A Universidade Eduardo Mondlane, atribuiu, a título póstumo, o grau de Doutor Honoris Causa ao falecido artista plástico Malangatana Valente Ngwenya. Segundo a instituição a distinção constitui um reconhecimento do seu contributo para as Letras, as Artes e a Cultura e do seu papel na projecção internacional de Moçambique.
O artista plástico moçambicano Malangatana Valente Ngwenya foi distinguido, a título póstumo, com o grau de Doutor Honoris Causa pela Universidade Eduardo Mondlane.
A homenagem reconhece o percurso de um dos mais importantes nomes das artes plásticas nacionais e o seu contributo para a cultura e para a projeção internacional de Moçambique.
A cerimónia decorreu esta segunda-feira, na cidade de Maputo, mais de uma década depois da morte do artista, ocorrida em 2011.
Para a Universidade Eduardo Mondlane, a distinção pretende valorizar um legado que permanece atual e reconhecer as artes e as letras como formas de produção de conhecimento.
“Honoris causa significa literalmente por causa da honra e a UEM honra Malangatana pelo extraordinário contributo que prestou às letras, às artes e à cultura”, explicou o reitor da UEM, Manuel Guilherme.
Manuel Guilherme destaca ainda a construção de uma linguagem artística própria e a capacidade de Malangatana de valorizar a cultura moçambicana nas suas diferentes manifestações.
“É a grandeza da sua obra que dá sentido ao título que hoje lhe conferimos”, afirmou.
Ao longo da sua carreira, Malangatana acompanhou, através da sua obra, diferentes momentos da história de Moçambique. Depois da independência nacional, colocou o seu talento ao serviço da construção cultural do novo país, participando na criação e dinamização de instituições culturais e na promoção das artes nacionais.
Para a família, representada no evento pelo filho de Malangatana, Mutxine Ngwenya, o reconhecimento ultrapassa a dimensão artística e constitui uma oportunidade para refletir sobre a responsabilidade de preservar e valorizar o património cultural deixado pelo artista.
“Que este reconhecimento possa ser o princípio de uma política mais consequente de identificação, proteção e valorização do nosso património cultural.”
Mutxine defende também que a preservação do legado de Malangatana deve ir além da transformação do artista num símbolo oficial.
“Não pedimos que se faça de Malangatana um símbolo oficial. Pedimos que se assuma a responsabilidade por aquilo que ele deixou ao país. Porque uma nação também se constroi através daquilo que se decide preservar. Constroi-se através das suas memórias, dos seus lugares, das suas obras, dos seus saberes e das pessoas que soube reconhecer”.
A cerimónia contou com a presença de várias personalidades, entre as quais os antigos Presidentes da República Armando Emílio Guebuza e Joaquim Chissano.
Malangatana havia recebido anteriormente o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Politécnica de Moçambique, em 2007. A distinção agora atribuída pela Universidade Eduardo Mondlane acrescenta-se, assim, ao conjunto de reconhecimentos nacionais e internacionais à obra de um dos maiores expoentes da cultura moçambicana.