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Governo quer conhecer números e rostos de mineradores artesanais através do censo

Foi lançado, hoje, o censo piloto de mineradores artesanais no país que vai decorrer entre os dias 26 de Abril e 10 de Maio deste ano nas províncias de Gaza, Tete, Niassa e Cabo Delgado.

O censo geral do sector ainda não tem data definida, mas os dados que serão obtidos servirão, igualmente, para medir o pulsar do desenvolvimento sócio-económico dos locais onde se exerce a mineração artesanal.

Em Moçambique, tal como agricultura, a mineração feita de forma artesanal é, também, uma fonte de sustento para muitas famílias, sobretudo nas zonas centro e norte do país. Não se sabe ao certo o número de pessoas que estão envolvidas nesta actividade e muito menos o número de agregados familiares que tem, nas riquezas do subsolo, a fonte de sobrevivência.

Nas grandes escavações, homens e mulheres, dentre os quais adultos, idosos e até crianças com roupas cobertas de lama, peneiras, sacos ou outros instrumentos que os ajudem a caçar o ouro ou qualquer outro minérios é a imagem que se vê lá mais para o centro e norte e que nem deixa dúvidas – eis os vestígios da mineração artesanal.

Nessas escavações, não se liga muito para perigo; o essencial é mesmo matar a fome antes que mate os mineiros. O Governo sabe da existência desta actividade exercida em meio ao risco, mas quer ter mais detalhes sobre ela (a actividade) e tal só será possível através de um censo.

“E é dentro deste trabalho que está a ser feito que o Governo sentiu a necessidade de ter-se mais informação sobre onde é que as pessoas estão, exactamente, a praticar esta actividade, o que fazem fora à mineração, quais são as idades, ou melhor, trazer dados estatísticos e suas localizações”, elucidou Adriano Sênvano, director-geral do Instituto Nacional de Minas.

O director-geral do Instituto Nacional de Minas acrescenta ainda que foi por pensar nestes dados que se decidiu sobre a realização do censo dos mineradores artesanais “sejam eles legais ou ilegais”.

A fase piloto do censo de minadores artesanais de Moçambique, a decorrer entre os dias 26 Abril e 10 de Maio nas províncias de Gaza, Niassa, Tete e Cabo Delgado, servirá de um ensaio para o recenseamento geral.

“O objectivo principal desta parte do censo, que é o piloto, é fazermos a testagem de todo  o equipamento que foi produzido para o censo principal. Estamos a falar de instrumentos para anotação e a logística que foi preparada”, revelou Adriando Sênvano, que esclarece, também, que tal significa que, depois da fase piloto, se vai avaliar se está tudo conforme para o censo principal. Mais ainda, “Devo aqui dizer que, para chegarmos a esta fase, foi feito um trabalho bastante aturado de cartografia, foram visitadas todas as províncias e identificados 1044 pontos neste país onde está a ser realizada a mineração artesanal”.

Tal como acontece com o censo geral da população, o recenseamento dos mineiros artesanais não servirá, apenas, para ter informações sobre a prática. Os dados recolhidos no censo desta actividade servirão para medir o pulsar do desenvolvimento nos locais onde se extraem os minérios, tal como explica a presidente do Instituto Nacional de Estatística.

“Para além da exploração mineira, o censo irá recolher dados sobre as condições de vida das comunidades nas áreas de ocorrência da mineração artesanal desde os operadores mineiros, comerciantes e líderes comunitários”, referiu Eliza Mónica Magaua, presidente do Instituto Nacional de Estatística.

Depois do censo, a informação produzida servirá, não apena de suporte para formação de políticas sectoriais do Governo, “como também fornecerá (dados) sócio-económicos indispensáveis para o acompanhamento da evolução das condições de vida das populações que residem no território nacional, especificamente, nas regiões onde se realiza a mineração artesanal”.

Na província de Gaza, já estão a ser formados os candidatos a agentes de recenseamento para o censo piloto de mineração numa capacitação que terá a duração de 12 dias. Já em Cabo Delgado, o director-geral do Instituto Nacional de Minas assegurou que os ataques terroristas não vão comprometer o processo.

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