O cônsul-geral de Moçambique em Macau, Rodrigues Muêbe, disse que já recebeu mais de 79 mil patacas (cerca de 625 mil meticais) numa campanha de recolha de donativos para as vítimas das inundações. Na quarta-feira, o diplomata moçambicano recebeu 45 mil patacas, correspondentes a 4800 euros (357 mil meticais), um valor angariado entre os 19 mil membros da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.
No fim de Janeiro, o Consulado-Geral de Moçambique na região chinesa apelou à recolha de donativos, monetários e em espécie, para as vítimas das inundações que afectaram o país lusófono africano.
Desde então, a representação diplomática recebeu também 18 mil patacas (que correspondem a 141 mil meticais) da Associação de Desenvolvimento de Profissionais Internacionais de Turismo de Macau, assim como 16 mil patacas (pouco mais de 126 mil meticais) em “donativos de anónimos”, disse Muêbe.
Os donativos monetários serão aceites, até ao fim de Maio, nas contas do consulado no Banco Nacional Ultramarino (BNU), que pertence ao Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Já os donativos em espécie serão encaminhados para um ponto de recolha em Cantão, na vizinha província chinesa de Guangdong, de onde será “mais fácil” o transporte para Moçambique, explicou Muêbe.
O cônsul acrescentou que recebeu uma oferta de ajuda da Cruz Vermelha de Macau e que está em contacto com a organização humanitária para coordenar o transporte dos donativos para Cantão.
Também a Escola Portuguesa de Macau realizou, entre os alunos e professores, uma campanha de recolha de artigos, que deverão ser doados, com o apoio do Consulado-Geral de Portugal, na próxima semana, referiu Muêbe.
O consulado tinha lançado um apelo ao “apoio humanitário e solidário junto das instituições público-privadas, associações e pessoas de boa vontade de Macau e da região da Grande Baía”.
A Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau é um projecto de Pequim para integrar os dois territórios de Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong numa região com mais de 86 milhões de habitantes e uma economia superior a um bilião de euros em 2023.
O consulado pediu apoio monetário ou na forma de “roupas, materiais de higiene, medicamentos, alimentos não perecíveis, material didático, utensílios domésticos [e] material de produção agrícola”.
O objectivo é “ajudar as vítimas das cheias e inundações a erguerem as suas vidas”, perante uma “situação que decorre dos efeitos das mudanças climáticas”, lamentou a representação diplomática moçambicana.
Moçambique já recebeu 1,3 mil milhões de meticais e 6,7 mil toneladas de produtos diversos para apoiar vítimas das inundações, anunciou na terça-feira o Governo de Maputo.
Turquia doa quase 260 toneladas de produtos para Moçambique
O Governo turco disponibilizou quase 260 toneladas de produtos para assistência humanitária às comunidades afectadas pelas cheias em Moçambique, que afectaram, nos últimos meses, quase 780 mil pessoas.
“Estão a ser entregues 257,2 toneladas de assistência humanitária às comunidades afectadas, particularmente nas províncias de Gaza, Inhambane e Maputo”, disse Ferhat Alkan, embaixador da Turquia em Moçambique, citado nesta quinta-feira pela comunicação social moçambicana.
O apoio está a ser prestado, entre outros, pela Agência Turca de Cooperação e Coordenação (TIKA) e pela fundação para os assuntos religiosos da Turquia, prevendo-se, nos próximos dias, a disponibilização adicional de ajuda humanitária.
Maria Manso, secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros, assinalou que o apoio é um “gesto nobre” e que “Moçambique agradece profundamente”.
“Hoje, em continuidade, testemunhamos aqui mais uma vez a resposta dos nossos amigos, dos nossos parceiros de cooperação e de todos aqueles que estão connosco, envolvidos nesta causa humanitária”, acrescentou a dirigente.
O número de mortos na actual época das chuvas em Moçambique subiu para 263, com registo de quase 870 mil pessoas afectadas, desde Outubro, segundo actualização feita na quarta-feira pelo Instituto Nacional de Gestão de Desastres.
Foram afectadas 869 035 pessoas na presente época chuvosa, correspondente a 200 843 famílias, havendo também 10 desaparecidos e 331 feridos, segundo o mesmo balanço.
Só as cheias de Janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afectando globalmente 724 131 pessoas.
Os dados do INGD indicam ainda que 555 040 hectares de áreas agrícolas foram afectados neste período, 288 016 hectares dos quais dados como perdidos, atingindo 365 784 agricultores. Também 530 998 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves, e foram afectados 7845 quilómetros de estrada, 36 pontes e 123 aquedutos.
Desde Outubro, o Instituto Nacional de Gestão de Desastres activou 149 centros de acomodação, que albergaram 113 478 pessoas, dos quais 19 ainda estão activos, com pelo menos 5787 pessoas.

