A Primeira-Dama de Moçambique, Gueta Chapo, escalou a localidade de Guara-Guara, no distrito de Búzi, para prestar apoio directo às famílias acolhidas nos centros de acomodação após as cheias em Sofala, deixando um apelo à mobilização de todos os moçambicanos, dentro e fora do País, para o reforço do apoio material e emocional aos sobreviventes que perderam todos os seus bens.
A chegada da Primeira-Dama ao centro de acomodação na noite de sábado foi marcada por um cenário de esperança. Ao interagir com as comunidades deslocadas, Gueta Chapo destacou a resiliência das vítimas: “Chegámos a Guara-Guara e encontrámos muita gente à nossa espera. Encontrámos as pessoas felizes, apesar de estarem a sofrer, longe das suas casas”, afirmou, sublinhando que a prioridade da sua visita foi o contacto humano e a partilha de momentos básicos de dignidade.
Durante a estadia, a esposa do Chefe do Estado envolveu-se directamente na logística do centro, participando na preparação e distribuição das refeições. “Ajudámos a confeccionar o jantar e servimos o jantar, jantámos juntos das nossas crianças; primeiro são as crianças, depois são as mães grávidas, lactentes, idosos, entre outros”, relatou a Primeira-Dama, descrevendo um ambiente de confraternização que incluiu momentos de lazer com os mais novos para aliviar o trauma das inundações.
A essência da visita foi resumida numa mensagem de união nacional. Segundo Gueta Chapo, o momento exige que as diferenças sejam postas de lado em prol do bem comum. “A principal mensagem é aquela, que temos de estar juntos em todos os momentos, bons e difíceis. Esta é a mensagem-chave que nós temos estado a dizer neste momento a todos os moçambicanos, não só os que estão em Moçambique, mas também os que estão fora do nosso país”, enfatizou.
A Primeira-Dama fez questão de lembrar que o apoio necessário transcende o conforto moral, focando na urgência de bens de primeira necessidade. “Continuem a apoiar as famílias que se encontram, neste momento, a sofrer, que estão longe das suas casas, que se encontram nos centros de acomodação. Precisam de muito apoio nosso, não somente emocional, mas também material, porque perderam tudo”, apelou, notando que qualquer contributo, por mais pequeno que pareça, como um quilo de açúcar ou uma barra de sabão, é vital.
Com o ano lectivo à porta, a preocupação com a educação das crianças foi um dos pontos focais do discurso. Gueta Chapo alertou para a falta de condições mínimas para o regresso às aulas: “Qualquer coisa que alguém tiver vai ajudar bastante, mesmo que seja […] um lápis ou caderno, porque as crianças perderam tudo, e daqui a pouco iniciam as aulas e não têm nem um caderno sequer. Então, precisamos de muito apoio, muito material escolar”.
Para além do apelo, a visita foi acompanhada de uma entrega de donativos destinados a reforçar o trabalho do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD). Entre os bens entregues constam produtos alimentares como arroz e açúcar, além de kits de higiene feminina, fraldas, leite e papas para bebés. Para as crianças, foram distribuídos brinquedos, bolachas e sumos, visando devolver alguma normalidade ao quotidiano infantil no centro.
Olhando para a sustentabilidade e a recuperação pós-desastre, a Primeira-Dama entregou também insumos e ferramentas agrícolas, como enxadas e catanas. “A chuva veio e as pessoas precisam de produzir. Não vamos ter comida todos os dias, não vamos estender a mão todos os dias, precisamos de produzir para nos podermos alimentar”, defendeu, salientando que a produção excedente servirá para a comercialização e aquisição de outros bens necessários.
Gueta Chapo concluiu a sua intervenção assegurando que a assistência não se limitará ao distrito de Búzi, prometendo uma monitoria contínua e a extensão do apoio a outras regiões fustigadas pelas intempéries. “Esperamos ainda outro apoio, que teremos daqui a algumas semanas para podermos entregar à nossa população não só aqui em Búzi, mas também em Maputo, Gaza e em todo o sítio onde nós iremos passar”, garantiu, reafirmando o compromisso do Gabinete da Primeira-Dama com o bem-estar social.
A Primeira-Dama pernoitou no local.
Primeira-Dama apela às mulheres para prestarem apoio às vítimas das cheias
A Primeira-Dama encontrou-se, nesta sexta-feira, na cidade da Beira, com mulheres da comunidade local, às quais dirigiu uma mensagem de reconhecimento e mobilização solidária, no âmbito da sua visita à província de Sofala, destinada a acompanhar a situação das populações afectadas pelas cheias e inundações e a reforçar as acções de apoio humanitário nos centros de acomodação.
A deslocação enquadra-se no compromisso contínuo da Primeira-Dama em promover a solidariedade nacional, o voluntariado e a atenção humanitária às populações em situação de vulnerabilidade, em consequência dos efeitos das chuvas intensas, cheias e inundações que assolam várias regiões do País.
No encontro com as mulheres, Gueta Chapo começou por reconhecer o papel central da mulher moçambicana na resposta imediata às calamidades naturais, afirmando: “Agradecemos com muita força a nossas mulheres, que têm apoiado as nossas filhas, os nossos filhos, as nossas mães, os nossos irmãos, desde o primeiro momento”.
A Primeira-Dama destacou igualmente os gestos concretos de partilha e sacrifício protagonizados pelas mulheres, sublinhando que “conseguiram tirar um copo de arroz e contribuíram, tiraram capulanas, tiraram farinha, açúcar, panelas, roupas para apoiar os nossos irmãos que se encontram neste momento nos centros de acomodação”.
Apelando à união e à coesão social, defendeu uma actuação conjunta e livre de divisões, afirmando: “Estamos juntas nesta luta e vamos continuar a trabalhar juntas, unidas, firmes, sem discriminação, sem intriga, sem fofoca. Nós convidamos todas as mulheres a nos unirmos para trabalharmos para o bem do nosso povo”.
No seu discurso, a esposa do Presidente da República assegurou que todos os apoios recebidos estão a ser canalizados directamente para as populações necessitadas, sublinhando que as famílias acolhidas nos centros de acomodação enfrentam carências básicas, nomeadamente de espaços adequados para as refeições, vestuário, colchões, baldes e utensílios domésticos.
“Mas nós temos casa, e quando voltarmos vamos encontrar comida. Então, temos que doar”, disse, incentivando igualmente a integração de mulheres nos grupos de apoio e voluntariado que actuam nos centros de acomodação.
A Primeira-Dama explicou que a intervenção humanitária assenta no envolvimento directo e no trabalho conjunto, sublinhando que “todos nós trabalhamos, todos nós estamos lá a carregar sacos, estamos lá a carregar baldes, a arrumar as mantas, a cozinhar, a conversar com as nossas crianças, com as nossas mães, com os nossos pais”, acrescentando que “tudo é de borla, não se paga nada”.
Concluindo, Gueta Chapo afirmou que a presença no terreno visa partilhar a realidade vivida pelas populações afectadas. “O nosso objectivo é estar no terreno, sentir a dor que a população sente, comer a refeição que a nossa população também come, sentar no chão como a nossa população senta, dormir na esteira também como a nossa população dorme”, numa acção que inclui igualmente a avaliação das condições de funcionamento dos centros de acolhimento e das necessidades mais urgentes, em coordenação com as autoridades locais e parceiros sociais.

