De acordo a Organização das Nações Unidas, há 3,7 milhões de ucranianos deslocados internamente, sendo que 10,8 milhões de pessoas no país vão precisar de ajuda humanitária neste ano.
A ONU alertou, nesta terça-feira, para a existência de 3,7 milhões de pessoas deslocadas na Ucrânia, número que tem aumentado nos últimos meses, devido ao Inverno rigoroso e à falta de energia provocada por ataques russos contínuos.
“Após quatro anos de guerra, a resiliência tem limites”, afirmou o director regional do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), Philippe Leclerc, em conferência de imprensa realizada nesta terça-feira em Genebra, na Suíça.
“Dentro da Ucrânia, os repetidos ataques a habitações, sistemas energéticos e serviços essenciais durante o Inverno deixaram milhões de pessoas sem aquecimento ou electricidade durante longos períodos”, descreveu, referindo que, embora as temperaturas estejam a subir lentamente, os danos permanecem.
De acordo com este responsável, há 3,7 milhões de ucranianos deslocados internamente, sendo que 10,8 milhões de pessoas no país vão precisar de ajuda humanitária este ano.
“Depois de sobreviverem ao Inverno mais rigoroso da década, milhões de ucranianos deslocados enfrentam uma crise crescente marcada por dificuldades e ataques contínuos, enquanto as perspectivas de paz permanecem distantes”, disse, num apelo a que seja mantida a ajuda humanitária e o financiamento necessário.
“Desde o início da guerra em grande escala, o ACNUR e os seus parceiros apoiaram 10 milhões de pessoas com ajuda de emergência, serviços de protecção e apoio psicossocial”, mas neste ano “planeia auxiliar mais 2 milhões de pessoas dentro do país”, caso tenha disponibilidade financeira suficiente, avançou.
É preciso também “dar apoio para recuperação e reconstrução para evitar novas deslocações e criar condições seguras para o regresso”, defendeu Philippe Leclerc.
“Quando as condições o permitirem, os regressos graduais e voluntários serão cruciais para a recuperação da Ucrânia”, disse, garantindo que o ACNUR está a trabalhar com Governo e parceiros para restaurar os documentos das pessoas, apoiar a reabilitação das infra-estruturas sociais e reparar as casas danificadas pela guerra.
O director regional do ACNUR pediu também aos países de acolhimento dos ucranianos que fugiram da guerra para criarem opções de estadias prolongadas que complementem o estatuto de protecção temporária, sublinhando que ainda há 5,9 milhões de refugiados.

