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ONU declara tráfico de escravos como crime mais grave contra humanidade 

A Assembleia-Geral da ONU aprovou, nesta quarta-feira, uma resolução que declara o tráfico de africanos escravizados e a escravização racializada como o “crime mais grave contra a humanidade” e defende reparações históricas.  

O texto, apresentado à Assembleia pelo Gana e co-patrocinado por dezenas de Estados-membros da ONU, obteve 123 votos a favor, três contra e 52 abstenções dos 193 Estados-membros da ONU.

“Esta resolução envia uma mensagem muito clara de que a comunidade internacional não mais tolerará impunidade, de que a comunidade internacional aposta por justiça, de que a comunidade internacional e o sistema multilateral que formamos, não importa quanto tempo demore, o dia da reconquista chegará”, disse Samuel Ablakwa,  Ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana. 

Votaram contra, os Estados Unidos da América, Israel e a Argentina. Portugal, Reino Unido, Espanha e França estão entre os países que se abstiveram.

Entre os Estados que co-patrocinaram a resolução estão Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe.

Entre os restantes membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, também Brasil e Timor-Leste votaram a favor.

A resolução aprovada insta os Estados-membros da ONU a considerarem pedir desculpa pelo tráfico de escravos e a contribuírem para um fundo de reparações.

A mesma pede medidas de restituição, compensação, reabilitação, satisfação, garantias de não repetição e alterações às leis, programas e serviços para combater o racismo e a discriminação sistémica.

Apela à restituição imediata e sem entraves dos bens culturais, objectos de arte, monumentos, peças de museu, artefactos, manuscritos e documentos, e arquivos nacionais que tenham valor espiritual, histórico, cultural ou de outra natureza para os países de origem, sem custos.

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