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O ex-chefe de Estado,  Joseph Kabila, acredita que Félix Tshisekedi pretende se tornar o “governante absoluto do país”, silenciando a oposição e recorrendo à “intimidação, prisões arbitrárias e execuções extrajudiciais”.

O ex-líder da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, declarou, no domingo, que a má governação de seu sucessor, o presidente Felix Tshisekedi, contribuiu significativamente para a escalada do conflito na região leste do país do Congo.

Em um artigo de opinião, publicado no Sunday Times da África do Sul, e citado pelo AfricaNews,  Kabila argumentou que a agitação não pode ser atribuída apenas aos avanços do grupo armado M23, apoiado por Ruanda, ou às tensões entre Kinshasa e Kigali.

O M23 ganhou rapidamente o controle de grandes áreas do leste da República Democrática do Congo, rico em recursos, nas últimas semanas, levantando preocupações de que o conflito possa se estender além das fronteiras do país.

Kabila observou que desde que Tshisekedi assumiu o cargo em 2019, após sua vitória eleitoral, a situação na RDC piorou a um ponto em que está “perto de implodir ” .

Ele descreveu as eleições de Dezembro de 2023, que resultaram em uma vitória esmagadora para o segundo mandato de Tshisekedi, como uma “farsa “, acusando o governo de reprimir a oposição política e permitir que o presidente se tornasse o “mestre absoluto do país”.

Kabila destacou questões como intimidação, prisões arbitrárias, execuções extrajudiciais e o exílio forçado de políticos, jornalistas e líderes religiosos como características principais do Governo de Tshisekedi.

Kabila alertou que negligenciar essas questões subjacentes e focar apenas no M23 resultaria em instabilidade política contínua, conflito armado e potencialmente guerra civil.

A África do Sul enviou mais de mil soldados para a RDC, como parte de uma missão da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), composta por 16 membros, para ajudar o Governo e estabilizar a área.

No mês passado, quatorze soldados sul-africanos perderam a vida no conflito.

O presidente do Congo declarou sua intenção de estabelecer um Governo de unidade, enquanto a violência se intensifica na parte oriental do país e as críticas aumentam em relação à sua resposta à situação.

Em seus primeiros comentários, desde que rebeldes do grupo M23, apoiados por Ruanda, tomaram o controle de cidades importantes no leste do Congo, o presidente Felix Tshisekedi discursou para a coalizão governante da União Sagrada da Nação, pedindo aos membros que se concentrassem na unidade em vez de disputas internas.

“Posso ter perdido uma batalha, mas não a guerra. Preciso me envolver com todos, incluindo a oposição. Um governo de unidade nacional será formado”, declarou Tshisekedi.

Os rebeldes do M23, os mais notáveis ​​entre mais de 100 grupos armados que competem pelo poder no leste do Congo, avançaram rapidamente pela área, capturando cidades vitais e resultando em aproximadamente 3 mil mortes.

Em uma rápida campanha de três semanas, o M23 assumiu o controle de Goma, a principal cidade do leste do Congo, e também tomou Bukavu, a segunda maior cidade.

Segundo especialistas da ONU, os rebeldes são apoiados por cerca de 4.000 soldados ruandeses e ameaçaram avançar até Kinshasa, a capital, localizada a mais de 1.600 quilômetros de distância.

O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló, anunciou que as eleições gerais, no seu país, serão realizadas a 30 de Novembro. O chefe de Estado afirmou ainda  que não vai conversar com os partidos. 

O anúncio foi feito no domingo,  mesmo dia que chegou à Guiné Bissau uma delegação de alto nível da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), para mediar a crise política em torno da marcação de eleições presidenciais e legislativas. 

Refira-se que Sissoco Embaló completa cinco anos de mandato na Presidência da Guiné-Bissau na quinta-feira.

As Forças de Apoio Rápido do Sudão (RSF) e outros 23 grupos político-militares assinaram, hoje, em Nairobi, um acordo para formar um governo paralelo, segundo uma carta citada pela imprensa internacional. 

Na carta política da chamada Aliança Fundadora do Sudão, os grupos paramilitares e políticos acordam princípios e fundamentos para a construção de uma nova nação, que seja um Estado secular e democrático, baseado num princípio de unidade voluntária e descentralizado.

A assinatura deste acordo teve lugar este sábado na capital queniana, após meses de conversações entre as partes envolvidas, sem que os paramilitares e os seus parceiros tenham feito qualquer declaração sobre o significado deste documento a curto prazo.

Na carta, citada pela imprensa internacional, os grupos afirmam querer que o novo governo nas zonas controladas pelos paramilitares, como o Darfur ocidental e partes do Kordofan, se baseie na liberdade, igualdade, justiça e respeito pela diversidade.

O documento não especifica onde ficaria a sede do governo, mas afirma que seu objectivo será acabar com a guerra e garantir o acesso à ajuda humanitária sem obstáculos.

As Forças Civis Unificadas, uma ampla coligação de partidos políticos, representantes da sociedade civil e facções armadas, também confirmaram a assinatura à Agência France Press.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas adoptou, por unanimidade, uma resolução pedindo um cessar-fogo imediato e incondicional na República Democrática do Congo (RDC).

Rebeldes, supostamente apoiados por Ruanda, tomaram o controle de duas cidades importantes na região oriental do Congo, rica em minerais, em menos de um mês, após uma grande escalada em seu conflito de longa data com as forças congolesas.

Nicolas de Rivière é o Representante das Nações Unidas na França: “Não há solução militar para o conflito. A ofensiva do M23, apoiada por Ruanda, deve acabar. A prioridade agora é chegar a um acordo de cessar-fogo efetivo, incondicional e imediato.”

O presidente de Ruanda, Paul Kagame, acusou o presidente congolês Felix Tshisekedi de negligenciar as preocupações dos tutsis étnicos do Congo e de desconsiderar acordos de paz anteriores.

“Embora o Conselho tenha levado algum tempo para chegar a um consenso, sua resiliência é evidente. Em nome do Governo e de todos os cidadãos da República Democrática do Congo, especialmente aqueles de Bunagana a Kamanyola, Goma, Sake, Minova, Nyabibwe, Kalehe, Kavumu e Bukavu, agradeço sinceramente a todos os membros do Conselho”, disse Zénon Mukongo Ngay, o Representante das Nações Unidas na República Democrática do Congo.

Os rebeldes são apoiados por aproximadamente 4.000 tropas da vizinha Ruanda, de acordo com especialistas da ONU. Às vezes, eles ameaçaram marchar até a capital do Congo, Kinshasa, localizada a mais de 1.000 milhas de distância.

Papa Francisco regista melhorias, neste domingo, segundo revelou o Vaticano. A informação surge após  o mesmo Vaticano ter informado, ontem,  que o estado de saúde do Sumo Pontífice era crítico. 

De 88 anos de idade, Francisco está hospitalizado há mais de uma semana. Na noite de sábado, foi revelado que o Sumo Pontífice estava em estado crítico e com prognóstico reservado, na sequência de uma crise respiratória asmática que obrigou a grandes fluxos de oxigénio. 

De acordo com informação do Vaticano, o Papa recebeu também transfusões de sangue devido a um problema associado a anemia e encontrava-se com mais dores do que na sexta-feira.

Até à última sexta-feira, não havia indícios de septicemia e o papa Francisco estava a reagir aos vários medicamentos que está a tomar, explicou a equipa médica do Papa, na sua primeira actualização aprofundada sobre o estado do chefe da Igreja Católica.

O Papa Francisco, que tem uma doença pulmonar crónica e é propenso a bronquites no inverno, foi internado no hospital Gemelli no dia 14 de Fevereiro.

A idade do papa, as complicações recorrentes com doenças pulmonares e as frequentes bronquites no inverno agravam a preocupação dos médicos, que tiveram de recorrer a oxigénio de elevado fluxo para tentar debelar a doença.

Uma delegação da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) chega, no domingo, à Guiné-Bissau, para mediar a crise política centrada nas eleições presidenciais, que vão ocorrer quase no fim do mandato, pela segunda vez consecutiva.

semelhança do que aconteceu há cinco anos com o antecessor José Mário Vaz, também o Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, completa os cinco anos de mandato sem a marcação de eleições.

Depois de meses de discussão, a CEDEAO decidiu enviar mais uma delegação à Guiné-Bissau para mediar a crise política com vista à marcação de eleições.

O Governo da Guiné-Bissau anunciou recentemente que vai propor ao Presidente da República eleições gerais para o período previsto na lei eleitoral, depois da estação das chuvas, entre 23 de outubro e 25 de novembro.

As eleições legislativas antecipadas já estiveram marcadas para 24 de novembro de 2024, mas foram adiadas a poucas semanas da data, alegando falta de condições técnicas.

A Assembleia Nacional Popular está fechada desde dezembro de 2023, data em que Sissoco Embaló dissolveu a maioria PAI-Terra Ranka, liderada pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e nomeou um Governo de iniciativa presidencial.

À dissolução, antes de decorridos os 12 meses depois das legislativas estipulados na Constituição, seguiu-se a substituição do presidente da Assembleia, Domingos Simões Pereira, líder da PAI-Terra Ranka e do PAIGC, por Satu Camará.

Desde então, há duas comissões permanentes a funcionar, a presidida por Satu Camará e a de Domingos Simões Pereira, que se encontra fora do país e continua a convocar reuniões online.

Domingos Simões Pereira, que foi adversário de Umaro Sissoco Embaló, em 2019, tem insistido na reposição da ordem constitucional, mas sobretudo na realização de eleições presidenciais.

O líder da PAI-Terra Ranka e a oposição ao regime de Sissoco Embaló defendem que o mandato do Presidente termina em 27 de fevereiro e que as eleições deviam ocorrer antes para o sucessor tomar posse imediatamente a seguir.

Sissoco Embaló entende que o mandato só termina em 04 de setembro, data da decisão judicial sobre o recurso de Domingos Simões Pereira dos resultados das presidenciais de 2019.

A posição do Presidente teve o aval do Procurador-geral da República e do Supremo Tribunal de Justiça, num despacho assinado pelo presidente do órgão que tem também a competência de Tribunal Constitucional.

A oposição diz que o poder judicial e todos os órgãos de soberania “estão sequestrados” pelo chefe de Estado e para Simões Pereira a Guiné-Bissau passa a ser “um não Estado” a partir de 27 de fevereiro, com todos os órgão a funcionarem ilegalmente.

Simões Pereira é uma das vozes que defende que a partir de fevereiro há vacatura na Presidência da República e Sissoco Embaló deve ser substituído interinamente pelo presidente da Assembleia.

O mesmo foi pedido há cinco anos quando o antecessor, José Mário Vaz, completou cinco anos de mandato em 24 de junho de 2019 e as eleições só tiveram lugar em novembro, uma situação considerada então “peculiar”.

Na época, a Assembleia Nacional Popular aprovou uma resolução a determinar a cessação imediata das funções constitucionais do Presidente da República e a sua substituição no cargo pelo presidente do parlamento, que não se efetivou.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, telefonou para o Vaticano para desejar uma rápida recuperação ao Papa Francisco, internado desde sexta-feira passada, no hospital Gemelli, em Roma, por problemas respiratórios causados por bronquite, complicada por pneumonia.

Guterres, católico praticante, conversou com o cardeal Petro Parolin, secretário de Estado da Santa Sé, para transmitir a sua mensagem, lembrando-lhe “quão importante é o papa, não só para a Igreja, mas para o mundo inteiro”.

O médico Sergio Alfieri, chefe de cirurgia do hospital Gemelli de Roma e que operou Francisco em ocasiões anteriores, sublinhou esta sexta-feira que a vida do pontífice “não está em perigo” e que “está muito melhor do que como chegou”, mas acrescentou que “a sua situação é grave”.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, frisou que espera um acordo justo com os Estados Unidos sobre o acesso das empresas norte-americanas aos minerais estratégicos da Ucrânia, em troca da ajuda de Washington para lidar com Moscovo.

Zelenski garantiu que as equipas ucraniana e norte-americana estão a trabalhar num projecto, de acordo entre os respectivos Governos. Por outro lado, disse esperar um resultado justo, depois de ter rejeitado uma versão inicial deste acordo.

Os EUA adiantam que o presidente ucraniano  vai assinar, em breve,  o acordo de exploração de terras raras proposto por Washington, para recuperar o dinheiro atribuído durante o conflito.

O primeiro esboço do acordo não agradou a Zelensky, por não incluir garantias de segurança, mas incluir um benefício de 50% para os Estados Unidos na exploração destes depósitos.

A posição de Zelensky gerou inquietação na Casa Branca, que fez novas alterações para o convencer.

 

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