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Kagame diz que multinacionais deviam pagar pela segurança em Cabo Delgado 

O Presidente do Ruanda, Paul Kagame, diz que as empresas multinacionais que operam na província de Cabo Delgado deveriam encontrar uma forma de pagar pela segurança necessária naquele ponto do país. O estadista acusa ainda os EUA de favoritismo à República Democrática do Congo. 

As declarações foram dadas durante uma entrevista do Chefe de Estado ruandês à agência de notícias Jeune Afrique News, divulgada nesta sexta-feira, na qual abordou também assuntos de actualidade política e segurança regional, incluindo o conflito no leste da República Democrática do Congo. 

Quando questionado sobre a retirada ou não das tropas ruandesas na província de Cabo Delgado, Kagame respondeu que a presença das tropas não dependem da União Europeia. 

“A nossa presença lá [em Cabo Delgado] nem sequer depende da União Europeia, que contribuiu com uma fracção do que realmente gastámos. Vinte milhões de dólares? Sim, 20 milhões de dólares, mas gastámos cerca de quatro ou cinco vezes mais para manter uma força policial que tem cerca de 5 mil homens, para além da força policial em geral”, respondeu.

Sobre a necessidade de garantia de segurança no norte de Moçambique, Paul Kagame defende que “as empresas que operam na região, como a Total, a ExxonMobil, e o Governo de Moçambique, cujos activos são estes, deveriam encontrar uma forma de pagar pela segurança necessária. Comparando este montante [20 milhões de dólares da União Europeia] com o volume de investimento, é ínfimo. Portanto, a questão é: precisam ou não de segurança? Se precisam, que paguem por ela. Se não precisam disso, porquê estaríamos nós lá? No dia seguinte, devíamos fazer as malas e ir embora”.

Na  mesma ocasião, o Chefe de Estado do Ruanda acusou os Estados Unidos da América de actos de favoritismo à República Democrática do Congo, após a imposição de sanções a Kigali. 

“Sanções ou ameaças de todo o tipo, literalmente meros insultos a serem lançados contra o Ruanda, como se tivéssemos feito algo para além de nos defendermos e garantir que nenhuma ameaça atravessasse a fronteira para o Ruanda, vinda de qualquer lugar, e isto particularmente do Congo Oriental. É como se estivessem a culpar a vítima e a elogiar o agressor. Portanto, o mais fácil é culpar o Ruanda e manter todas as penalizações e tudo o resto sobre o Ruanda, porque é mais fácil”.

Falando sobre o acordo de Washington, Paul Kagame disse que a parte ruandesa cumpriu com as suas obrigações, ao contrário da República Democrática do Congo, que, segundo ele, cumpre parcialmente ou ignora quase tudo.

 

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