O Conselho Nacional de Transição da Guiné Bissau, acusa o presidente angolano de “hipocrisia” e “eleições fraudulentas”, depois de João Lourenço ter criticado o golpe militar na Guiné-Bissau.
O ambiente político entre Guiné-Bissau e vários parceiros internacionais agravou-se nos últimos dias. O Conselho Nacional de Transição, que governa a Guiné-Bissau desde o golpe militar de Novembro de 2025, reagiu com dureza às críticas feitas por chefes de Estado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Desta vez, o alvo foi o Presidente de Angola, acusado de incoerência e falta de autoridade moral.
A polémica começou após declarações de João Lourenço, no encerramento do seu mandato como presidente rotativo da União Africana, onde condenou o golpe militar em Bissau e defendeu que a legitimação de governos saídos de quartéis representa um retrocesso democrático.
Em resposta, o Conselho Nacional de Transição acusou o chefe de Estado angolano de ignorar alegados problemas internos e de tolerar processos eleitorais que classificou como “viciados”.
O tom crítico estende-se a outros membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, actualmente presidida por Timor-Leste.
O governo timorense chegou a pedir desculpas depois de classificar a Guiné-Bissau como “Estado falhado”, expressão que provocou forte reacção das autoridades de transição.
O Conselho Nacional de Transição garante que vai continuar a responder às críticas e insiste que a soberania guineense não deve ser alvo de julgamentos públicos em instâncias internacionais.

