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Macaneta isolada da vila de Marracuene devido ao transbordo do rio Incomáti

Mais de seis mil famílias estão sitiadas no distrito de Marracuene, província de Maputo, como resultado do transbordo do rio Incomáti, que galgou a estrada que liga a praia de Macaneta e a vila de Marracuene.

São cinco os bairros do distrito de Marracuene que estão separados do resto do distrito, devido ao transbordo do rio Incomáti, cujas águas galgaram a estrada que dá acesso à vila de Marracuene, deixando mais de seis mil famílias sitiadas.

Diariamente residentes dos bairros Macandza, Matsinhane, Hobjana e Machubo atravessam a portagem da Macaneta para trabalhar, fazer negócio e adquirir produtos diversos na Vila de Marracuene e noutros pontos da província e cidade de Maputo. Mas desde a manhã desta quarta-feira que as viagens estão interrompidas.

Amina Levine é residente num dos bairros depois da portagem da Macaneta e não sabe como atravessar para ver e proteger os seus filhos de 5 e 2 anos que deixou na sua residência antes da situação chegar a extremos actuais e chora de desespero, tal como muitas outras pessoas que não sabem o que fazer para encontrar os seus familiares.

Sem poder atravessar, as pessoas perguntam-se onde irão passar a noite e de onde virão as refeições.

“Recuamos porque não temos por onde atravessar, nem sequer sabemos onde vamos ficar. Saímos de casa na madrugada de ontem e chegamos às 19h. Não sabemos onde vamos dormir. Só podemos ficar ao relento. À nossa saída, os nossos familiares ficaram sitiados, tendo sido socorridos por embarcações, para zonas altas”, contou Maria Mateus, que revela que foi a vila de Marracuene para comprar mantimentos para sua casa, mostrando-se preocupada por não saber o que será dos seus que estão na outra margem da portagem.

O Edil de Marracuene, Shafee Sidat, fala de mais de seis mil famílias sitiadas e mais de 700 hectares de culturas diversas perdidas. “Os tractores que transportam as pessoas ficarão ilhados, os pequenos comerciantes que vivem do abastecimento da vila vão ter problemas. Portanto, é preciso monitorar a situação para que a população não sofra”, disse Sidat.

Com relação às pessoas impossibilitadas de chegar às suas residências, Shafee Sidat promete abrigo e assegura que estarão seguras até que a situação esteja resolvida. 

“Vamos criar centros de acolhimento urgentemente e vamos alimentá-las enquanto estiverem deste lado e não vamos deixar ninguém passar mal. Já temos três centros de acolhimento com 783 pessoas e vamos continuar a fazer esse trabalho até que isto melhore”, prometeu.

E seguiu, o edil de Marracuene, numa pequena embarcação rio a dentro para orientar, de perto, a retirada de famílias para zonas seguras. Na zona baixa estão alagadas um total de 25 casas e igual número de famílias está na rua. 

Durante horas, a comunidade uniu-se para retirar os bens de todas as casas, desde roupas, até material escolar. Mas não sabem para onde ir. Os munícipes queixam-se da ausência das autoridades no bairro.

A edilidade reuniu todos os afectados pelas inundações e recomendou a comunidade a abrigar as vítimas, uma vez não existirem tendas disponíveis para todos.  

“Neste momento há vítimas de inundações na Matola, Manhiça e outros pontos. O presidente seguiu para socorrer populações de Mbeguelene. Em Macaneta está impossível a circulação. Mesmo quem está deste lado não poderá atravessar. Por isso não podemos prometer tendas. Contudo, saudamos as famílias que abrigaram as vítimas. Porque é uma situação que pode passar em poucos dias. O que queremos garantir é pão e prato de comida, para que possam aguentar por estes dias”, disse Antonieta Manhique, Vereadora da Agricultura e Pesca no município de Marracuene.

O município de Marracuene tem, neste momento, três centros de acolhimento, mas já cogita a possibilidade de abrir mais. 

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