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Moçambique retoma vacinação preventiva contra a cólera

Texto: Notícias ao Minuto
Foto: Notícias ao Minuto

Moçambique é o primeiro país a retomar a vacinação preventiva contra a cólera, após a interrupção em 2022 devido ao aumento do número de casos e a consequente diminuição dos ‘stocks’, informou esta quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

As cheias e inundações no país interromperam os sistemas de saúde e danificaram os sistemas de abastecimento de água, aumentando ainda mais o risco de doenças transmitidas pela água, como a cólera e outras doenças, referiu a OMS em comunicado.

Segundo escreve o Notícias ao Minuto, a retoma é um motivo mais que suficiente para o país retomar a vacinação preventiva contra a cólera, uma acção que vai arrancar no meio de um surto de cólera e das consequências das cheias que afectaram mais de 700 mil pessoas, muitas delas desalojadas.

A seguir a Moçambique, a campanha de vacinação preventiva será retomada no Bangladesh e na República Democrática do Congo (RDCongo).

Os três países foram escolhidos com base nos critérios de alocação estabelecidos pela Força-Tarefa Global para o Controlo da Cólera (GTFCC), uma parceria de mais de 50 organizações, para garantir que as vacinas contra a cólera para campanhas preventivas são distribuídas de forma sistemática, equitativa e transparente.

Segundo a GAVI (Aliança de Vacinas), a UNICEF e a OMS, a primeira remessa de 20 milhões de doses está a ser distribuída por Moçambique, que vai receber 3,6 milhões de doses, RD Congo, que terá 6,1 milhões, e Bangladesh (10,3 milhões de doses).

“A escassez global de vacinas obrigou-nos a um ciclo de reacção aos surtos de cólera, em vez de prevenção. Estamos agora numa posição mais forte para quebrar este ciclo”, afirmou o director-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado pelo Notícias ao Minuto.

O fornecimento global anual da vacina oral contra a cólera duplicou, passando de 35 milhões de doses em 2022 para quase 70 milhões de doses em 2025, financiadas pela Gavi e adquiridas e distribuídas aos países pela UNICEF.

“O aumento plurianual de casos de cólera e a consequente procura sem precedentes de vacinas foram lembretes contundentes de que o fornecimento sustentável e acessível de vacinas é um bem público global — e o mundo não se pode dar ao luxo da complacência”, disse Sania Nishtar, administradora da Gavi, citado pela mesma fonte.

Para a directora executiva da UNICEF, Catherine Russell, este aumento da disponibilidade de vacinas permitirá prevenir melhor as emergências de cólera em grande escala.

A vacina oral contra a cólera é segura e eficaz e está recomendada para indivíduos com mais de um ano de idade. Uma dose desta vacina oferece protecção a curto prazo durante pelo menos seis meses e pode ajudar a controlar os surtos, enquanto duas doses oferecem protecção contra a infecção durante três anos.

A cólera propaga-se através de alimentos e água contaminados, causando diarreia grave e desidratação, podendo levar à morte se não for tratada rapidamente.

Moçambique soma 55 mortos e 3.725 casos cumulativos de cólera registados desde Setembro de 2025 até 1 de Fevereiro de 2026. As províncias de Tete, Cabo Delgado, Zambézia e Manica são as mais afectadas, com alta taxa de mortalidade na comunidade (70%) devido à falta de acesso a saneamento e cuidados médicos. 

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