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O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, frisou que espera um acordo justo com os Estados Unidos sobre o acesso das empresas norte-americanas aos minerais estratégicos da Ucrânia, em troca da ajuda de Washington para lidar com Moscovo.

Zelenski garantiu que as equipas ucraniana e norte-americana estão a trabalhar num projecto, de acordo entre os respectivos Governos. Por outro lado, disse esperar um resultado justo, depois de ter rejeitado uma versão inicial deste acordo.

Os EUA adiantam que o presidente ucraniano  vai assinar, em breve,  o acordo de exploração de terras raras proposto por Washington, para recuperar o dinheiro atribuído durante o conflito.

O primeiro esboço do acordo não agradou a Zelensky, por não incluir garantias de segurança, mas incluir um benefício de 50% para os Estados Unidos na exploração destes depósitos.

A posição de Zelensky gerou inquietação na Casa Branca, que fez novas alterações para o convencer.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu, esta quinta-feira, encerrar o Status de Proteção Temporária de haitianos até o dia 3 de agosto de 2025, seis meses antes do prazo previsto. A medida anunciada pelo Departamento de Segurança Interna já enfrenta desafios na Justiça. O fim desta protecção pode levar à deportação de mais de 520 mil haitianos, que vivem e trabalham na américa desde o terremoto de 2010.

Durante a sua campanha, Donald Trump prometeu acabar com o Status de Proteção Temporária para mais de 1 milhão de pessoas de 17 países, incluindo Moçambique. O republicano já havia tentado revogar a proteção dos haitianos em 2019, mas foi barrado pela Justiça. O governo Biden renovou o benefício até 2026, mas agora o Departamento de Segurança Interna alega que o programa foi abusado e explorado e precisa ser reestruturado. 

Defensores dos migrantes denunciam a decisão e prometem contestar na Justiça, afirmando que esse prazo iminente pode forçar milhares de cidadãos haitianos a deixar um país onde construíram suas vidas durante anos.

O Haiti, devastado pela violência de gangues e uma crise política, continua a ser um país perigoso, com mais de 5600 mortes até 2024, segundo a Organização das Nações Unidas.

Refira-se que constam, também, da lista publicada em Novembro de 2024, pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos catorze moçambicanos que podem estar em risco de serem deportados. 

A medicina Israelitas comprovou que um dos corpos entregues pelo Hamas, esta quinta-feira, no cumprimento do acordo de cessar-fogo não é da jovem Shiri Bibas, raptada juntamente com os seus dois filhos de dois e cinco de idade em Outubro de 2023. 

A troca de reféns entre Israel e Hamas no quadro do acordo de cessar-fogo em vigor desde 19 de Janeiro conheceu uma nova página, esta quinta-feira. 

É que dos quatro corpos entregues pelo grupo palestino, um não condiz com as características da cidadã israelita, Shiri Biba, mãe de duas crianças também raptadas e mortas, no dia 7 de Outubro de 2023.

A informação foi tornada pública pelas autoridades israelitas após exames forenses que revelarem que um dos corpos de reféns israelenses devolvidos não era o esperado. 

Em comunicado à imprensa, esta sexta-feira, Israel acusou o Hamas de ter assassinado as crianças.

“Ao contrário das mentiras do Hamas, Ariel e Kfir não foram mortos num ataque aéreo. Ariel e Kfir Bibas foram assassinados por terroristas a sangue frio. Os terroristas não dispararam sobre os dois rapazes. Mataram-nos com as próprias mãos. Depois, cometeram actos horríveis para encobrir essas atrocidades. Esta avaliação baseia-se em descobertas forenses do processo de identificação e em informações que suportam as descobertas”, lê-se no comunicado.

Para além da Shiri Bibas, de 32 anos, seus filhos Ariel e Kfir, de cinco e dois anos, foi entregue o corpo do ativista pacifista Oded Lifshitz, de 84 anos de idade. O acto público de entrega dos reféns protagonizado pelo grupo palestiano, foi caracterizado como provocação e desprezo a vida humana.

Na quinta-feira, os Estados Unidos sancionaram um ministro do Governo ruandês, por seu suposto papel no conflito na República Democrático do Congo (RDC), onde o grupo rebelde M23 luta contra o exército congolês e captura mais territórios, incluindo duas cidades importantes.

Junto com o ministro ruandês para integração regional, James Kabarebe, os EUA também sancionaram um porta-voz dos M23, Lawrence Kanyuka Kingston. Duas empresas ligadas a Kanyuka e registadas na Grã-Bretanha e na França também foram sancionadas.

Os rebeldes do M23 são os mais proeminentes dos mais de 100 grupos armados que disputam o controle dos trilhões de dólares em riquezas minerais do leste do Congo.

A expansão sem precedentes dos rebeldes ocorreu após anos de combates, quando o grupo M23 assumiu o controle, em uma ofensiva relâmpago de três semanas, da principal cidade do leste do Congo, Goma, e tomou a segunda maior cidade, Bukavu, no domingo.

Os EUA instaram “os líderes de Ruanda a encerrarem seu apoio ao M23” e retirarem todas as tropas ruandesas do Congo. Especialistas da ONU dizem que há cerca de 4 mil tropas do Ruanda no Congo.

A porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Tammy Bruce, disse em uma declaração à imprensa, segundo escreveu o African News, que os EUA também pedem aos governos do Congo e de Ruanda “que responsabilizem os responsáveis ​​por violações e abusos dos direitos humanos”.

O anúncio dos EUA disse que Kabarebe, o ministro ruandês que também é um oficial militar aposentado, tem mantido contato com os rebeldes do M23 e administrado a receita e a exportação de minerais que os rebeldes apoiados por Ruanda adquiriram no leste do Congo.

“A ação de hoje ressalta nossa intenção de responsabilizar autoridades e líderes importantes como Kabarebe e Kanyuka”, disse Bradley T. Smith, subsecretário interino do Tesouro.

Desde o início da ofensiva rebelde em Goma, em 26 de Janeiro, mais de 700 pessoas foram mortas e quase 3 mil ficaram feridas na cidade e arredores, dizem autoridades.

O Myanmar (antiga Birmânia), a Tailândia e a China iniciaram, esta quinta-feira, uma operação de grande envergadura para repatriar centenas de chineses, que foram resgatados a partir de centros de “burla online”, onde eram alegadamente mantidos em cativeiro.

O primeiro grupo, composto por dezenas de pessoas, embarcou num voo operado pela China Southern Airlines, que descolou do aeroporto tailandês de Mae Sot (noroeste) por volta das 11h30, com destino a Xishuangbanna (sul da China).

Atravessaram a fronteira ao início da manhã sob forte segurança, escondendo os seus rostos da imprensa. O plano é repatriar 200 chineses, durante o dia de hoje, de acordo com as autoridades tailandesas.

Estão previstos cerca de 16 voos até sábado, para cerca de 600 pessoas. O repatriamento de todas as pessoas em causa poderá demorar semanas e não foram anunciados pormenores sobre o que lhes irá acontecer na China.

O primeiro-ministro tailandês, Paetongtarn Shinawatra, disse, na quarta-feira, que cerca de sete mil pessoas estavam à espera de serem libertadas, enquanto um representante da Força de Guarda Fronteiriça do Estado de Karen (BGF), uma milícia étnica que actua no Myanmar, estimou o número em 10 mil.

Esta operação surge após meses de protestos da China, uma vez que as vítimas são maioritariamente chinesas: empregadas à força em centros que realizam burlas pela Internet.

“Duzentos cidadãos chineses envolvidos em jogos de azar ‘online’, fraudes nas telecomunicações e outros crimes foram entregues, esta manhã, pela Tailândia, de acordo com os procedimentos legais, num espírito de humanidade e amizade entre os países”, declarou a junta do Myanmar, citada por Lusa.

Mae Sot fica apenas a 10 quilómetros, em linha reta, de Shwe Kokko, uma cidade do Myanmar que construiu a sua prosperidade com base numa variedade de actividades de tráfico, com impunidade quase total.

Os gigantescos complexos onde se executam actividades fraudulentas abundam nas regiões fronteiriças do Myanmar, consideradas zonas sem lei, devido à guerra civil que abateu o país desde o golpe de Estado de Fevereiro de 2021.

Segundo os especialistas, as redes mafiosas recorrem à força para empregar mão-de-obra predominantemente chinesa, na sua maioria através de traficantes de seres humanos, para executar fraudes que geram milhares de milhões de dólares por ano.

Nos últimos meses, Pequim intensificou a pressão sobre a junta do Myanmar, da qual é um dos principais fornecedores de armas, para que ponha fim a estas atividades. De acordo com um relatório das Nações Unidas publicado em 2023, os centros de fraude empregam pelo menos 120 mil pessoas no Myanmar.

O mesmo relatório da conta de que muitas das vítimas foram sujeitas a tortura, detenção arbitrária, violência sexual e trabalho forçado. Muitos trabalhadores dizem que foram atraídos ou enganados por promessas de empregos bem remunerados, apenas para serem mantidos em cativeiro, pois os seus passaportes foram confiscados.

No início de Fevereiro, um outro grupo de milícias do Myanmar entregou 260 alegadas vítimas de uma dúzia de países, incluindo as Filipinas, Etiópia, Brasil e Nepal, às autoridades tailandesas.

Muitas delas apresentavam sinais de violência física, incluindo uma mulher que tinha enormes hematomas no braço e na coxa e que disse ter sido eletrocutada.

Ainda em Fevereiro, a Tailândia cortou o fornecimento de eletricidade a várias regiões fronteiriças do Myanmar, incluindo Shwe Kokko, numa tentativa de travar o aumento das atividades ilegais.

O reino quer dar garantias de segurança aos visitantes chineses, que são cruciais para o seu setor turístico. Os receios dos chineses aumentaram com o rapto, em Banguecoque, de um ator chinês, que foi levado à força para um centro de fraude no Myanmar, antes de ser libertado no início de janeiro.

Altos funcionários das Nações Unidas na África alertaram, em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, na quarta-feira, que a ofensiva dos rebeldes M23 no leste do Congo ameaça a paz na região. 

“É imperativo que este conselho tome medidas urgentes e decisivas para evitar uma guerra regional mais ampla”, disse Bintou Keita, enviado especial da ONU para o Congo.

A tomada de grandes cidades no leste do Congo pelo grupo rebelde M23, nas últimas semanas e declarações de partes importantes mostram que “o risco de uma conflagração regional é mais real hoje do que nunca”, disse Huang Xia, enviado especial da ONU para a região dos Grandes Lagos da África, que inclui Congo, Burundi, Ruanda e Uganda.

O embaixador francês na ONU, Nicolas De Riviere, pediu ao conselho que adotasse rapidamente um projeto de resolução divulgado por seu país há duas semanas, que reafirma o apoio à integridade territorial e à soberania do Congo, pede o fim da ofensiva do M23 e a retirada das tropas ruandesas, e pede a retomada urgente das negociações.

“O risco de uma guerra regional aumenta a cada dia”, disse o embaixador.

Jair Bolsonaro foi, esta terça-feira, acusado formalmente pela tentativa de golpe de Estado, depois de perder as eleições presidenciais de 2022, para impedir a posse de Lula da Silva, segundo avançou a Folha de São Paulo.  

O ex-presidente brasileiro foi acusado pela Procuradoria-Geral da República de praticar crimes de tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito, e também de golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça contra património da União 

deterioração de património destruído, além de participação numa organização criminosa, que “tinha como líderes o próprio Presidente da República e o seu candidato a vice-presidente, o General Braga Neto”.

Bolsonaro, por sua vez, diz estar “indignado e estarrecido”. “Aqui se relatam factos protagonizados por um Presidente da República que forma com outros personagens civis e militares organização criminosa e estruturada, para impedir que o resultado da vontade popular expressa nas eleições presidenciais de 2022 fosse cumprida, implicando a continuidade no Poder sem o assentimento regular do sufrágio universal” afirma o procurador-geral brasileiro, Paulo Ganet, na acusação, segundo  cita a imprensa  brasileira.

O procurador-geral defende ainda que Bolsonaro sabia e concordou com o plano para matar Lula da Silva. 

“Os membros da organização criminosa estruturaram, no âmbito do Palácio do Planalto, um plano de ataque às instituições, com vista à derrocada do sistema de funcionamento dos Poderes e da ordem democrática, que recebeu o sinistro nome de “Punhal Verde Amarelo”. O plano foi arquitetado e levado ao conhecimento do Presidente da República, que a ele anuiu”, acrescentou Ganet.

A denúncia feita ao Supremo Tribunal Federal do Brasil inclui outras 33 pessoas, entre elas o ex-ministro brasileiro Walter Braga Netto, candidato a vice-presidente em 2022, que actualmente se encontra em prisão preventiva. Caso o Supremo aceite a acusação, o ex-Chefe de Estado brasileiro passará à condição de réu e será julgado. O processo será liderado pelo juiz Alexandre de Moraes, ministro do STF.

O Papa Francisco foi diagnosticado, esta terça-feira, com “pneumonia bilateral”.  Segundo informou o Vaticano, os exames médicos e o estado de saúde do pontífice “continuam a apresentar um quadro complexo”.

Segundo o Vaticano, o “Papa Francisco está de bom humor” e pediu aos fiéis que continuassem a “rezar por ele”. 

“A TAC a que o Santo Padre foi submetido, esta tarde, prescrita pela equipa de saúde do Vaticano e pela equipa médica da Fundação Policlínica ‘A. Gemelli’, mostrou o aparecimento de uma pneumonia bilateral que exigiu uma terapia farmacológica adicional”, lê-se no mais recente boletim sobre o estado de saúde do Papa Francisco, divulgado pelo Vaticano.

Ainda assim, “o Papa Francisco está de bom humor”. “Esta manhã, recebeu a Eucaristia e, durante o dia, alternou o repouso com a oração e leitura de textos”, acrescentou o Vaticano.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, criticou, esta terça-feira, a reunião russo-americana, que decorreu na Arábia Saudita, caracterizando-a como conversações sobre a invasão russa da Ucrânia “sem a Ucrânia”.

“As negociações estão agora a decorrer entre representantes russos e norte-americanos. Mais uma vez, sobre a Ucrânia e sem a Ucrânia”, condenou o líder ucraniano, durante a sua deslocação à Turquia.

A Turquia, membro da NATO, acolheu por duas vezes as conversações entre Moscovo e Kyiv em 2022.

Ancara conseguiu manter os seus laços com Moscovo e Kyiv, fornecendo drones de combate e navios de guerra aos ucranianos e ficou de fora da aplicação das sanções ocidentais contra a Rússia.

Zelensky deslocou-se, ontem, para Ancara, para um encontro com o seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, de quem espera obter apoio.

Simultaneamente, altos funcionários de Washington e Moscovo, liderados pelos respectivos chefes da diplomacia, iniciaram, em Riade, conversações para reavivar relações afectadas pela invasão russa da Ucrânia, em Fevereiro de 2022, e para preparar uma possível cimeira entre Donald Trump e Vladimir Putin.

Trata-se da primeira reunião russo-americana a este nível e neste formato, desde o início do conflito.

Depois de ter sido apontada a deslocação de Zelensky à Arábia Saudita na quarta-feira, o governante fez saber que reagendou a deslocação para 10 de Março, alegando que os responsáveis ucranianos não foram convidados para as conversações russo-americanas.

 Zelensky sugeriu que queria evitar que a sua visita a Riade fosse associada às conversações que lá decorrem.

“Somos honestos e abertos, e não quero coincidências. É por isso que não vou à Arábia Saudita”, declarou.

Em declarações à imprensa a partir de Ancara, Zelensky apelou ainda a conversações “justas” sobre a guerra na Ucrânia, incluindo a União Europeia, o Reino Unido e a Turquia.

“A Ucrânia, a Europa no sentido mais lato – que inclui a União Europeia, a Turquia e o Reino Unido – devem participar nas discussões e na elaboração das garantias de segurança necessárias com os Estados Unidos da América relativamente ao destino da nossa parte do mundo”, defendeu.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, já propôs, entretanto, a Turquia como o “anfitrião ideal” para as negociações de paz do conflito entre a Rússia e a Ucrânia.

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