A ligação lacustre entre Moçambique, Tanzânia e Malawi está condicionada na sequência do incêndio que destruiu completamente a embarcação Chambo, no último domingo, no Lago Niassa, que provocou três mortos.
A governadora da província do Niassa, Judite Massengele, revelou, nesta quarta-feira, em entrevista ao “O País”, que entre os passageiros da embarcação estavam 23 cidadãos moçambicanos. E entre as vítimas mortais, uma idosa é tanzaniana, o jovem é Malawiano e o bebé de três meses é moçambicano.
“Todos eles já foram entregues às famílias e realizados os seus funerais. Quanto aos sobreviventes, os tanzanianos disponibilizaram uma embarcação até Côbuè e de Côbuè vieram via terrestre até Metangula, alguns apresentavam cansaço mas estão bem”, explicou a governante.
As causas do incêndio continuam sob investigação. O fogo destruiu completamente a embarcação, que acabou por afundar, deixando por esclarecer as circunstâncias em que ocorreu o acidente.
Ainda assim, Massengale avançou que o curto circuito é apontado como causa preliminar do incêndio.
A governadora afirmou que ainda não é possível estimar os prejuízos provocados pelo sinistro. Entretanto, a perda do Chambo representa um constrangimento para a circulação de pessoas e mercadorias entre Moçambique, Tanzânia e Malawi, uma vez que a embarcação era considerada o único meio de transporte seguro no Lago Niassa.
Antes do acidente, as viagens entre a Tanzânia e Metangula duravam cerca de cinco horas e eram realizadas duas vezes por semana. Entre os principais utilizadores desta ligação estavam comerciantes que dependiam da rota para desenvolver as suas actividades, num contexto em que as vias rodoviárias se encontram degradadas.
Com a destruição do Chambo, o transporte de passageiros e mercadorias no lago passa a depender de pequenas embarcações de pesca, consideradas precárias, aumentando os constrangimentos à circulação na região.