Com o desenvolvimento das sociedades e a preocupação que estas sociedades vão tendo em relação à origem e ao passado do Homem, os costumes das comunidades, os traços que diferem uma comunidade da outra, a preocupação em manter imortais esses traços culturais, a cultura é usada na sociedade actual com infinidade de sentidos. Para o conceito da cultura, Marinez (2009) sublinha, no seu livro ‘Antropologia Cultural – Guia para o Estudo’, as definições dos clássicos Arnold e Tylon da seguinte forma:
Em 1869, Matthew Arnold definiu a cultura como o conseguimento da perfeição, que implica uma condição interna da mente e do espírito (doçura e luz), através do bom e do melhor que se pensou e se diz na história. E, em 1871, Edward Tylor, definiu a cultura como um conjunto complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes e várias outras aptidões ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. Taylor faz uma reflexão importante e diz que a cultura não é biologicamente transmissível, mas sim adquirida dentro da sociedade, da qual este Homem é membro. Todas as culturas são dignas e não existem culturas mais valentes que outras.
Assim como a vida humana sofre influência do meio, também a cultura não é estática. Segundo Taylor, a cultura está em constante transformação. A cultura não é um fruto puro e está sujeita a processos constantes de contaminação. Marinez refere que a cultura é um produto do Homem, pelo que implica consciência e liberdade. O que faz distinguir o homem do resto do mundo animal é a cultura. Embora possa haver fenómenos comuns entre os homens e os demais animais, a diferença reside na consciência e liberdade presentes no acto humano.
A cultura é uma tarefa social e pertence à comunidade, ao grupo social do qual o indivíduo faz parte. O conjunto de experiências vividas pelo Homem, através da história, é que formam o património cultural de um determinado povo. A cultura é uma herança social reservada a um determinado povo, que merece conservação, transmissão e continuidade para as novas gerações. A linguagem é considerada um dos factores muito importantes no progresso da chamada herança social, que é a cultura. Graças à posse da linguagem, os homens podem transmitir, uns aos outros, uma ideia clara das situações não actuais e do comportamento adequado a essas situações, o que torna possível um enorme crescimento ao conteúdo da herança social. A capacidade humana de comunicar-se através da linguagem é considerada o primeiro facilitador da convivência humana e seguro transmissor dos traços culturais predominantes numa determinada comunidade. Para a fonte, com a linguagem, a transmissão do comportamento adquirido deixa de estar sujeita ao acaso. O conhecimento possuído por cada geração pode ser transmitido, como um todo, à geração seguinte.
A organização social em comunidades e a linguagem contribuíram para que o Homem tivesse uma herança mais rica que a dos animais. Assim, segundo Giddens, o que torna qualquer sociedade diferente é o facto de ela definir uma espécie de verdade. A cultura é um modo de vida total, e não apenas elementos parciais de uso e costumes. O autor fala da existência da cultura ideal, que é o comportamento que as pessoas acreditam que deveriam ter. Em contrapartida, a cultura real é entendida como o comportamento concreto das pessoas, ou seja, o que realmente fazem e vivem. Fontes acrescentam que “cada membro de uma sociedade precisa conhecer intimamente apenas a parte da cultura total necessária para adaptar-se e preencher um determinado lugar na vida da comunidade”. Isto quer dizer que o único limite à possibilidade de conteúdo de uma cultura é o conjunto formado pelas capacidades de aprendizagem e todos os indivíduos que compõem a sociedade portadora da cultura em questão.
Na realidade, este limite nunca foi atingido, nem aproximado. Por mais rica ou complexa que seja uma cultura, há sempre lugar para novos elementos. Os grupos sociais que são identificados pela sua cultura são cobertos de vários símbolos que funcionam como chave da cultura. Para Martinez, os símbolos formam sistemas entre si, que falam e, na sua inter-relação, transmitem mensagens que é necessário prestar-lhes a devida atenção para as captar. Etimologicamente, o vocábulo símbolo provém do verbo grego sumbalo, que significa lançar conjuntamente, reunir, amontoar. Expressa a ideia de aproximar e juntar duas partes de uma mesma coisa que originalmente estivera unida, com o fim de chegar a conhecer ou identificar algo. Trata-se de um sinal de reconhecimento.
Para que a cultura sobreviva por muitos anos, é necessário que ela seja transmitida a todos os novos membros da comunidade, para que saibam da sua importância na identidade dos traços de uma determinada comunidade.