A Ministra das Finanças, Carla Loveira, recebeu a vice-presidente do Exim Bank da China, num encontro que reafirmou o compromisso mútuo de cooperação técnica, económica e financeira entre Moçambique e a instituição bancária chinesa, em prol do desenvolvimento dos dois povos.
Durante a audiência, as duas partes destacaram a importância da continuidade da parceria estratégica, com particular enfoque no financiamento e apoio à implementação de projectos estruturantes no País, enquadrados nos diferentes ciclos de governação.
Segundo a ministra Carla Loveira, a relação entre Moçambique e o Exim Bank tem sido marcada por um ambiente de cooperação estável e de confiança, contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento de projectos estratégicos em sectores prioritários da economia nacional.
A governante sublinhou ainda que a recente visita de Estado do Presidente da República, Daniel Chapo, à China, permitiu reforçar os laços de cooperação bilateral, incluindo encontros entre os ministros das Finanças de ambos os países, com a participação do Exim Bank, tendo sido aprofundada a colaboração financeira com o Governo moçambicano.
O Exim Bank da China mantém-se como um dos principais parceiros financeiros de Moçambique, apoiando projectos em áreas como a expansão dos serviços de telecomunicações, inovação tecnológica e transferência de tecnologia, considerados fundamentais para o desenvolvimento económico e digital do País.
Moçambique defende redução do custo de financiamento em África
No plano multilateral, Moçambique defendeu a necessidade urgente de reduzir o chamado “custo de confiança” em África, sublinhando que o continente enfrenta atualmente não apenas escassez de capital, mas sobretudo elevados níveis de incerteza que encarecem o financiamento e limitam o investimento.
A posição foi apresentada pela administradora para o pelouro de Estabilidade Monetária do Banco de Moçambique, Maria Esperança Mateus Majimeja, que representou a ministra das Finanças e o País nas Reuniões do Conselho de Governadores do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), realizadas em Brazzaville.
Segundo a responsável, a perceção de risco continua a ser um dos principais entraves ao desenvolvimento económico africano, afastando investidores e tornando o capital mais caro e difícil de mobilizar.
“África já não sofre apenas de falta de capital. Sofre, sobretudo, de um elevado custo de financiamento”, destacou.
Neste contexto, Moçambique apresentou três prioridades estratégicas para melhorar o ambiente de investimento no continente. A primeira passa pela redução da fragmentação regulatória e pela aceleração de reformas que reforcem a previsibilidade, transparência e segurança jurídica para o investimento privado.
A segunda proposta defende um papel mais activo do BAD na mitigação de riscos, através da expansão de instrumentos de garantia, apoio a projectos de elevado impacto social e criação de plataformas regionais que reduzam o prémio de risco africano.
A terceira prioridade centra-se no desenvolvimento de mercados financeiros domésticos e regionais mais robustos, capazes de mobilizar a poupança interna para financiar o desenvolvimento do próprio continente.
Moçambique apelou ainda ao reforço da capacidade operacional do BAD, defendendo maior rapidez na implementação de projectos e resultados mais visíveis, com impacto directo na economia real.
No âmbito da Nova Arquitetura Africana para o Desenvolvimento (NAFAD), o País defendeu uma abordagem prática e orientada para resultados, sublinhando que o sucesso da iniciativa dependerá do compromisso político efectivo dos Estados africanos.
Na área do emprego juvenil e financiamento às micro, pequenas e médias empresas (MPME), Moçambique defendeu modelos integrados que combinem formação técnica, acesso ao financiamento e integração nos mercados.
O País incentivou ainda o BAD a apoiar a transição de projectos-piloto para plataformas continentais de maior escala, especialmente nos sectores agroindustrial, logístico, digital e energético, em parceria com os Estados e o sector privado.