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Feira do Livro de Maputo homenageia Luís Carlos Patraquim na sexta-feira

O Conselho Municipal de Maputo realiza, na quarta, quinta e sexta-feira, no Paços do Município e no Jardim Tunduru, a Feira do Livro de Maputo. A presente edição homenageia Luís Carlos Patraquim e tem como patrona Noémia de Sousa.

Uma vez mais, a Feira do Livro de Maputo vai honrar o compromisso de promover a literatura moçambicana e, por conseguinte, garantir a partilha de leituras entre diferentes personalidades e munícipes. Como tem sido habitual, ao longo de três dias, a iniciativa do Conselho Municipal de Maputo vai proceder ao lançamento de livros, à realização de mesas redondas e de oficinas criativas e ainda celebrar autores que se revelam determinantes para a afirmação da arte literária no país.

Na presente edição, o grande momento da Feira do Livro de Maputo será a homenagem a Luís Carlos Patraquim, poeta que há meio século faz da escrita a arte de pensar e projectar a humanidade. A sessão de homenagem está marcada para sexta-feira, às 16h, no Salão Nobre do Conselho Municipal.

Natural de Maputo (1953), o poeta, escritor, guionista, dramaturgo e jornalista, Luís Carlos Patraquim, iniciou-se nas letras ainda novo. Aos 17 anos de idade, começa a colaborar com o jornal A Voz de Moçambique, mas o ambiente que se vivia em Moçambique leva a que, em 1973, com apenas 20 anos de idade, procure refúgio na Suécia. No início de 1975, entretanto, com a independência a poucos meses de distância, regressa à Cidade de Maputo, integrando os quadros do jornal A Tribuna. Patraquim é um dos membros do núcleo fundador da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e faz também parte da fundação do Instituto Nacional de Cinema, no qual exerce, entre 1977 e 1986, a função de roteirista, argumentista e redactor principal do jornal cinematográfico Kuxa Kanema.

Luís Carlos Patraquim também coordenou a prestigiada Gazeta de Artes e Letras da revista Tempo, órgão que muito ajudou a promover e a renovar a literatura moçambicana. No entanto, além da actividade de jornalista, encontrou na poesia uma paixão. Em 1980, estreia-se nos livros e publica Monção, para muitos estudiosos, um marco importante no que concerne à poesia que era produzida e passará a ser produzida nos anos seguintes. Cinco anos depois de Monção, o autor publica outro livro icónico, A inadiável viagem. Em 1986, fixa-se em Portugal e passa a colaborar com meios da imprensa portuguesa, como o Jornal de Letras, o Diário de Lisboa, o Expresso ou o Público. Também é autor de Vinte e tal novas formulações e uma elegia carnívora (1992) ou O osso côncavo e outros poemas (2005).

Em 2010, investe no romance com A Canção de Zefanías Sforza e, nos anos seguintes, também publica Matéria concentrada (2011), O cão na margem (2017) e o deus restante (2017).O lema para a presente edição da Feira do Livro de Maputo é Se me quiseres conhecer, vem sonhar com o livro. A proposta é inspirada no poema “Se me quiseres conhecer”, do livro Sangue negro, de Noémia de Sousa, a patrona deste ano. Essencialmente, o lema invoca e convoca o leitor a sintonizar-se com o legado da autora que, se estivesse viva, teria completado 100 anos de idade no passado dia 20 de Setembro. Portanto, o tributo à ‘mãe dos poetas moçambicanos’ justifica-se pelo excelente contributo para as letras nacionais e pela inspiração inequívoca aos autores de Moçambique e do mundo.

A Feira do Livro de Maputo é uma iniciativa do Conselho Municipal de Maputo, que, há duas décadas, constitui um espaço de promoção da língua portuguesa, da literatura e do intercâmbio cultural entre países africanos, europeus, americanos e asiáticos. Ao reunir diferentes intervenientes das indústrias criativas, como escritores, poetas, ensaístas, editores nacionais e internacionais, livreiros, bibliotecários, professores, gestores, jornalistas e leitores de todas as idades, o evento tem, inclusivamente, contribuído para tornar Maputo uma cidade criativa.

Durante três dias, o evento do Conselho Municipal tem funcionado como uma plataforma de lançamentos de livros, oficinas, actividades infantis, sessões de autógrafos, exposições, debates e apresentações artísticas, criando um ambiente de intercâmbio cultural e de valorização do livro como instrumento de desenvolvimento humano e, consequentemente, social.
À semelhança dos anos anteriores, a Feira continua privilegiar iniciativas que consistem em levar a arte literária às escolas, no caso deste ano, através da Festa do Livro de KaNyaka, no Distrito Municipal KaNyaka, e o A caminho da feira, no Distrito Municipal KaMpfumo.

Em ambos os casos, os encontros permitiram que os alunos exprimissem as suas sensibilidades literárias através da partilha de textos poéticos que, depois da selecção e edição, serão editados em livro pela Kuvaninga Cartão d’Arte durante o evento. Assim, com efeito, mais alunos primários tiveram com quem partilhar o talento que possuem e complementar o processo de ensino e aprendizagem através da actividade extracurricular promovida pela Feira do Livro de Maputo.
Ciente da importância do vosso órgão, solicitamos a divulgação da informação e a respectiva cobertura.

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