Alguns troços das avenidas Graça Machel e Nelson Mandela, no bairro Magoanine, na Cidade de Maputo, continuam alagados com as águas da chuva de Janeiro e Fevereiro. As partes alagadas estão a ser transformadas em lixeiras, e o Município de Maputo culpa os moradores pelo alagamento das vias.
A Avenida Graça Machel, que dá acesso à Circular de Maputo através da Estrada Nacional Número 1, dividindo os bairros Magoanine B e C, na Cidade de Maputo, foi, desde a última época chuvosa, transformada em pequeno riacho. Na entrada da Escola Mártires de Mbuzine, no bairro Magoanine “C”, pouco mais de 200 metros da estrada foram tomados pelas águas.
“Nós estamos a pedir ajuda para retirar esta água”, clamou Preciosa Bié, moradora de Magoanine “C”.
Devido à gravidade do problema, a via está a ser abandonada pelos automobilistas, dando espaço a crianças do bairro que encontram no local e nas águas espaço para diversão.
Carlos Nhantumbo, transportador de passageiros, explica que são obrigados a “usar vias alternativas no interior dos bairros, mas às vezes somos barrados pelos moradores”.
Se os transportadores de passageiros usam vias alternativas, o impacto recai sobre os utentes dos transportes semicolectivos, como explica Amélia Matuto, entrevistada na Rotunda de Grande Maputo.
“Os carros já não chegam aqui, devido à água. A partir das 18 horas, somos baldeados, porque os chapas não podem entrar nas ruas dos bairros, a fugir da água. Há bandidos, não é fácil, eles correm risco de ser agredidos.”
As pessoas que exercem actividades comerciais nas proximidades são, por outro lado, as vítimas das águas estagnadas. Diferentemente de muitos outros que foram obrigados a encerrar os estabelecimentos, Manuel Nhampossa, proprietário de uma carpintaria à beira da estrada, viu o número de clientes cair desde que a entrada foi tomada pela água.
“Eu tenho de sair da oficina com botas para poder atender os clientes. Se não acontecer isso, eu perco os clientes, devido à água.”
E não é um caso isolado. Graça Marcelo, comerciante nas proximidades, perdeu a capacidade de arcar com as despesas desde que a estrada foi tomada pela água, possibilitando os clientes de aceder ao estabelecimento.
Se de um lado a água tomou conta da via, de outro, os resíduos sólidos não recolhidos no local misturam-se com água, e o mercado local quase já não recebe clientes.
“Eu, por exemplo, trabalho com refeição, mas assim não tenho como trabalhar. Tenho falta de clientes, porque ninguém senta aqui para comer, devido às moscas, com lixo. Aqui deitam cães mortos, gatos e até fetos”, lamentou Madonna Vembane.
Quem vive nas proximidades fala da impossibilidade para introduzir ou retirar um veículo da residência, devido à água, e a esse grupo, os moradores, a Empresa Municipal de Infra-Estruturas de Maputo imputa a culpa do alagamento da via.
“No acto da construção daquela via, foram acautelados todos os pormenores técnicos de drenagem. Foram construídos alguns descarregadores. Aconteceu que, passado algum tempo, moradores bloquearam todas as saídas de água”, disse Ricardo Anibal, director-técnico da EMIM.
A empresa diz que no momento não há uma solução definitiva à vista e apela aos moradores para reabrirem os alegados caminhos das águas.