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Mais de 45 mil pessoas sem água na Macia 

Os moradores de quase todos os bairros da vila da Macia, no distrito de Bilene, em Gaza, queixam-se da falta de água potável. O problema existe há anos e o presidente do município promete soluções, mas não avança prazos.

A falta de água assola os seis bairros da vila de Macia, em Bilene, província de Gaza. São mais de 45 mil munícipes que se queixam deste problema. 

“A pessoa que tem água tem dinheiro para comprar. Mas, se não tem dinheiro, é obrigada a ficar com mau cheiro. Além disso, 25 litros de água custam cinco meticais cada”, avançou Catiana Samo, residente do sexto bairro.

A cada dia a batalha para se ter água potável gera indignação. Crianças, jovens, adultos e idosos lutam por, pelo menos, um bidão de  25 litros do precioso líquido. Passam já seis meses que a água não jorra nas torneiras, deixando os munícipes sem alternativa.

“Neste exato momento, não temos água. Há bastante tempo que não jorra água nas nossas casas. Para ter água, temos que levar bidons de um lado para outro, ou então activar os fornecedores privados’’ lamentou Carlos Paulo, residente do segundo bairro.

São mais de 16 mil famílias do primeiro, segundo e sexto bairros da vila que diariamente enfrentam a escassez de água. “Hoje não tenho dinheiro para comprar água, só posso ficar suja”, queixou-se Maísa Tivane.

Maria Timane, por sua vez, afirma que o sofrimento da falta de água atenua-se nos dias de chuva, uma vez que aproveita esses dias para lavar a roupa. 

Aldana Malaquias e Marcos Tivane vivem no bairro 2, contam que  vezes sem conta os seus filhos vão à escola sem tomar banho, porque a pouca água que se consegue deve ser racionalizada. 

“Já vão seis meses que não temos água aqui. É muito difícil depender dos fornecedores privados e não temos condições. É muito doloroso ver meus filhos irem para escola sem fazer banho, o que vão pensar os outros alunos”. 

O  sexto  bairro é outro ponto da Macia assolado pela crise de água. Argentina Matías diz que, por conta da situação, ela e outros moradores caminham mais de cinco quilómetros.

“Temos que coordenar com transportadores de Txova para ajudar no transporte da água para as casas. Mensalmente, chegamos a pagar mais de mil meticais” e “Temos que caminhar muitos quilómetros para o poço, que não tampa, e é um risco de doenças, mas não temos outra alternativa”, lamentou. 

O presidente da vila municipal da Macia, Ramal Mussagy,  reagiu ao assunto nos seguintes termos: “A capacidade que nós temos para abastecimento de água é para 15 mil pessoas, restando 45 mil pessoas por abastecer” revelou o edil.

 Ramal Mussagy não  tem datas concretas para retomada das obras de construção do sistema  de abastecimento, paralisado há anos. “As obras estão paralisadas por conta da exiguidade de fundos a nível central, mas há um trabalho que está a ser feito para conclusão deste sistema, porque o nível de execução é de 70 por cento”, concluiu o presidente do conselho autárquico da vila da Macia, em Gaza.

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