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Nyusi pede que todos lutem pela paz em Moçambique

Foto: Presidência da República

O país parou, hoje, para celebrar os 30 anos da assinatura do Acordo Geral de Paz, que pôs fim a 16 anos de guerra sangrenta movida pela Renamo. As celebrações centrais tiveram lugar em Maputo, na Praça dos Heróis e foram dirigidas pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, que fez uma deposição de flores em memória dos heróis e endereçou uma mensagem à nação.

Na sua mensagem, o Presidente da República, Filipe Nyusi, destacou o longo caminho “de avanços e revés” do Acordo Geral de Paz (AGP) e Reconciliação Nacional, assinado em Roma, capital da Itália, pelo então Presidente da República, Joaquim Chissano e pelo presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, após dois anos de duras negociações mediadas pela Igreja Católica através da Comunidade do Santo Egídio.

Filipe Nyusi reconheceu, no seu discurso, que os 30 anos do histórico acordo foram marcados por vários revés e situações que colocaram em causa a paz e a estabilidade. “Ao longo desta nossa caminhada de 30 anos, a nossa paz conheceu algumas situações que tentaram prejudicar a acção pacífica e a convivência entre irmãos moçambicanos, afectando a zona centro, especificamente, nas províncias de Sofala e Manica”, destacou, salientando, no entanto, que “a única ilação que podemos tirar dos 30 anos do AGP é a de que vale a pena lutar pela paz; e os moçambicanos são, quanto a este aspecto, resolutos”.

O Presidente da República apelou à união em defesa da paz dos moçambicanos e para que seja eterna e alicerçada pela reconciliação entre os moçambicanos. “A nossa grande mensagem para este dia é que aprendamos a conviver e a respeitar as diferenças. Não há homens da Renamo nem do Governo, apenas há homens de uma bandeira multicolor”, destacou.

Ainda no seu discurso, Filipe Nyusi recordou os episódios que levaram ao agudizar da guerra em Moçambique logo após a independência nacional em 1975, o apoio dos serviços secretos portugueses, sul-africanos e zimbabweanos, estes últimos dois países na altura, liderados por regimes minoritários e segregacionistas, que viam em Moçambique independente uma retaguarda segura e base logística para os movimentos nacionalistas sul-africanos e zimbabweanos.

Filipe Nyusi citou, ainda, historiadores que descrevem a guerra dos 16 anos em dois momentos distintos, sendo a primeira entre 1976 a 1984, como tendo sido uma guerra de desestabilização movida por interesses estrangeiros e, de 1984 a 1992, guerra civil, por ter ganhado uma mobilização interna após o Acordo de Nkomati entre os Governos moçambicano e sul-africano, visando o fim de apoio de ambos os países aos movimentos que moviam guerrilha nos dois territórios.

A história dos 16 anos de guerra mostra, segundo Filipe Nyusi, de forma nítida como os interesses estrangeiros podem levar moçambicanos a auto-destruirem-se por causas que não lhes dizem respeito. Pelo que ressaltou ser importante a vigilância, a unidade nacional e o espírito permanente de reconciliação nacional.

CHISSANO FELIZ COM O PROGRESSO PÓS-GUERRA

Joaquim Chissano foi o mentor e quem dirigiu as negociações com a Renamo para pôr fim ao conflito que dilacerou o país ao longo da década de 80. Assumiu o poder no fim de 1986, após a morte de Samora Machel e no auge do conflito. Por isso, um ano depois, iniciou contactos com a guerrilha da Renamo para negociar a paz. Dirigiu igualmente as transformações políticas que culminaram com a introdução de uma nova Constituição da República em 1990, que introduziu a democracia multipartidária no país e o Estado de Direito Democrático.

Estas transformações conduziram às negociações que culminaram com a assinatura do Acordo Geral de Paz, no dia 4 de Outubro de 1992, em Roma, na Itália. 30 anos depois, Joaquim Chissano diz-se feliz quando olha para trás. Até porque dirigiu Moçambique durante 13 anos após os Acordos de Roma.

Para Chissano, o progresso do país é visível se comparado ao que era em 1992, principalmente no campo social, com destaque para a Educação e a Saúde: “Estou feliz em ver o desenvolvimento que temos no país, não é em termos de infra-estruturas – não só em termos de escolas e hospitais – mas pelo desenvolvimento do próprio homem, da própria mulher, a ver pela pujança da nossa juventude e das nossas mulheres”. Admite que a sua satisfação não é completa tendo em conta o facto de ainda existirem distritos no norte do país a serem assolados pelo terrorismo.

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