Direitos Civis), França (revolução estudantil — 1968), China e até na antiga URSS, hoje Rússia. Todos estes eventos históricos tiveram jovens e adolescentes na dianteira, que estavam ávidos por ver os seus problemas resolvidos e mudar o status quo dos poderes políticos de então. No continente africano, também houve muitos movimentos de jovens que, mesmo sem o comando de líderes políticos, se fizeram ouvir. Na África do Sul, a 16 de Junho de 1976, cerca de 3000 a 10 000 estudantes saíram à rua contra o uso da língua Afrikaans em igualdade com o inglês nas escolas secundárias, na África do Sul, um processo que fazia parte do sistema segregacional do Apartheid. Nos últimos tempos, este fenómeno de protestos dos jovens tem vindo a ganhar espaço no continente. Ainda está na memória da maioria o fenómeno Primavera Árabe (em 2010), que culminou com várias mudanças de governos e constitucionais em muitos Estados africanos do Magreb. Em 2020, milhares de jovens levantaram-se na Nigéria contra a brutalidade da polícia, no conhecido por “EndSARS Moviment”. Na África Ocidental, a “Gen Z e Millennium” esteve ou está por trás das mudanças constitucionais que afectam aquela região, com os golpes de Estado no Mali (2020 e 2021), Guiné-Conacri (2021), Sudão (2021), Chade (2021), Burquina Faso (2022), Niger e Gabão (2023).
O que a Gen Z quer?
Provavelmente essa seja uma das perguntas que mais ecoa nos últimos dias, nos meandros do debate público e privado, quando o assunto é Gen Z e Millennium. Porém, independentemente da explicação que se possa tentar dar, uma coisa é clara: a juventude está cansada de líderes que não resolvem os problemas básicos da população. No Quénia, a juventude foi à rua para dizer “basta” o desperdício de recursos financeiros do Estado em viagens “desnecessárias” do Presidente Ruto e do seu Governo. Gritaram alto dizendo “basta”, contra as mordomias dos membros do Governo. “Basta” ao excesso de funcionários improdutivos nas instituições do Governo. Ademais, foram às ruas exigir auditorias das dívidas do Estado. Querem saber para onde vai o dinheiro. Dito tudo isso, os jovens estão simplesmente a dizer que querem fazer parte do processo de governação. Querem ser consultados sobre o rumo que o país está e deve seguir. Estes são tempos novos e de mudanças. Certamente, o mundo e o continente africano viverão muitas destas revoluções. Aliás, há quem já está a baptizar este fenómeno de “East Africa Summer”, o que significa “Verão da África Oriental”, num paralelismo à Primavera árabe. Pelo sim ou pelo não, a grande questão que se coloca é: até que ponto estão as lideranças dos nossos países africanos estão abertas a compreender estes fenómenos, sem arranjar bodes expiatórios?
Teve início, esta terça-feira, o julgamento de 39 presidentes de mesas das assembleias de voto, com destaque para os que negaram assinar actas e editais. Ademais, consta que os arguidos falsificaram as actas a favor da Frelimo. Os membros das assembleias de voto estavam a trabalhar em todas as 39 mesas, no decurso das eleições autárquicas de 9 de Outubro do ano passado.
No arranque do julgamento, esta terça-feira, 12 arguidos estiveram em sede do Tribunal Judicial da Cidade de Quelimane, marcando, assim, a primeira fase do processo. Na ocasião, Quiara Sozinho, assistente da acusação, referiu que os arguidos em causa “desencadearam fraude eleitoral para prejudicar o processo, favorecendo a Frelimo. Na sequência, prejudicaram números de mandatos”, disse.
Diante da acusação, a defesa dos arguidos, Abílio António, renunciou à audiência, alegando que precisava de compulsar os documentos da acusação para melhor defender os 39 arguidos, já que, no seu entender, não foram previamente notificados.
O juiz da causa, Crimpelho António, indeferiu o posicionamento da defesa dos arguidos nos seguintes termos. “O fundamento de que não foram notificados não procede, pois os arguidos primeiro refutavam ser notificados. Fizemos diligências pela primeira vez às instituições e, a dado momento, tentaram-nos obstruir aquilo que é a actuação da administração da justiça, não fornecendo os reais dados. Aí advertimos que os mesmos iriam incorrer no crime de desobediência.”
Entre os arguidos, estão formadores que entraram à revelia para as assembleias de voto fazendo-se passar por presidentes. Todos os arguidos tem contrato com o STAE.
O bispo da Diocese dos Libombos, Dom Carlos Matsinhe, vai à reforma, depois de 45 anos de sacerdócio na Igreja Anglicana em Moçambique. O acto poderá se consumar no domingo, dia 14 de Julho, com a realização de um culto de gratidão a Deus, no pavilhão de Maxaquene, Cidade de Maputo.
Chegou ao fim a Era do sacerdócio de um homem, que foi escolhido por Deus e por Ele capacitado para ser líder espiritual dos fiés da Igreja Anglicana em Moçambique, por 45 anos.
Chama-se Dom Carlos Matsinhe e começou a exercer o sacerdócio na Igreja Anglicana aos 25 anos.
“Ao abrigo das leis que regulam os mandatos da liderança na Igreja Anglicana, chegou o momento de pôr à disposição os cargos que me foram investidos e o faço com muita alegria, gratidão e entusiamo. E mais: com muita esperança de que as sementes que nós semeámos já germinaram e vão crescer e florir”, disse Dom Carlos Matsinhe, em jeito de despedida.
Durante o seu percurso, Dom Carlos Matsinhe garante ter feito muita coisa que enaltece à igreja e e orgulha os fiés anglicanos em Moçambique e, mais tarde, Angola.
“Quando fui bispo, desempenhei a função numa igreja que tinha quatro dioceses, três em Moçambique e uma em Angola, que servia a todo o o país. Quando termino, deixo uma província (anglicana) que tem 12 dioceses e igual número de bispos, cumulativamente, Moçambique e Angola. Agredecemos o povo de Deus de Moçambique e de Angola bem como todos que têm estado a nos ajudar de todas as partes da comunhão anglicana”, revelou o bispo da Diocese dos Libombos, agradecendo aos fiés a quem liderou, espiritualmente.
Para a a consumação da reforma do Bisco Dom Carlos Matsinhe, a Igreja Anglicana vai realizar, no domingo, um culto de acção de graças, no qual estarão presentes os líderes e crentes anglicanos de três continentes, nomeadamente África, América Europa.
“Através de um acto de adoração e de oração bem como de louvou a Deus, está a ser organizado um culto de acção de graças a ter lugar no próximo domingo, 14 de Julho, no pavilhão de Maxaquene”, referiu Dom Carlos Matsinhe.
Depois da reforma do bispo, a Igreja Anglica em Moçambique deverá escolher o próximo líder da Diocese dos Libombos num intervalo entre quatro e cinco meses.
O bispo da Diocese dos Libombos sublinhou que a sua reforma não tem nada a ver com a pressão interna para que ele abandonasse o cargo.