O País – A verdade como notícia

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Mahmoud Ali Youssouf, felicitou, hoje [esta terça-feira], as autoridades gabonesas pelo “sucesso” e “boa organização” nas eleições presidenciais do último fim-de-semana

Os resultados provisórios das eleições deram vitória ao presidente da junta militar de transição, Brice Nguema, com 90,35% dos votos.

Segundo a Lusa, Mahmoud Youssouf pediu aos actores políticos e ao povo gabonês para que “permaneçam calmos e serenos”, enquanto aguardam o anúncio dos resultados finais pelo Tribunal Constitucional do país.

Brice Nguema é o líder da junta militar que governa o país desde o golpe de Estado de Agosto de 2023.

De acordo com os resultados provisórios, divulgados no domingo pelo Ministério do Interior, Brice Nguema obteve uma vitória sem dar qualquer chance ao ex-primeiro-ministro Alain-Claude Bilie-By-Nze, que ficou em segundo lugar com 3,02% dos votos, já os outros seis candidatos receberam não mais do que 1%.

No entanto, Bilie-By-Nze denunciou, segunda-feira, que os resultados foram obtidos de forma “opaca e duvidosa” e que houve várias irregularidades durante a votação, embora tenha dito que não iria recorrer ao Tribunal Constitucional, porque não tem confiança na independência judicial gabonesa.

Pouco mais de 920.000 eleitores de uma população total de cerca de 2,5 milhões de pessoas foram chamados às urnas numa eleição crucial para a transição democrática naquele território, pertencente a uma potência petrolífera na África subsaariana.

A taxa de participação foi de 70,04% em relação às 56,65% nas disputadas eleições presidenciais de Agosto de 2023, que levaram ao golpe de Estado que pôs fim à dinastia da família Bongo, que governava o país desde 1967, refere a mesma fonte.

O Sudão do Sul anunciou, esta segunda-feira, a demissão do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, após uma polémica diplomática com Washington sobre a não readmissão de um africano expulso dos Estados Unidos

Juba tinha anunciado, na terça-feira, que o país iria, finalmente, acolher no seu território um cidadão democrático-congolês expulso pelos Estados Unidos, após uma recusa inicial que tinha provocado a revogação por Washington de todos os vistos concedidos aos sul-sudaneses como represália.

O decreto da demissão de Ramadan Mohamed Abdalla Goc tem a data de quarta-feira, e a divulgação, pela AFP, que foi feita apenas ontem [segunda-feira] cita o diploma em que noticia que o novo chefe da diplomacia é agora Monday Semeya Kumba.

No passado sábado, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, acusou Juba de não aceitar os seus cidadãos expulsos e de se “aproveitar dos Estados Unidos”, anunciando em represália que Washington iria revogar todos os vistos concedidos aos sul-sudaneses, uma medida sem precedentes para a nova administração Trump. Na segunda-feira, os diplomatas sul-sudaneses explicaram que a querela estava ligada ao facto de um cidadão da República Democrática do Congo ter sido deportado para Juba no início de Abril com um nome falso, tendo sido por isso reenviado para os Estados Unidos “de acordo com os protocolos de imigração sul-sudaneses”.

Na sexta-feira, o mesmo ministério anunciou num comunicado de imprensa que “por respeito às relações de amizade entre o Sudão do Sul e os Estados Unidos”, o governo tinha decidido deixá-lo “entrar no país”. Questionada a este respeito, a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tammy Bruce, disse que estava “à espera que o Governo do Sudão do Sul desse seguimento” e que Washington está pronta para rever as medidas “quando o Sudão do Sul cooperar plenamente”.

A Faixa de Gaza está a passar pela sua crise humanitária mais grave desde o início da última ronda do conflito entre Israel e o Hamas, em Outubro de 2023. O alerta é das Nações Unidas.

Em conferência de imprensa, nesta segunda-feira, as Nações Unidas emitiram um alerta severo sobre a catástrofe humanitária em Gaza, afirmando que a situação atingiu o seu pior ponto desde o início das hostilidades, há 18 meses.

“O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários alerta que a situação humanitária provavelmente será a pior dos últimos 18 meses desde o início das hostilidades. Já faz um mês e meio que nenhum suprimento foi autorizado a passar pelas fronteiras para Gaza, de longe a mais longa interrupção desse tipo até o momento. A ajuda humanitária deve estar acima de qualquer tipo de decisão política. E acredito que houve resoluções do Conselho de Segurança, e acho que fomos muito claros sobre o fato de que a ajuda humanitária deve ser livremente acessível a todos que precisam”, disse Stephane Dujarric, Porta-Voz Do Secretário-Geral da ONU.

O porta-voz do secretário geral da ONU vai mais longe ao chamar Israel à responsabilidade. “Israel tem responsabilidades, perante o direito internacional, como potência ocupante, de fornecer adequadamente serviços básicos e ajuda humanitária à população de Gaza. Isso não está a acontecer. Apontaremos as situações, as violações, em nossa opinião, do direito internacional”.

De acordo com funcionários da ONU, os ataques de Israel em Gaza intensificaram-se nos últimos dias, resultando em um grande número de vítimas civis e em maiores danos à já frágil infra-estrutura da Faixa de Gaza. 

Mais de 70% do território foi designado como zona de evacuação ou zona de perigo, seguindo novas ordens israelitas. 

Mesmo as instalações da ONU não foram poupadas pelos ataques de Israel. Os armazéns e centros de distribuição de alimentos da organização, na Cidade de Gaza, teriam sido atacados.

O opositor do brigadeiro-general Oligui Nguema, Alain-Claude Bilie-By-Nze, reconheceu esta segunda-feira a derrota nas eleições de sábado, mas afirmou que a vitória do adversário aconteceu em condições “opacas e duvidosas”. Alain-Claude Bilie-By-Nze teve 3,02% dos votos nas presidenciais no Gabão.

“Eu não ganhei esta eleição, mas será que o vencedor designado a ganhou de facto de forma justa?”, questionou o antigo primeiro-ministro e opositor de Oligui Nguema, denunciando o “enchimento de urnas” e a “supressão de votos” durante a contagem.

Brice Clotaire Oligui Nguema foi eleito à primeira volta com mais de 90% dos votos, 19 meses após o seu golpe de Estado em 30 de Agosto de 2023, segundo os resultados provisórios anunciados no domingo pelo Ministério do Interior.

Os outros seis candidatos não ultrapassaram 1% dos votos. A taxa de participação foi de 70,4%, segundo o Ministério do Interior, citado pelo Notícias ao Minuto.

O candidato Bilie-By-Nze não vai, no entanto, recorrer ao Tribunal Constitucional, que deverá confirmar os resultados provisórios nos próximos dias.

O Gabão, independente da França em 1960, formaliza com estas eleições o fim da dinastia Bongo, no poder desde 1967.

A Argélia instruiu 12 autoridades francesas a deixarem o país em 48 horas, conforme declarado pelo ministro das Relações Exteriores francês na segunda-feira. Esta acção está supostamente relacionada à prisão de três cidadãos argelinos na França.

“Peço às autoridades argelinas que abandonem essas medidas de expulsão. Se a decisão de enviar de volta nossos funcionários for mantida, não teremos outra escolha a não ser responder imediatamente”, disse o ministro das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot.

Uma fonte diplomática, citada pela Africannews, revelou que entre os que foram convidados a sair estão membros do Ministério do Interior francês.

Este incidente ocorre após a acusação de três argelinos, incluindo um funcionário consular, por promotores franceses na sexta-feira, suspeitos de participar do sequestro do influenciador argelino Amir Boukhors em um subúrbio de Paris em abril de 2024.

Conhecido como “Amir DZ”, Boukhors é um opositor ferrenho do governo argelino, acumulou mais de um milhão de seguidores no TikTok e recebeu asilo político em 2023.

O governo argelino está pedindo seu retorno para enfrentar processos judiciais, tendo emitido nove mandados de prisão internacionais contra ele por suposta fraude e terrorismo.

Essa situação coloca pressão adicional sobre um relacionamento já deteriorado. Durante décadas, os laços entre Paris e Argel foram complexos, apesar dos esforços contínuos para fortalecer o relacionamento.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, nomeou, hoje, um ex-vice-ministro das Finanças como enviado especial aos Estados Unidos, após a expulsão do seu embaixador, no mês passado, pelo governo Trump.

Ramaphosa disse que a nomeação de Mcebisi Jonas vai ajudar a África do Sul a reconstruir a sua relação com os Estados Unidos da América (EUA), que se deteriorou rapidamente desde que Donald Trump assumiu o cargo de Presidente desse país, segundo escreve Notícias ao Minuto.

Trump acusou o Governo sul-africano de maltratar a minoria branca no seu país e criticou a sua política externa como antiamericana. Em Fevereiro, assinou um decreto executivo que cortou o financiamento dos EUA à África do Sul devido a essas questões.

O Presidente norte-americano continuou as suas críticas, através de publicações numa rede social este fim de semana, quando disse que os EUA não queriam participar na cimeira do G20 este ano se esta se realizasse na África do Sul, como previsto. 

Refira-se que a África do Sul detém a presidência rotativa do grupo G20 de países desenvolvidos e em desenvolvimento e deverá receber os líderes mundiais e os principais diplomatas numa cimeira em Joanesburgo, em novembro.

Nessa publicação, Trump insistiu que a África do Sul está a permitir a apreensão de terras a agricultores brancos “e depois a matá-los e às suas famílias”, acusações repetidamente negadas pela África do Sul, que diz serem alegações baseadas em desinformação.

A África do Sul aprovou uma lei de expropriação de terras, que permite que estas sejam tomadas pelo Governo sem indemnização se for do interesse público, criticada por alguns grupos minoritários brancos, embora ainda não tenham sido tomadas terras ao abrigo da nova lei.

A ordem executiva de Trump também criticou a África do Sul por apresentar no Tribunal Internacional de Justiça a acusação contra Israel, aliado dos EUA, de genocídio contra os palestinianos em Gaza.

O embaixador da África do Sul nos Estados Unidos, Ebrahim Rasool, foi expulso em março por causa de uma palestra onde criticou as novas dinâmicas políticas nos EUA, dizendo que Trump estava a lançar “um ataque à incumbência – aqueles que estão no poder” e que o movimento ‘Make America Great Again’ era em parte resultado de um “instinto supremacista”.

O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que Rasool era um “político que se aproveita da raça” e que odeia Trump, declarou-o ‘persona non grata’ e ordenou-lhe que deixasse os EUA.

A África do Sul ainda não nomeou um novo embaixador.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou-se “profundamente alarmado e chocado” com o ataque de mísseis russos à cidade ucraniana de Sumy, que matou 34 pessoas e feriu mais de uma centena.

O ataque perpetua “uma série devastadora de ataques semelhantes a cidades e aldeias ucranianas nas últimas semanas, que causaram vítimas civis e destruição em grande escala”, afirma Guterres, este domingo, num comunicado assinado pelo porta-voz, Stéphane Dujarric, citado por Notícias ao Minuto.

“O secretário-geral sublinha que os ataques contra civis e objetos civis são proibidos pelo direito humanitário internacional e que tais ataques, onde quer que ocorram, devem cessar imediatamente”, acrescenta o texto.

O comunicado diz ainda que Guterres “renova o seu apelo a um cessar-fogo duradouro na Ucrânia e reitera o apoio das Nações Unidas aos esforços significativos para alcançar uma paz justa, duradoura e abrangente, que defenda plenamente a soberania, a independência e a integridade territorial da Ucrânia”, em conformidade com o direito internacional e as regras e resoluções da Organização das Nações Unidas.

De acordo com o Serviço de Emergência do Estado ucraniano, pelo menos 34 pessoas, incluindo duas crianças, foram mortas no ataque contra Sumi, no Domingo de Ramos, numa zona movimentada da cidade onde existe uma igreja, e 117 outras pessoas, incluindo 15 menores, ficaram feridas.

O chefe dos serviços secretos militares ucranianos, Kiril Budanov, explicou que a Rússia utilizou dois mísseis Iskander-M/KN-23, que foram lançados pelas brigadas 112 e 448 do exército russo a partir do território das regiões russas de Voronezh e Kursk.

A Rússia lançou uma ofensiva nesta primavera contra as regiões de Sumy e da vizinha Kharkov, numa altura em que os Estados Unidos estão a tentar orquestrar um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia.

Faure Gnassingbé, presidente do Togo, dará continuidade às tentativas de mediação da União Africana, no conflito entre as forças armadas congolesas e o grupo rebelde M23, no leste da RDC.

Gnassingbé vai substituir o presidente angolano João Lourenço, que deixou o cargo no mês passado, para priorizar a presidência angolana da União Africana.

“Angola reconhece a necessidade de se libertar da responsabilidade de mediar este conflito… para se concentrar de forma mais abrangente nas prioridades gerais estabelecidas pela organização continental”, afirmou Luanda em comunicado, citado pela African News.

Recorde-se que, em Janeiro de 2025,  o M23 lançou uma ofensiva rápida na província de Kivu do Norte e assumiu o controlo das cidades de Goma e Bukavu.

Por meio da mediação de Angola, Kinshasa concordou em conduzir negociações com o grupo rebelde, mas as negociações programadas para meados de Março fracassaram, pois o M23 se retirou no último minuto, após sanções da UE a alguns líderes do grupo rebelde. 

Para a União Africana, liderar as negociações de paz tornou-se ainda mais complexo devido a um processo de mediação paralelo lançado pelo Catar.

Em uma reunião surpresa em Doha em Março, os presidentes congolês e ruandês envolveram-se em discussões directas pela primeira vez desde que o M23 assumiu as cidades de Goma e Bukavu, no leste da RDC, no início deste ano.

O general Brice Oligui Nguema, líder da junta militar à frente do Gabão desde o golpe de Estado de 2023, venceu as eleições presidenciais de sábado, com mais de 90% dos votos.

Segundo a DW, o líder da junta militar obteve um resultado que não deixava margem para dúvidas: “Eleito, com a maioria absoluta desta votação, com 575.222 votos, ou seja, 90,35%, o Sr. Brice Clotaire Oligui Nguema.”

Os resultados provisórios foram anunciados ao início da noite deste domingo pelo presidente da Comissão de Eleições e ministro do Interior do Gabão, Hermann Immongault, quando havia ainda alguns votos por contar.

Brice Clotaire Oligui Nguema, general de 50 anos, derrotou o antigo primeiro-ministro Alain Claude Bilie-By-Nze, que reuniu apenas 3% dos votos, enquanto os restantes seis candidatos presidenciais não ultrapassaram 1%.

O Ministério do Interior, citado pela DW, anunciou ainda uma afluência às urnas de 87,21% nas eleições presidenciais de sábado, em que cerca de 920 mil eleitores, incluindo mais de 28 mil estrangeiros, estavam registados para participar em mais de 3 mil assembleias de voto.

Após sua vitória, Nguema disse à Al Jazeera, em uma entrevista, que pretende restaurar a dignidade do povo gabonês.

“Devolverei ao povo o que me deram hoje. E tudo o que foi roubado do povo, quero devolver a eles”, disse Nguema a Al Jazeera.

Nguema declarou que a política externa do país foi um sucesso, citando o aumento do engajamento internacional e as conquistas diplomáticas sob sua liderança.

“Temos uma política externa que pretendo tornar assertiva”, disse ele, acrescentando que o Gabão se posicionou como um parceiro cooperativo com grandes potências globais, incluindo Estados Unidos, França, Rússia e China.

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