A Secretária de Estado na província de Inhambane, Bendita Lopes, reagiu à greve dos funcionários do Município de Quissico, admitindo que o Governo não tinha a real dimensão da crise, mas criticando a forma como o protesto foi conduzido.
Os trabalhadores municipais encontram-se em greve há mais de uma semana, tendo decidido encerrar as portas da instituição como forma de exigir o pagamento de salários em atraso, que já somam mais de quatro meses.
Com o fim do mês de Março, a situação agrava-se, atingindo cerca de cinco meses sem remuneração, enquanto a edilidade acumula sete meses sem receber transferências do Fundo de Compensação Autárquica.
Em reacção, Bendita Lopes defendeu que os funcionários deveriam ter recorrido ao diálogo antes de avançarem para medidas mais drásticas.
“Eles são funcionários do município, sim, mas são funcionários que estão a gerir aquilo que é a governação descentralizada ao nível da província. Às vezes, uma paciência é melhor, porque eles, para além de expor o município, estão a expor a eles próprios como funcionários. Acho que essa atitude também não é muito boa”, afirmou.
A governante apelou à contenção, sublinhando que existem canais próprios para a resolução de conflitos laborais. “Apelar aos funcionários, quando têm problemas, há sítios, há lugares próprios de tratamento desses problemas, do que fechar a instituição, porque quando se fecha a instituição também é uma perda. É uma perda que se tem e queríamos apelar para amainarmos um pouco os ânimos, termos paciência, porque vão receber os valores que eles têm”, acrescentou.
Bendita Lopes reconheceu ainda que o Governo foi surpreendido pela paralisação, afirmando que não houve comunicação prévia por parte dos grevistas, frisando a atitudes deste foi um erro.
“Se falassem, por exemplo, a nós, nós não sabíamos, surpreenderam-nos, ninguém veio ao gabinete. Eu penso que a sua Excelência, o Governador, também não sabia, surpreenderam-nos a todos. Então, eles também correram o erro de tomarem decisões sozinhos e fazerem aquilo que estão a fazer”, declarou.
A Secretária de Estado destacou, entretanto, que a situação vivida em Quissico não é isolada, mas reflecte dificuldades financeiras mais amplas enfrentadas por vários municípios e pela função pública em geral.
“Os nossos municípios estão com, não só municípios, toda função pública estamos com a situação financeira não muito boa, mas não é por isso que temos que deixar de trabalhar. O município de Quissico está há quatro meses sem salário, não é o único, há muitos ao nível do País”, explicou.
Segundo a governante, um dos desafios passa pela fraca capacidade de arrecadação de receitas locais, o que limita a autonomia financeira de alguns municípios.
“Há municípios que vão tendo a capacidade de se autossustentarem, mas o município de Quissico tem desvantagem porque não há muitos mercados, não há muita margem de arrecadação de receitas”, concluiu.
A situação continua a gerar preocupação entre os trabalhadores, enquanto se aguardam soluções concretas para o pagamento dos salários em atraso e a normalização do funcionamento da edilidade.

